quinta-feira, 27 de novembro de 2014

1616-Mãos que curam, palavras que saram


A energia manipulada

As casas e galpões erigidos no interior do imenso Brasil eram e ainda são frágeis diante de uma ventania mais agressiva. Não se tinha as técnicas que hoje tem para amarrar linhas, caibros, telhas e goivas. Então o que fazer quando o horizonte preteja e os relâmpagos sinalizam tempestade das bravas? Pegava-se as crianças e mandava-as para baixo da mesa, cujas pernas fortes podiam protegê-las em caso de o telhado desabar. Quem possuía porão, enfiava toda a família lá até que o vendaval passasse.

Mas, entre as vovós, sempre havia uma benzedeira, entendida em simpatias, cuja explicação certamente não está na ciência. Ou está? É a vovó que, vendo o temporal a caminho, toma o velho pilão, emborca-o de boca p’ra baixo, toma o machado de cortar lenha, dirige o machado no rumo das nuvens que vêm rangendo e diz algumas palavras quase incompreensíveis e depois de alguns gestos em forma de cruz, crava o machado no fundo do pilão. Vira as costas e vai pra dentro de sua cozinha tratar da água para o café ou mate do entardecer.

O testemunho pessoal é meu, que escrevo p’ra vocês. O temporal se abre ao meio, como se tivesse sido rachado, tal como se racha um pau de lenha. E um breve ventinho com chuva rala é o que se tem daí por diante. Pode isso? O que você acha?

Bem, eu não estou pedindo que você aceite e admita ou creia no que foi narrado como coisa normal. Normal, normal, não é. Não é normal tendo em vista o que conhecemos e como fomos educados religiosamente, paradigmaticamente, segundo os ditames científicos distantes dos ditames místicos.

Mas, as histórias vão além.

Esse fato seguinte, tem nome e endereço. O Dr. Jacob comprou uma fazenda nas cercanias de Porto Belo/SC e quando percorreu a área pensando em instalar ali uma pastagem para criação de gado de raça, o que fez em companhia de seu capataz, descobriu que ali havia uma colônia de cobras venenosas, centenas, milhares delas. Ali não podia haver animais pois eles seriam picados e morreriam envenenados. Que fazer? Sair atrás de uma a uma das cobras e abatê-las a pauladas? Tocar fogo na área e matar além das cobras, os sapos e rãs (na verdade, alimentos das cobras) e toda a fauna ali existente? Não! A solução não poderia ser esta. Qual era, então?

Foi o capataz que sugeriu. “Conheço o seu Salustiano, benzedor, que tem poder de espantar toda essa bicharada peçonhenta”. Chama o Salustiano.

Pois, não há de crer, o homem benzeu três cantos da fazenda e foi embora, pois já sabia o resultado. O dono foi ver o que aconteceu. Olhou de longe meio espichado sobre o lombo do cavalo. Lá estavam desertando um verdadeiro exército de cobras. Pode?

Pois, parece que pode.

Mas, ainda não é tudo. Tem mais.

Noutro endereço e situação, o animal macho tinha sido castrado e no ferimento aberto no escroto se instalara uma colônia de larvas, conhecida por bicheira. Sem nenhum remédio químico, um bruxo colega do Salustiano (aquele das cobras) fez sua mandinga dirigindo-se diretamente para aquela coisa horrível onde milhares de larvas se divertiam no interior do escroto esvaziado do ex-touro. Não demorou cinco minutos e as larvas começaram a despencar aos borbotões saindo todas, sem exceção. Pode?

Tem de poder, não é verdade!

E quando uma pessoa sente uma fisgada no músculo da lombar ou cervical e a dor parece aumentar de minuto a minuto? Estando parado até não dói, mas mexeu, vem a pontada que mais parece um ferro quente penetrando no corpo. Antigamente chamavam isso de rendidura, na verdade, estiramento muscular, o mesmo que atinge os atletas, que são retirados da quadra chorando de dor. Dói muito. E lá no passado não tinha remédio, nem o gelo que hoje se põe sobre o local. Faz o que? Vai à benzedeira! Ela pega um pedaço de pano velho, uma agulha com linha e depois de uma oração começa a perguntar ao paciente: “o que eu costuro?”. A resposta era “nervo rendido”, repetido por três vezes. Pode ir meu filho. A dor passou. E passava, mesmo. Milagre! Sim, as pessoas costumam chamar isso de milagre. Trataremos dessa questão também, mais adiante.

Os curandeiros são pessoas dotadas de capacidade para manipular energias. Energias que a maioria das pessoas não conhece e, por isso, não usa. É assim que se descreve: mãos (ou mentes) que curam, palavras que saram. E o que dizer da dança da chuva? Ou das novenas em favor de algo? Serão temas das próximas postagens.

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