quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

1644-Annie Wood Besant


O vôo solo de Krishnamurti

O menino Krishnamurti foi ‘descoberto’ para o mundo por um padre convertido espiritualista, em Adyar. O padre Charles W. Leadbeater, famoso membro da Sociedade Teosófica (ST), a partir de abril de 1909, em diversos encontros com o menino viu que ele estava talhado para se tornar o ‘Instrutor do Mundo’, acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas assim como uma espécie de retorno de Jesus Cristo.

Após dois anos, em 1911, a ST se encarregou de fundar a Ordem Internacional da Estrela do Oriente, com Krishnamurti como chefe, que tinha como objetivo reunir aqueles que acreditavam nesse acontecimento e preparar a opinião pública para o seu aparecimento, com a doação de diversas propriedades e somas em dinheiro.

Krishnamurti, assim, foi sendo preparado pela ST. Mas, algo, porém, ditou sua separação de seus tutores: a morte de seu irmão Nitya, em 1925, lhe trouxe uma profunda compreensão e, desvinculado da ST e da Ordem Internacional da Estrela do Oriente, em breve, viria a emergir como um instrutor espiritual, e dito, agora realmente, como Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade. São frases suas:

"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)"

Durante o resto de sua existência, foi rejeitando insistentemente o estatuto de guia espiritual, que alguns tentaram lhe atribuir. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas como passos aprisionadores. Chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". Essa energia parece ter sido a origem da sua própria criatividade e também a chave para o seu impacto catalítico numa tão grande e variada quantidade de pessoas.

A educação foi sempre uma das preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos pudessem aprender juntos a viver um quotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Durante sua vida, viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido com a idade de noventa anos em plena atividade. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros.

Reconhecendo a importância dos seus ensinamentos, amigos do filósofo estabeleceram fundações, na Europa, nos EUA, na América Latina e na Índia, assim como Centros de Informação em muitos países do mundo, onde se podem colher informações sobre Krishnamurti e a sua obra. As fundações têm carácter exclusivamente administrativo e destinam-se não só a difundir a sua obra, mas também a ajudar a financiar as escolas experimentais por ele fundadas.

Um brasileiro com Krishnamurti. Isto aconteceu em 1946, quando o indiano esteve em Montevidéu, capital do Uruguai, e conheceu o brasileiro, espiritualista, e tradicional livreiro de Santana do Livramento, RS, Sr. Dario Farias, que viajou até a capital uruguaia para conhecê-lo pessoalmente e de quem se tornaria, na fronteira do Brasil com o Uruguai, um discípulo, amigo e divulgador de seus livros e de sua doutrina.

Obras de autoria de Krishnamurti:

A Busca (Poemas)

Cartas às Escolas

Comentários Sobre Viver

O Despertar da Sensibilidade

O Descobrimento do Amor

Diálogos Sobre a Vida

Diálogos Sobre a Visão Intuitiva

Diário de Krishnamurti

Vida e Morte de Krishnamurti

A Educação e o Significado da Vida

A Eliminação do Tempo Psicológico

Ensinar e Aprender

A Essência da Maturidade

Fora da Violência

O Futuro da Humanidade

O Futuro é Agora

Libertação dos Condicionamentos

Liberte-se do Passado

O Mistério da Compreensão

O Mundo Somos Nós

Novo Acesso à Vida

Novo Ente Humano

Novos Roteiros em Educação

Onde Está a Bem-Aventurança

O Passo Decisivo

Palestras com Estudantes Americanos

A Primeira e Última Liberdade

A Questão do Impossível

A Rede do Pensamento

Reflexões Sobre a Vida

Sobre o Amor e a Solidão

Sobre o Aprendizado e o Conhecimento

Sobre o Conflito

Sobre Deus

Sobre Liberdade

Sobre o Medo

Sobre a Mente e o Pensamento

Sobre a Natureza e o Meio Ambiente

Sobre Relacionamentos

Sobre a Verdade

Sobre a Vida e a Morte

Sobre o Viver Correto

Uma Nova Maneira de Agir

O Verdadeiro Objetivo da Vida

O Voo da Águia

Acampamento em Ommen, Holanda 1937/38

Aos pés do Mestre

Fim desta série.

Na continuação um laudo em favor de quem ensinou.

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