sábado, 31 de janeiro de 2015

1681-A Ordem Rosa-Cruz




O que nos leva às ordens secretas?

A resposta é: o esoterismo. Explicando melhor. As doutrinas religiosas comuns de todas ou de quase todas as correntes, têm um discurso exotérico, aberto, pobre, alegórico, parabólico, isto é, superficial, falado por parábolas para melhor compreensão do que se chama povão. No geral, as igrejas querem suas naves cheias de povo. Isso se converte em prestígio e poder, influência política e grana no caixa. Para cooptar o maior número de féis contribuintes elas fazem qualquer negócio. Mais grave ainda é o aproveitamento recente em causa própria de que se valem os pastores e bispos das igrejas evangélicas. A busca de mandatos eletivos, que se tornou uma onda forte complementa a primeira questão: eles passam a negociar benesses nos parlamentos em troca do apoio de suas bancadas ao governante de plantão. E aí a corrupção se torna uma prática abençoada pelos seus deuses.

Por causa desses absurdos e do discurso pobre, desatualizado e fundamentalista, as pessoas que se cansaram da cantilena retrógrada dos pastores e padres, vão em busca de coisa mais profunda. A coisa mais profunda está nas mãos católicas confinada nos mosteiros e na biblioteca do Vaticano, de onde, quem sabe, jamais sairá. As outras igrejas mais novas nem isso têm. Sua única fonte é a Bíblia e elas usam cada frase e a adaptam segundo as circunstâncias que lhes favoreçam.

As ordens secretas, como é o caso da Rosa Cruz e da Maçonaria, entre outras, garimparam na profundeza que puderam atingir e recolheram muita coisa que disponibilizam não em praça pública e nem em templos de portas abertas. Para ter acesso há que adentrar aos templos de porta fechada há que conhecer a senha ou palavra de passe. Aí entra a cerimônia de iniciação. Com variantes, essas cerimônias são, em geral, marcantes na vida do iniciado. Um trote, como ao que se submetem os calouros dos cursos superiores, porém sem avacalhação, tudo dentro de princípios sagrados. Cristo também tinha seus iniciados aos quais falava noutro tom e profundeza, sem parábolas. O próprio evangelho cristão deixa isso claro em várias passagens. A mais elevada foi quando o Mestre foi ter com os espíritos de Moisés e Elias e convidou apenas três dos seus iniciados, evidentemente os mais aptos ao ato. Falo da cerimônia do Monte Tabor, a transfiguração (Mateus 17, 1-13).

Por todos esses motivos já enunciados, os primeiros e mais numerosos seguidores das ordens secretas são, geralmente, identificados como médicos, alquimistas, naturalistas, boticários, adivinhos, filósofos e homens das artes, acusados muitas vezes de charlatanismo e heresia, não pelo que faziam, mas por aquilo que os tornava livres dos controles dos poderosos e sempre a partir dos éditos e decretos de seus opositores. Acrescentam-se aos já citados também os advogados, os magistrados, os professores e, não raro, ex-padres.

Aparentemente sem um corpo dirigente central, essas ordens assumem-se como um grupo de "Irmãos" (confraria) num nível em que há disciplina com deveres e direitos, mas os designados para dirigir não possuem o poder sobre a ordem.

Tradicionalmente, os rosa-cruzes se dizem herdeiros de tradições antigas que remontam à alquimia medieval, ao gnosticismo, ao ocultismo, ao hermetismo no antigo Egito, à cabala e ao neoplatonismo. A Maçonaria não revela publicamente os conteúdos de seus ensinamentos. O que circula pela internet são fragmentos de tudo e assim mesmo fantasiosos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

1680-A Ordem Rosa-Cruz




Cristo e a Ordem Rosa-Cruz

A prosperarem as teses sobre Ormus (primeiro século cristão) e das reencarnações de São José (pai de Jesus), torna-se plausíveis as ligações da Ordem Rosa-Cruz com Cristo, tenha si ela fundada ou refundada em qualquer época. De qualquer modo, seus conteúdos têm forte conotação com a doutrina original do Mestre Nazareno.

