quarta-feira, 29 de outubro de 2014

1587-O Espiritismo no Brasil


 
E veio o materialismo positivista

A iniciativa republicana e o período ensejado pelos adeptos da República contaram com o maior entusiasmo e apoio dos espíritas, mas dentro dos ideais republicanos permeava a doutrina de Augusto Comte, chamada Positivismo, profundamente materialista contando com muitos adeptos dentro do governo.

A primeira Constituição Republicana, de 1891, foi antecedida pelo Decreto nº 847, que promulgou o Código Penal. Nele a prática de magia e curandeirismo ficou associada ao Espiritismo, como reza o seu artigo 157: "É crime praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancias para despertar sentimentos de ódio ou amor, inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis, enfim, para fascinar e subjugar a credulidade pública. Pena: prisão celular de 1 a 6 meses e multa de 100$000 a 500$000" (a moeda dessa época se chamava réis).

Os espíritas protestaram junto a Campo Sales, então Ministro da Justiça, sem sucesso. O relator do Código, João Batista Pinheiro, limitou-se a afirmar que o texto referia-se à prática do chamado "baixo espiritismo", referindo à espiritualidade praticada pela população negra.

Em 22/12/1890, Bezerra de Menezes, enquanto presidente do "Centro da União Espírita do Brasil", oficiou ao Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, acerca do novo Código Penal. Preocupado com possíveis focos de resistência ao regime, o Governo autorizou a polícia a invadir reuniões e residências à procura de opositores. Como consequência, em 1891, na cidade do Rio de Janeiro, vários espíritas chegaram a ser detidos. Perseguidos e proibidos de se reunirem, os poucos centros espíritas então existentes viram-se na contingência de fechar suas portas a fim de não incorrer nas penas da Lei. A própria FEB foi obrigada a suspender a publicação de sua revista, o "Reformador" naquele momento.

É nesse contexto, entretanto, que Bezerra de Menezes funda o Grupo Espírita Regeneração (18/02/91), a "Casa dos Benefícios", como ficou conhecido.

No auge da segunda Revolta Armada, em 1893, quando a Marinha se rebelou e inclusive declarou Desterro/SC capital de um país independente do Brasil, o Governo (já então) de Floriano Peixoto (vice de Deodoro) endureceu ainda mais o regime perpetrando perseguições, prisões e até execuções. Os espíritas apresentaram um novo protesto ao Congresso Nacional contra o Código Penal, uma vez mais em vão, de vez que a comissão revisora do Código não atendeu às reivindicações formuladas. Vitimado por dificuldades externas e internas, o Reformador deixou de circular no último trimestre daquele ano. O "Grupo Espírita Fraternidade", após ter alterado os seus estatutos passando a denominar-se "Sociedade Psicológica Fraternidade" e, como a Revolta da Marinha havia acabado, em dezembro desse mesmo ano, Bezerra de Menezes encerrou a série "Estudos Filosóficos" que vinha publicando no O Paiz.

No ano seguinte (1894)), com o abrandamento da situação política, Augusto Elias, em conjunto com Fernandes Figueira e Alfredo Pereira, inicia uma campanha financeira para subsidiar os projetos da FEB. O Reformador voltou a circular.

Os historiadores do movimento registam que, à época, vivia-se uma cisão ideológico-doutrinária entre os chamados "laicos" ou "científicos", representados pelo Prof. Angeli Torteroli, que defendiam o aspecto científico do espiritismo; e os "místicos", representados pelo Dr. Bezerra de Menezes, que defendiam o aspecto religioso. Desse modo, em 04/04/94 o "Centro da União Espírita" muda o seu nome para Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil, sob a direção do Prof. Angeli Torteroli. À sua Diretoria pertenciam nomes como os de Júlio César Leal e Bezerra de Menezes, que dela se retirou em 1896, diante da campanha de insultos pessoais que contra ele se desencadeara, por ser considerado um místico, que não se dava ao trabalho de raciocinar.

Diante da renúncia de Júlio César Leal à presidência da FEB, após sete meses no cargo, devido à profunda crise administrativo-financeira e ideológica vivida pela instituição, Bezerra de Menezes, a 3 de agosto de 1895, aceitou assumir mais uma vez o cargo. No exercício de suas funções, imprimiu orientação evangélica aos trabalhos da instituição. Permaneceu no cargo até falecer, em 1900. Bezerra de Menezes é, hoje, um dos mais respeitados nomes de brasileiros ligados ao espiritismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário