terça-feira, 2 de dezembro de 2014

1621-Mãos que curam, palavras que saram


 
Devagar se vai ao longe

Sejam curas reais ou fruto de efeito placebo, o ato de curar por meios não tradicionais é visto como um patrimônio imaterial da cultura brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura. Além de trazer conforto espiritual, os curandeiros e benzedeiras do Brasil inspiram artistas, como o escritor Sinval Santos da Silveira, que narra a história e o segredo de uma benzedeira que mora em uma casinha muito simples, sem luz elétrica nem água tratada:

“Mulher de idade avançada, magrinha, mal alimentada, e de um coração cheio de bondade… Sobre uma pequena mesa, a imagem da Santa, em quem deposita sua fé e a sua vida. Benze, em nome da Santinha, curando torcicolo, arca caída, dor de dente, distensão muscular, dor nas costas, dor de olhos, de garganta, de cabeça, mal olhado, inveja, etc.
“Seus pacientes ou clientes, pelo trabalho milagroso, nada pagam, nada devem. O prazer de poder ajudar alguém, que lhe procura, está acima de qualquer outro valor.

“Só agora entendo, que o poder de cura daquela mulher, sempre residiu numa única coisa, que tinha em excesso, em sua humilde casinha: muito amor…”

Hoje, num trabalho mais organizado e coletivizado, existem instituições aplicando outros tipos de benzeduras, manipulando energias, realizando cirurgias espirituais, curando câncer e outras doenças terminais. Cito como exemplo, porque conheço de perto os trabalhos do Núcleo Espírita Nosso Lar, em São José, SC e sua filial, um hospital-dia em Ribeirão da Ilha, Florianópolis, SC, chamado Centro de Apoio ao Paciente com Câncer.

Estas casas atendem 120 mil pessoas/ano, procedentes de vários estados e de países vizinhos e distantes. Trabalham como voluntários doadores, mais de 1.200 pessoas, com atendimentos diários em torno de 300 pessoas que se submetem aos mais diferentes tratamentos, inclusive as chamadas cirurgias espirituais, que são, na verdade, transferências energéticas.

Ao longo de 40 anos esta instituição pesquisou, estudou, experimentou, viajou, observou e desenvolveu o que as universidades deveriam olhar e fazer. Já existe o apoio da Associação Médica Espírita e duas dezenas de médicos que atuam diariamente nos trabalhos da casa, mas o ponto extraordinário que fica faltando é o envolvimento integral da Universidade. A Universidade não pode virar as costas para esta realidade e nem exalar preconceito acadêmico. Quando se estuda um pouquinho mais profundamente a vida de Jesus descobre-se que ele possuía formação superior naquilo que fazia sem esconder o concurso da fé.

Quem sabe, um dia...

Fim da série.

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