O Sermão da Montanha e todo o capítulo III de Mateus, onde estão os fundamentos do Discipulado Cristão são realçados no manifesto Rosacruz intitulado Confessio Fraternitatis já referido nesta série e é onde os rosacricianos se anunciam e reconhecem como professando verdadeira e sinceramente o Cristo Original (…) “viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã", como proclamam.

Deve-se notar que no segundo manifesto Confessio Fraternitatis, em 1615 é feita a defesa da irmandade, exposta no primeiro manifesto (de 1614), contra vozes que se levantavam, da sociedade, colocando em causa a autenticidade e os reais motivos da Ordem Rosacruz. Nesse manifesto, podem-se encontrar as seguintes passagens que demonstram a linha condutora do pensamento da irmandade: que o requisito fundamental para alcançar o conhecimento secreto, de que a Ordem se faz conhecer como possuidora, é que "sejamos honestos para obter a compreensão e conhecimento da filosofia"; descrevendo-se simultaneamente como cristãos, "que pensam vocês, queridas pessoas, e como parecem afetados, vendo que agora compreendem e sabem que nós nos reconhecemos como professando verdadeira e sinceramente Cristo" não de um modo exotérico. "Condenamos o Papa", no verdadeiro sentido esotério do cristianismo: "viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã".

É preciso levar em conta nesta exposição que os rosacruzes não se submetiam ao controle da Igreja, como também era o caso da Maçonaria e, por isso, recebiam pesadas críticas e até excomunhões. Hoje podemos afirmar de boa cheia que tanto rusacruzes como maçons fizeram um trabalho magnífico no resgate dos conhecimentos antigos, inclusive cristãos, coisa que a Igreja de Roma recolheu aos mosteiros e subtraiu do conhecimento dos seus fiéis muito mais interessada em limitar-lhes os horizontes para não perde-los em termos dos dízimos que acabaram por fazer da Igreja sediada no Vaticano a maior potência econômica multinacional do planeta.

O modo como são expostos os temas nos manifestos originais da Ordem Riza-Cruz e a descrição dos mesmos aponta para grande similaridade com o que é conhecido atualmente acerca da Filosofia Pitagórica, principalmente na transmissão de conhecimentos e ideias através de aspectos numéricos e concepções geométricas, bem como ocorre na Maçonaria.

A publicação dos manifestos provocou imensa excitação por toda a Europa. Foram feitas inúmeras reedições e circularam diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções do(s) autor(es) original(ais) dos textos, cuja identidade permaneceu desconhecida por muito tempo.

Em sua autobiografia, o teólogo Johannes Valentinus Adreae, que também aparece como grafado como Johann Valentin Andreae (1586-1654), declarou que o terceiro manifesto rosa-cruz, "Núpcias Químicas", publicado anonimamente, era de sua autoria e posteriormente descreveu o texto como um “ludibrium” (falso). É convicção de alguns autores que Andreae o teria escrito como se fosse o contraponto da Companhia de Jesus, que surgia como a linha dura da igreja num instante convulsivo das cisões protestantes. No entanto, esta teoria foi posteriormente contestada por historiadores, principalmente os católicos, que consideravam os documentos como simples propaganda ocultista, de inspiração protestante, contra a influência do bispo de Roma.

Os manifestos mostravam a necessidade de reforma da sociedade humana, do ponto de vista cultural e religioso, e a forma de atingir esse objetivo através de uma sociedade secreta que promoveria essa mudança no mundo. O texto "Núpcias Químicas de Christian Rosenkreutz", contudo, foi escrito em forma de um romance pleno de simbolismo e descreve um episódio iniciático na vida de Christian Rosenkreuz, quando já tinha 81 anos.

