domingo, 2 de novembro de 2014

1591-O Espiritismo no Brasil


Os processos contra a prática espiritual

O Espiritismo no País foi marcadamente evolutivo nas décadas de 1950/60, principalmente por dois grandes fenômenos: José Pedro de Freitas, popularmente conhecido por "Zé Arigó" - cuja prática mediúnica não se filiava estritamente à Doutrina Espírita ou a qualquer instituição oficial, mas lidava com a questão mediúnica em profundidade -; e Francisco Cândido Xavier, popularmente conhecido por "Chico Xavier".

Zé Arigó, "recebendo" o espírito do Dr. Fritz (médico que ninguém descobriu quem era, apesar do sotaque alemão), realizou gratuitamente tratamento a milhares de pessoas e sofreu dois processos acusando-o de feitiçaria e exercício ilegal de medicina: um em 1958, no qual só não foi preso porque recebeu indulto do então presidente Juscelino Kubitschek - cuja filha havia sido tratada por ele -, e outro em 1964, no qual ficou alguns meses preso mas sem parar de aplicar os tratamentos mediúnicos.

Por sua vez, Chico Xavier chegou a completar o 100º livro psicografado (na verdade foram 133), sendo que sempre cedeu os direitos autorais de seus livros psicografados às instituições de caridade, e fundou em Uberaba junto com o médium e médico Waldo Vieira o Centro Espírita "Comunhão Espírita Cristã", onde realizaram grande atividade mediúnica e filantrópica; também sofreu acusação de fraude (não provada e depois retirada), em 1958, pelo seu sobrinho Amauri Pena, e esteve envolvido, com Waldo Vieira, no escândalo das chamadas "materializações de Uberaba", em 1964, que ocupou 70 páginas da revista “O Cruzeiro”, ilustradas por 87 fotografias, em onze edições, ao longo de três meses.

A propósito, o perfil do Centro fundado por Waldo e Chico, em Uberaba, era algo destinado a amenizar as reações contra o espiritismo de impacto chocante. O nome “comunhão espírita cristã” era para dar, como de fato deu, uma aproximação com as igrejas cristãs.

Mas, nem assim a pedreira foi afastada. Ainda na década de 1950, o padre Oscar Quevedo (1930-2010), jesuíta espanhol radicado no Brasil, iniciou uma ampla divulgação de sua interpretação da parapsicologia como resposta ao Espiritismo. Desqualificava toda e qualquer assertiva de que espíritos pudessem se comunicar com pessoas e até entrava em contradição quando era instado explicar as aparições de Maria, exploradas pela Igreja.

No contexto do movimento federativo que se difundiu após a assinatura do chamado "Pacto Áureo”, em 1953, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - reiterou a condenação católica ao Espiritismo. No mesmo ano, a FEB declarou que os umbandistas poderiam ser considerados espíritas, o que causou vivas reações no movimento espírita.

Em 9 de dezembro de 1957 foi fundado na cidade do Rio de Janeiro, o Instituto de Cultura Espírita do Brasil, pelo sociólogo Deolindo Amorim.

Em 1960 veio à luz a obra "O Espiritismo no Brasil", de frei Boaventura Kloppenburg, militante católico contrário ao Espiritismo. Não foi sua única obra contra umbandistas, maçons, espíritas e outros credos. O que se via era o oposto do desejado pelo autor: os seus leitores eram levados a conhecer a aderir na proporção oposta de quantos fiéis abandonavam o catolicismo, em plena crise de afirmação daquela instituição, cuja instabilidade viria contribuir para a formação das Comunidades Eclesiais de Base, matriz dos movimentos que nos deram o MST, a CUT e o PT.

Enquanto isso, o Espiritismo se esforçava por comprovar-se ao lado da ciência. Em 13 de dezembro de 1963 foi fundado, na cidade de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP), pelo engenheiro e parapsicólogo espírita, Hernani Guimarães Andrade.

No Rio de Janeiro, o coronel Jaime Rolenberg de Lima, lança o boletim informativo “Serviço Espírita de Informações” (maio de 1965), como mais um órgão de esclarecimento.

Em 1968 foi fundada a AME-SP – Associação Médico-Espírita de São Paulo, que logo influenciou o surgimento de várias outras associações médico-espírita no país.

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