sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

1631-A Cura Espiritual e pela Fé


A volta para a vida

Costuma-se dizer que aqueles que se curam tornam-se sãos, sarados. É isso?

E o que seriam os santos? Os santos nada mais são que pessoas que se tornaram sãs e assim são chamadas de sãs e sãos. Toda a nomenclatura latina tende chamar de são aquele que sarou. Mas, por influência saxônica, a língua portuguesa, em alguns casos, faz o são virar santo, copiando o saint – do inglês. São, sagrado, imaculado, puro, não corrompido, sarado, homeostático, dentro da casinha, este é o estado daquele ser que está acima da corrupção exercida pela inveja, pela vaidade, pelo orgulho, pela soberba, pela prepotência, pela falsidade, pela traição, pela teimosia, situações e sentimentos que remetem para a vingança, para o medo, para a ansiedade, para a ira, o ódio, a intolerância, que são, sem dúvida alguma, as grandes causas das principais doenças humanas tomadas pela ignorância em relação à vida.

Logo, uma pessoa santa ou sã é aquela cuja mente transcende os estados tormentosos onde se originam as piores doenças. Até as doenças vindas de fora, como as virulentas e as bacterianas, têm muito mais chance de se instalar naqueles organismos descompensados por suas turbulências íntimas e vítimas da queda de sua imunidade.

Uma pessoa santa ou sã – mesmo que não necessite da canonização patrocinada pela Igreja Romana – é aquela que que não adoece, tomando-se isso não apenas como algo do ponto de vista biológico, mas também amplo, porque a doença antes de estar biologicamente identificada já pode ser identificada no plano astral. Pessoa que não adoece (biologicamente) é a pessoa que está acima das baixarias que contribuem para o mal, mal que desestabiliza a harmonia dos sistemas biológicos e corrompem as defesas naturais do organismo. A vida não suporta o mal. E quando ocorre a cura que desestabiliza o biológico, havendo esta compreensão estará encaminhada a cura espiritual.

Curar-se é o ato de voltar para a vida. Há casos em que isso se torna impossível porque a plantinha humana submetida a um estresse extremo tem sua murcha irreversível – bem como conhecemos quando lidamos com as nossas floreiras.

Viver a pleno é não necessitar de cura. A plantinha está de certa forma fortalecida que nada a abalará, exceto a morte quando cumprirem-se os dias de sua vitalidade. E não estamos falando só de conteúdos emocionais, intelectuais, psíquicos e espirituais. Incluem-se aí as questões dos alimentos, do sono, da hidratação, do sexo, dos exercícios físicos e demais cuidados contra contaminação.

Se servir como encaminhamento das buscas por estados elevados de consciência, o que nos encaminha para a santidade espiritual, leiamos o depoimento do paciente Bucke, feito ao seu terapeuta, William James, em Londres: “De repente, sem nenhum aviso, vi-me envolto numa nuvem cor de fogo. Por um instante pensei num incêndio imenso em algum lugar próximo da cidade. Mas eu sabia que o incêndio acontecia dentro de mim mesmo. E logo depois, sobreveio um sentimento de exultação, uma alegria imensa, seguida imediatamente por uma iluminação intelectual impossível de se descrever. Entre outras coisas, eu simplesmente não acreditei, mas vi que o universo não era composto de matéria morte, mas que em tudo existia uma Presença Viva. E tive consciência da vida eterna. Não era a convicção de que eu teria uma vida eterna, mas a consciência de que eu já a possuía. Vi que todos os homens são imortais. Que a ordem cósmica é tal que, sem a menor dúvida, todas as coisas trabalham juntas para o bem de cada um e de todos. Que os alicerces do mundo, de todos os mundos, é o que chamamos de amor, e que a felicidade de cada um e de todos será, a longo prazo, absolutamente certa. A visão durou poucos segundos e desapareceu. Mas, sua lembrança, o senso da realidade do que me foi ensinado, continuou comigo neste quarto de século que já se passou”.

Este não seria o único relato de iluminação a apresentar aos leitores, mas é preciso ir devagar. A cultura abrangente nos engessou e é preciso ir com cautela na retirada do gesso, pois pode machucar e sangrar.

Aproveito um trecho do artigo de Abraham Maslow “A Experiência Religiosa do Âmago ou Transcendente” publicado na Ohio State University Press, que serve para explicar as dificuldades na marcha da humanidade rumo à cura final. Diz ele: “Uma grande parte da teologia, uma boa parte da religião verbal, durante toda a história e em toda parte do mundo, pode ser considerada esforços de certo modo inúteis para expressar em palavras e em fórmulas comunicáveis, bem como em rituais e cerimônias simbólicos, a experiência mística original dos profetas originais. Em suma, a religião organizada pode ser vista como um esforço para comunicar experiências máximas a não maximizadoras, ou seja, ensinar aquilo que o aprendiz jamais será capaz de realizar. ... Completa o quadro a forma de idolatria, que tem sido a desgraça de cada uma das grandes religiões. ... A maioria das religiões acabou por negar e hostilizar o próprio fundamento que, originalmente, serviu-lhes de base”.

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