segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

1627-A Cura Espiritual e pela Fé


Cura-se pela fé ou pela sugestão?

“Pois e agora!?”, diria em resposta (à pergunta-título) o manezinho lá dos fundões do Litoral de Santa Catarina onde o progresso demora a chegar. Pensa um pouquinho e devolve: “ói, ói, ói, os dois são a mesma coisa, sô”. E são? Está certo o manezinho?

O que nós estamos querendo explorar como autossugestão ou simplesmente como sugestão, é algo que bate lá no nosso íntimo como coisa certa, líquida, sem dúvida, aquele insight, aquela iluminação íntima. O que é isso se não fé? A fé é aquela coisa que mesmo sem ver, sentir, cheirar, tocar, ouvir ou engolir sabemos que é, está, existe. Ninguém me disse, eu sei. Claro que quando alguém me disse e eu aceitei, é outra coisa, trata-se de crença. Na questão da fé, não é assim. Eu sei que é. E pronto.

Aí, se estou com dor e alguém me dá um remédio e eu, na fé, aceito que vai funcionar, o remédio pode ser uma fantasia (água, farinha, etc.), mas faz efeito, o efeito placebo, que a medicina reconhece e aceita. Isso é sugestão, mas funciona graças à fé daquele sujeito que acreditou na ação do “remédio”. A ação foi, é, uma descarga energética sobre a causa da dor, da doença.

Aliás, por falar em remédio, sabe de onde vem esse nome? Vem de reemenda, remendo, unir os meios, colar o que descolou, e também, segundo outra fonte, reduzir o medo e aí, já, com a mesma origem do nome médico: aquele que trata do medo (medo de aceitar a vida).

Noutra situação, e ainda do tempo passado, os xamãs também usavam/usam a expressão “vendeu a alma” ou “perdeu-se da alma” para se referirem aos seus pacientes que estão descolados nas dimensões de corpo e alma, em que o corpo se separou da alma e a cura é, na verdade, este remendo, esta reemenda. No Oriente se diz sair da casa (adoecer), voltar para volta (curar-se). Casa espiritual.

Quando a igreja se instalou entre os nativos selváticos, mas já conhecia essas práticas desde as senzalas onde os escravos ritualizavam cerimônias pagãs (para a igreja), ela combateu essa prática entre os índios como coisa do diabo. Mas, nas senzalas elas eram toleradas porque o bispo apoiava os escravagistas que pagavam o dízimo para a igreja.

E assim, porque isso era coisa do diabo o padre também não pôde mais benzer ou curar. Foi quando a igreja desvinculou-se dessas práticas e passou a atuar nos hospitais através do fornecimento dos serviços das freiras – na verdade, enfermeiras. E as mulheres melhores que os homens são excelentes benzedeiras. De energia mais leve.

A universidade para se livrar da interferência da igreja se distanciou do tema e os formandos saíram de lá entre ateus e atoas, sem nenhuma conotação entre homem e Deus que não fosse a pobreza doutrinária da Igreja Católica. Essa é uma dívida da universidade para com a sociedade que lhe paga as contas.

Os agentes da cura laica se multiplicavam entre físicos, cirurgiões e boticários como sucessores dos curandeiros e consertadores de ossos, enquanto os feiticeiros, astrólogos, cartomantes, tarólogos, videntes e outros foram tocando em frente na clandestinidade. O antigo xamã (dizimado pela cultura alienígena) é, hoje, mais ou menos, o médium da Umbanda, do Candomblé, do Espiritismo.

Onde termina a sugestão e onde começa a cura pela fé? Ou a cura pela fé nada mais é que uma sugestão aplicada? Um dia saberemos, pois o efeito placebo – que é do conhecimento e aceitação da medicina – nada mais pode ser que esta força íntima contida no paciente que manda para as células doentes a informação: pronto, agora cuidei de você, trate de mudar.

Esta, aliás, é a posição firme da Ciência Cristã, uma religião derivada também dos estudos do austríaco Franz Mesmer (magnetismo animal), que também influenciou Kardec e que teve Mary Baker Eddy como sua criadora. Não existem os milagres atribuídos às forças externas. A cura é um processo íntimo humano, dê-se a ele o nome que se queira dar, autossugestão, fé ou despertar de uma consciência subjacente que o homem científico ainda não conhece.

Mas, veja o leitor, veja a leitora, isso ainda é uma exploração que precisa ser estudada pelos cientistas. Há oposição, há controvérsias. Mas, neste século ainda muita coisa será clareada.

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