terça-feira, 16 de dezembro de 2014

1635-A Cura Espiritual e pela Fé


Tudo com o respaldo da ciência

Hoje em dia, Jeff Levin é considerado um dos principais nomes nos estudos científicos a respeito da relação entre as práticas religiosas ou espirituais e a saúde. Mas, não só. Existem outros estudos, claro, numa imensidão de citações. Ficamos com Jeff Levin como algo expressivo e por sua síntese.

Várias pesquisas vêm sendo realizadas nos últimos anos envolvendo o que alguns chamam de “o poder da oração”. Uma das grandes autoridades mundiais nesse campo é o Dr. Jeff Levin, um epidemiologista social formado em religião, sociologia, saúde pública, medicina preventiva e gerontologia na Universidade Duke, com estudos subsequentes na Universidade da Carolina do Norte, na Divisão Médica da Universidade do Texas e na Universidade de Michigan.

Levin é pesquisador do National Institute for Healthcare Research e seus estudos podem ser definidos como epidemiologia da religião – o estudo científico de como fatores espirituais previnem a incidência de enfermidades em determinados grupos e mortalidade, e promovem a saúde e o bem-estar - estabelecendo o relacionamento existente entre ciência, medicina e espiritualidade.

Antes de ir em frente, um pensamento avançado sobre a oração: ela está como a organização da energia mental aplicada em benefício daquilo que o orador encaminha. Logo, não se pode tomar as orações decoradas e pronunciadas até aleatoriamente como coisa séria. Oração é outra coisa, é engenharia mental a serviço da vida.

Voltando ao mestre Levin. Seu trabalho estabelece pontes entre diferentes campos de atividade, como epidemiologia, gerontologia, sociologia, psicologia e medicina alternativa e complementar.

As perguntas básicas que seus estudos apresentam são: como a fé religiosa atua como um recurso na prevenção de doenças e na promoção do bem-estar?; um relacionamento de amor com Deus é uma característica das pessoas saudáveis?; a religiosidade é um fator de proteção contra doenças ao longo do processo de envelhecimento?; existem efeitos terapêuticos ou preventivos de energias sutis ou estados alterados de consciência?

O resultado de suas pesquisas foi publicado no livro “Deus, Fé e Saúde” (Editora Cultrix).

Entrevistado, o Dr. Levin falou sobre seu trabalho e as mais recentes descobertas nessa área, assim como sua relação com teorias e posturas mais conservadoras da medicina, que ainda resistem em aceitar as evidências científicas coletadas nos últimos vinte anos.

A relação entre a oração ou as preces e a saúde se tornou um dos assuntos bastante comentados da atualidade. As dúvidas buscam esclarecer se essa relação positiva entre ambas está definitivamente comprovada ou ainda estamos no campo das evidências e em que ponto se encontram as pesquisas científicas.

As respostas de Levin: “O campo da pesquisa em espiritualidade e saúde compreende, na verdade, três áreas de estudo diferentes. Uma delas, aquela em que minha pesquisa se focou nos últimos vinte anos, envolve investigações epidemiológicas de como a fé ou o envolvimento religioso influencia a saúde física e mental. Já foram feitos mais de mil estudos com esse enfoque e, hoje, a ideia de que aspectos da vida religiosa podem ser benéficos para a saúde ou o bem-estar de algumas pessoas é aceita de forma geral e não controversa. As duas outras áreas de pesquisa em espiritualidade e saúde envolvem: a) estudos experimentais de laboratório, como em psicofisiologia, explorando os correspondentes espirituais de estados alterados de consciência; e b) testes clínicos investigando os efeitos da oração à distância. Em contraste com a pesquisa epidemiológica, esses estudos encontram muito mais resistência. Pessoalmente, acredito que existem boas evidências para ambas, mas os temas e conceitos levantados por esses estudos desafiam a estreiteza da visão de mundo de muitos cientistas das correntes estabelecidas”.

Sobre a influência de fatores espirituais ou religiosos no processo de cura e sobre a tentativa de determinar se fatores espirituais ou a ação da mente (nos chamados “fenômenos parapsicológicos”) nos processos de cura, o Dr. Levin respondeu que “eu não estou certo de que usando os métodos naturalistas da ciência empírica poderemos algum dia desemaranhar esses dois conceitos. Aqui, nos Estados Unidos, médicos religiosamente muito conservadores opuseram muita resistência a essa pesquisa. Eles veem com ceticismo os resultados de estudos de oração e cura e simplesmente se negam atribuir qualquer cura subsequente à intervenção “sobrenatural” de Deus. Outros reconhecem a possibilidade de que o ato de rezar envolva a criação de uma intenção mental positiva que pode ter, por si mesma, um efeito curativo. Mas isso é interpretado pelo primeiro grupo como blasfemo e até mesmo, acredite ou não, satânico – porque parece implicar efeitos que são inerentemente parapsicológicos, e a parapsicologia é considerada maligna”.

E prossegue: “Considero essa reação perturbadora por duas razões. Em primeiro lugar, fez muitos médicos cristãos conservadores rejeitarem efetivamente os resultados de estudos de oração e cura, porque os estudos implicavam que as orações de qualquer um podem ser efetivas, independentemente de religião, talvez devido a algum tipo de mecanismo paranormal. Isso ameaça as reivindicações de exclusividade que alguns fazem para sua própria religião e para os resultados de orações dessa religião. Em segundo lugar, se os resultados forem devidos “apenas” à parapsicologia – em vez de a ação de Deus, por assim dizer -, por que isso seria um problema? Em última instância, todos esses efeitos vêm de Deus. Eu acredito que o Criador dotou os seres humanos com todo tipo de aptidão, algo que os grandes místicos conhecem há milhares de anos e que cientistas ocidentais só agora procuram entender. Mais de cem anos de pesquisa parapsicológica confirmaram isso, para satisfação minha e de muitos outros”.

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