quinta-feira, 6 de novembro de 2014

1595-Espiritismo em Santa Catarina


Um passo antes dos europeus

Vamos fazer um recuo de 1.000 anos, no mínimo, antes de que se estabelecessem colonizadores na área da Capitania de Santana e Terras de Santo Amaro, que foi o nome primitivo de uma nesga de terra onde hoje encontramos o Litoral de Santa Catarina.

O Brasil estava descoberto, havia uma divisa entre o que pertencia a Portugal e o que pertencia à Espanha, como donativo papal à fidelidade desses reis à Igreja Católica, estabelecido em decreto papal. Mas, aqui havia índios, por sinal mais desenvolvidos que os demais nativos do imenso território que acabou ocupado pelo Brasil. Eles se chamavam Kary’ó, de onde lhes veio o apelido de carijós, tinham seus rituais sagrados e entendiam terem sido chamados pelo seu deus Ñamandu Ru Etê Tenondeguá, que em sua língua (guarani) quer dizer “o deus primeiro e verdadeiro”. Não se incomode com o til sobre o “n” inicial. É só uma questão de pronúncia. Escrito com “nh” a pronúncia se torna labial e escrito com “ñ”, como tem de ser, a pronúncia de torna gutural.

O que seria a questão sagrada dos Kary’ó? Eram os cuidados com o santuário de Yvimarãe’ÿ – Terra Sem Males, que acreditavam tomar conta para o seu deus. E isso incluía a questão ecológica em terra, no ar, nas águas e nas pessoas – que estavam incluídas entre os quatro elementos – mais o fogo, a energia. Tinham seus rituais, eram muito espiritualizados e deixaram suas marcas rupestres em tamanha quantidade que impressiona os pesquisadores do mundo.

Mas, a chegada dos portugueses veio junto com a exploração dos mares, principalmente das baleias que eram numerosas – e sagradas para os nativos. As sete armações de caça, abate, refino do óleo e aproveitamento das barbatanas (instaladas no litoral de SC), sacrificaram alguns milhares de baleias durante 49 anos em que funcionaram exportando o óleo para combustível da iluminação na Europa e as barbatanas para servirem à indústria de botões.

Os nativos se revoltaram, tentaram impedir a matança e acabavam eles também assassinados pelos guardiões dos matadouros. A carcaça das baleias com a maior parte de ossos, vísceras e carnes ficava na praia para apodrecer e serem absorvidas pelo mar, gerando mau cheiro, contaminação, nuvens de urubus...

Em torno de 1800 os Kary’ó deixaram a região sem que se saiba para onde foram. Mas os seus pajés ficaram e se imolaram em sacrifício da Terra Sem Males, num ritual que durou 36 dias, sem comer, sem beber, sem dormir, em cantos e orações até desfalecerem um após o outro. E são esses espíritos que hoje organizam e encaminham as reencarnações Kary’ó entre a população de Florianópolis. Já estão entre nós algumas centenas deles refirmando que este paraíso ecológico continua prometido para uma terra sem males, a receber esta outorga definitiva muito brevemente.

Você vai ler aí adiante a questão da Ilha da Magia, das bruxas açorianas e uma grande vocação da região para com os temas espirituais. Não se impressione. A região, segundo os nativos que viviam aqui, está destinada a isso. Ela é um dos chakras do planeta. As energias daqui são equivalentes às de Macchu Picchu e Stonehenge.

Está em curso a edição de um livro intitulado “Uma Terra Sem Males” contando toda esta história em pormenores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário