sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

1645-Juntos Helena, Annie, Kardec e Krishnamurti


Capítulo Único: As vozes do Paráclito

Boa parte da humanidade mergulhou num nevoeiro denso do não conhecimento espiritual cujas marcas mais horrendas deixadas foram as Cruzadas (1096-1316), ao todo 10 expedições guerreiras destinadas a matar quem não fosse daquela mesma religião e a Inquisição (1183-1821), tribunais de investigação, condenação e execução de pessoas que não fossem daquela mesma religião em diversos países em épocas distintas, cá e acolá.

Se pudermos observar, Helena Blavatsky, Annie Besant, Allan Kardec e Jiddu Krishnamurti foram as vozes mais autorizadas a cumprir uma missão deixada por Jesus Cristo no capítulo 14 do Evangelho de João, qual seja o do Espírito de Verdade, que seria enviado para decodificar conteúdos que há 2.000 anos a humanidade não teria como entender.

A existência de um Princípio onipresente, eterno, ilimitado, imutável, insondável, impenetrável à razão humana e além do próprio âmbito do pensamento, foram trazidos por estes profetas da modernidade.

É a realidade absoluta que existe antes e além de toda manifestação, é a causa eterna de todas as coisas, sua fonte e destino último. Este Princípio, que os gregos chamavam de Logos, os ocidentais chamam de Deus e os hindus de Parabrahman, não possui atributos e Jesus tentou explicar, mas seu público era analfabeto; os doutos não o ouviram; não pode ser descrito de qualquer maneira concebível; é a Causa sem Causa, o Absoluto da metafísica, que já ensaiava os primeiros passos com a filosofia nascente.

A primeira manifestação objetiva desse Absoluto é uma dualidade: Espírito (Purusha para os hindus) e Matéria (Prakriti para os hindus), que juntos formam a base de todo o ser condicionado. São apenas aspectos do Absoluto, e não realidades independentes, e em relacionando-se com a sua fonte formam a primeira Trindade, que antecede o cosmos e é a inteligência-consciência que guia toda expressão objetiva ulterior.

Na relação entre Espírito e Matéria aparece outro elemento, Fohat, ou Segundo Logos, que é a própria Vida, uma energia dinâmica pela qual a ideação espiritual se imprime na matriz substancial sob a forma de leis da natureza. Consequentemente, do Espírito ou ideação cósmica procede a Mônada humana, e da Matéria ou matriz substancial emergem todos os corpos manifestos onde a inteligência única se individualiza e pluraliza.

Já se tratava disso antes mesmo da jornada crística. Mas, o nevoeiro se abateu e ofuscou a visão da humanidade por longos 18 séculos.

A eternidade do universo in totum, como um plano ilimitado que se manifesta e se oculta em ciclos periódicos de Criação e Destruição universais, que os hindus chamam de Os Dias e Noites de Brahma, vinham despertando o interesse dos pesquisadores ocidentais até chegar no episódio de Galileu, mais um que seria executado não fosse suas amizades dentro do núcleo de poder religioso.

A identidade fundamental de todas as almas individuais com a Alma Universal, que é um aspecto da Causa sem Causa já era apontada por Zoroastro, Pitágoras, Orfeu. A mônada obrigatoriamente, de acordo com as leis cíclicas, e a da causa e efeito ou do karma, peregrina pelos mundos manifestos, encarnando em todas as formas de vida incluindo as não humanas, primeiro por um impulso automático e depois com crescente grau de vontade própria e planejamento dirigido, a fim de conquistar sua autoconsciência, o que acontece no fim de uma série de encarnações em forma humana.

Em outras palavras, simplificadamente, um raio ou centelha do fogo divino único, a mônada, para se individualizar e ser autoconsciente, deve passar por um ciclo ascendente de encarnações progressivamente de mais densas para menos densas a partir de seu plano de existência sublime e eterno. Assim vai assumindo sucessivos corpos espirituais, mentais, emocionais e, por fim, físicos. Quando chega à encarnação física, passa primeiro pelos estágios de vida mais brutos, os elementos minerais. Adquirindo a experiência necessária neste nível, o que pode se estender por períodos longuíssimos de tempo, ganha o direito de encarnar como planta, inseto, vírus, peixe, ave, e depois como animal e por fim humano, o ponto médio do ciclo geral.

É quando se estabelece o mesocosmos, intermediário daquele que precisa de telescópio para ser olhado e daquele que precisa do microscópio para ser olhado.

Na série de encarnações humanas a mônada tem a chance de se individualizar, quando deixa de lado a preocupação consigo mesma e passa a trabalhar para a coletividade. Mas este não é o fim do ciclo, e à frente jaz todo o caminho de retorno à sua origem divina e união final com o Absoluto. Então, depois de uma série de iniciações conduzidas por mônadas que percorreram antes esse caminho - os mestres de sabedoria -, que abrem os canais de comunicação internos entre a personalidade que adquiriu ao longo dos evos de evolução anterior e seu princípio espiritual mais puro, conquista um primeiro degrau de autoconsciência em todos os planos.

Doravante o seu caminho é facilitado pelo domínio pelo Espírito de todos os seus veículos, tornando-o apto para expressar sua divindade em todos os planos com crescente grau de perfeição. Assim a mônada abandona o reino humano e ingressa no domínio dos deuses, coletivamente chamados de Construtores do Universo, os Elohins dos judeus, tornando-se um deles, um novo auxiliar da divindade, plenamente consciente e voluntário, no plano geral de evolução do universo.

O processo evolutivo da mônada continua até alturas insondáveis, chegando a se tornar um espírito regente de todo um planeta e de todo um sistema solar ou vários subsistemas, seguindo nesse caminho ascendente até que o universo continue em manifestação, para depois do grande ciclo cósmico encerrar-se ser reabsorvida junto com tudo, de volta no Absoluto não-manifesto.

Depois de um intervalo cuja extensão não pode ser medida, pois na fase não-manifesta o tempo não existe, o Princípio único volta a se manifestar objetivamente, e assim por ciclos incontáveis. Dentro deste plano evolutivo, que se desenrola e tem sua substância toda dentro da própria divindade, tudo o que existe, mesmo a matéria dita "inanimada", possui vida e está infusa de inteligência, mas por outro lado, toda manifestação é considerada ilusória, ou Maya para os hindus, pois apesar das progressivas diferenciações objetivas, a unidade essencial nunca é rompida e todos os seres são como células de um só corpo. Sendo emanações da mente de Deus, todos seres são apenas fenômenos temporários e perecíveis, mesmo os mais exaltados dos deuses, e nesse sentido é que se os considera ilusórios, pois apenas o Absoluto tem uma verdadeira existência e é o único Ser.

Mesmo prejudicados pela existência do nevoeiro, que não se sabe para que serviu, realmente, chegamos aonde chegamos. O caminho está livre e será iluminado à medida que as mentes queiram avançar.

Bem vindos ao novo tempo. Desarmem as mentes. Desçam dos pedestais. Todos temos de ir juntos. É melhor assim.

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