segunda-feira, 10 de novembro de 2014

1599-Espiritismo em Santa Catarina


Uma Federação Espírita

Luiz Osvaldo Ferreira de Melo, homem lúcido e previdente, observando, logo após o término da 2ª. Guerra Mundial, o crescimento do número de Casas Espíritas em nosso Estado, julgou oportuna e urgente a criação de uma Instituição que buscasse unificar esse Movimento que então eclodia.

O momento tornara-se adequado, pois que, com o término desse doloroso episódio da história da humanidade terrena, serenaram consideravelmente eventuais perseguições e equívocos que até então eram direcionados aos espíritas, particularmente nas regiões onde muitos descendentes de cidadãos europeus haviam se estabelecido e eram teimosamente ligados à sua fé.

Todavia, em 1945, essa quantidade de entidades dispostas a difundir o Espiritismo em Santa Catarina já era superior a 20, sendo que mais da metade delas estavam instaladas em Florianópolis ou municípios circundantes. As demais, até então conhecidas, tinham suas sedes em São Francisco do Sul, Laguna, Itaiópolis, Lages, Itajaí, Papanduva, Blumenau, Criciúma e Rio do Sul, uma em cada uma dessas cidades.

Multiplicando-se através do território catarinense, esses Centros Espíritas não poderiam permanecer isolados uns dos outros. Tornava-se imperioso implantar uma sistemática de troca de experiências, de união entre as mesmas, a fim de que permanecesse incólume a doutrina revelada pelos Espíritos do Senhor, codificada inteligentemente pelo Sr. Allan Kardec.

Osvaldo Melo era conhecedor de um trabalho unificador já realizado em outros Estados, com a implantação de instituições federativas, as quais, sem interferência na autonomia própria das Casas Espíritas, procuravam meios para sanar dificuldades, dirimir dúvidas atinentes à Doutrina e auxiliar a todos os seus trabalhadores com soluções ou propostas que a vivência de outros já evidenciara.

Já em tempos passados, antes de completar-se a segunda década do século 20, alguns pioneiros do Espiritismo haviam tentado a criação de uma Federação em nosso Estado. Entretanto, as poucas instituições espíritas existentes e as dificuldades de aceitação do Espiritismo, à época, represaram a ideia, ao ponto de a mesma diluir-se pouco após sua implantação. O momento não seria o mais conveniente.

E realmente, como a programação espiritual delineara esse surgimento para nova época, mais propícia, as circunstâncias levaram Osvaldo Melo, médium de excelentes qualidades, no início dos anos 40, a repensar a necessidade de uma Instituição norteadora para esse Movimento, então já em crescimento. Esse irmão presidia, na ocasião, o Centro Espírita Amor e Humildade do Apóstolo, em Florianópolis, o terceiro mais antigo do Estado. Sempre conciliador, prudente, fraterno e humano, era frequentemente procurado por companheiros espíritas de outras casas, mesmo das situadas no interior do território catarinense, a fim de orientar os caminhos mais adequados para a solução das dificuldades que se apresentavam. E ele o fazia com verdadeiro amor em seu coração, muitas vezes visitando pessoalmente esses Centros e Sociedades Espíritas, removendo os obstáculos que aqui ou ali tentavam obscurecer o Movimento em expansão.

Melo participou, em algumas ocasiões, de eventos realizados na Federação Espírita do Paraná, instituição hoje mais que centenária e que contara, durante anos, com a presença e o trabalho de Arthur Lins de Vasconcelos Lopes, com o qual passou a dialogar a respeito das possibilidades ora oferecidas ao Estado de Santa Catarina, assim como ouviu outro companheiro, no Rio Grande do Sul, Francisco Spinelli.

Foi com esses irmãos que se materializou a proposta da realização de um conclave, em Curitiba, no ano de 1943, com o objetivo de implantar o processo de Unificação Espírita, nos Estados do Sul do Brasil. E Osvaldo Melo, por fim, trocou ideias com dirigentes das Casas Espíritas existentes no Estado, vendo então como inadiável a fundação da Federação Espírita Catarinense.

Convocados esses companheiros, envolvidos pelas mesmas vibrações emanadas da espiritualidade superior, reuniram-se, na noite de 24 de abril de 1945, na sede do próprio Centro Espírita Amor e Humildade do Apóstolo, sito à Rua Marechal Guilherme número 29, no centro da Capital. O encontro foi deveras auspicioso, embora breve, pois todos os presentes já estavam devidamente cientificados dos grandes propósitos dessa novel entidade. E, imediatamente, foi constituída a primeira Diretoria, tendo Luiz Osvaldo Ferreira de Melo como seu presidente, face aos seus esforços e ao trabalho já realizado, conforme acima mencionado.

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