Em Paris, em 1622 ou 1623, foram colocados cartazes misteriosos nas paredes que davam para as ruas, mas não se sabe ao certo quem foram os responsáveis por esse feito. Estes cartazes incluíam o texto: "Nós, os Deputados do Alto Colégio da Rosa-Cruz, fazemos a nossa estada, visível e invisível, nesta cidade (…)" e "Os pensamentos ligados ao desejo real daquele que busca irá guiar-nos a ele e ele a nós".

A sociedade europeia da época, dilacerada por guerras, tantas vezes originadas por causa da religião, favoreceu a propagação destas ideias que chegaram, em pouco tempo, até a Inglaterra e a Itália.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

1679-A Ordem Rosa-Cruz



Outras visões

Segundo uma outra lenda menos conhecida, veiculada pelo historiador maçônico (a Maçonaria aproveita conteúdos místicos da Rosa-Cruz) E. J. Marconis de Negre - que, juntamente com seu pai, Gabriel M. Marconis é considerado o fundador do Rito Memphis-Misraim, da Maçonaria. Com base em conjecturas anteriores (1784) do estudioso rosa-cruz, Barão de Westerode, a Rosa-Cruz teria como origem uma sociedade secreta e altamente hierarquizada (ao contrário dos ideais da Fraternidade, expostos nos manifestos) do século XVIII na Europa central ou oriental, denominada "Gold und Rosenkreuzer" (Rosa Cruz de Ouro), que teria tentado, sem sucesso, submeter a Maçonaria ao seu poder.

Mas, sem esgotar o assunto, chegamos a uma outra versão: a Ordem Rosa-Cruz teria sido criada no ano 46 d.C., quando um sábio gnóstico de Alexandria, de nome Ormus, e seis discípulos seus, foram convertidos por Marcos, o evangelista, grego. Seu símbolo, dizia-se, era uma cruz vermelha encimada por uma rosa, daí a designação de Rosa Cruz. A Ordem teria nascido, portanto, da fusão do cristianismo primitivo com a mitologia egípcia. Rosenkreuz (seu sobrenome) teria sido, segundo essa versão, apenas um iniciado e, depois, Grande Mestre – ou revitalizador, e não o fundador.

De acordo com Maurice Magre (1877–1941), no seu livro Magicians, Seers, and Mystics, Rosenkreutz terá sido o último descendente da família Germelschausen, uma família alemã do século XIII. O seu castelo encontrava-se na Floresta da Turíngia, na fronteira de Hesse, e eles abraçavam as doutrinas Albingenses (aquele grupo que foi massacrado a pedido do Papa). Toda a família teria sido condenada à morte pelo Landgrave (título de nobreza do Sacro Império) Conrad da Turíngia, exceto o filho mais novo, com cinco anos de idade. Ele teria sido levado secretamente por um monge, adepto albigense da região conhecida como Languedoc, e colocado num mosteiro sob influência secreta dos albingenses (comunidade mística dissidente de Roma). Lá teria sido educado e viria a conhecer os outros quatro membros (irmãos) que mais tarde estariam a ele associados na fundação da Irmandade Rosacruz. A história de Magre deriva supostamente da tradição oral local.

A existência real de Christian Rosenkreuz divide certos grupos de rosacrucianos. Alguns a aceitam. Outros consideram Christian Rosenkreuz como um pseudônimo usado por personagens realmente históricos, dentre os quais um deles teria sido Francis Bacon, reencarnação de José, pai de Jesus e que reencarnou novamente como o mago Merlin (aquele que educou o Rei Artur) e agora é tido como Saint Germain.

A primeira informação conhecida publicamente acerca desta irmandade, encontra-se nos três documentos denominados "Manifestos Rosacruz", o primeiro dos quais (Fama Fraternitatis R. C., ou "Chamado da Fraternidade da Rosacruz") foi publicado em Kassel (Alemanha)) em 1614 - ainda que cópias manuscritas do mesmo já circulassem desde 1611. Os outros dois documentos já mencionados aqui nesta série (1615) publicado também em Kassel e (1616), publicado na então cidade independente de Estrasburgo (anexada à França, em 1681).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

1678-A Ordem Rosa-Cruz



O que seria a Rosa-Cruz

Rosa-cruz é uma confraria de iluminados existente na Alemanha a partir do século XVI e difundida pelos países vizinhos no século seguinte, quando ficou publicamente conhecida através de três manifestos. Insere-se na tradição esotérica ocidental. Esta confraria hermética é vista por muitos rosacrucianistas antigos e modernos como um "Colégio de Invisíveis" nos mundos internos, formado por grandes adeptos, com o intuito de prestar auxílio à evolução espiritual da humanidade.

Para tentar dirimir as controvérsias sobre as origens da ordem, alguns metafísicos consideram que para ser compreendido de um ponto de vista mais amplo, o rosa-cruzismo deve identificar-se como parte, ou mesmo como fonte, do hermetismo cristão ligado ao período dos tratados ocidentais de alquimia que se segue à publicação da Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Mas, há historiadores, no entanto, que sugerem a sua origem num grupo de protestantes alemães, entre os anos de 1607 e 1616, quando três textos anónimos foram elaborados e lançados na Europa: (1) Fama Fraternitatis R.C.; (2) Confessio Fraternitatis Rosae Crucis; e (3) Núpcias Aquímicas de Christian Rozenkreuz, Ano 1459. A influência desses textos foi tão grande que a historiadora Frances Yates denominou este período do século XVII de Iluminismo Rosacruz.

Segundo a lenda constante nos referidos manifestos, a Ordem teria sido fundada por Christian Rozenkreuz, peregrino do século XV. No entanto, essa datação é discutível devido ao simbolismo e hermetismo do conteúdo dos manifestos, principalmente nos aspectos numéricos e nas concepções geométricas apresentadas.

De acordo com a narrativa exposta no documento “Fama Fraternitatis” (1614), Christian Rozenkreuz (de início apenas designado por "Irmão C.R.C."), nasceu em 1378 na Alemanha, junto ao rio Reno. Os seus pais teriam sido pessoas ilustres, mas sem grandes posses materiais. Sua educação começou aos quatro anos numa abadia onde aprendeu grego, latim, hebraico e magia. Em 1393, acompanhado de um monge, visitou Damasco, o Egito e o Marrocos, onde estudou com mestres do ocultismo, depois do falecimento de seu mestre, em Chipre. Após seu retorno à Alemanha, em 1407, teria fundado a Ordem Rosa Cruz (constituída por um pequeno grupo de não mais que oito pessoas), de acordo com os ensinamentos obtidos com os mestres árabes, que o teriam curado de uma doença, iniciando-o também no conhecimento das práticas do ocultismo. Teria passado, ainda, cinco anos na Espanha, onde três discípulos redigiram os textos iniciadores da sociedade. Depois, teriam formado a "Casa Sancti Spiritus" ("Casa do Espírito Santo"), onde, através da cura de doenças e do amparo daqueles que necessitavam de ajuda, foram desenvolvendo a confraria, que pretendia, no futuro, orientar os monarcas na boa condução dos destinos da humanidade.

Segundo ainda o texto "Fama Fraternitatis", Christian R.C. morreu em 1484. Após sua morte, a ordem se extinguiu. A localização da sua tumba permaneceu desconhecida durante 120 anos (até 1604), quando foi redescoberta, e então a Ordem Renasceu. Observe-se que "Christian Rosenkreuz" seria apenas um nome simbólico: Christian, de Cristo ou Christos ou Khrestos; Rosen ou Rosa, e Kreuz ou Cruz.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

1677-A Ordem Rosa-Cruz



Introdução

A humanidade vem tateando pelo lado de fora das caixas pretas das sociedades secretas desde que nos conhecemos por alguém que tem necessidade de se afirmar com quantas pernas sejam necessárias para ter equilíbrio.

Veja, ninguém está aqui sugerindo que somos quadrúpedes ou centopeias. Longe disso. Estamos lembrando que uma mesa concebida para ter quatro pernas, não fica em pé com três e muito menos com duas. O ser humano só é completo quando suas perspectivas de vida se estruturam nos planos político, econômico, social e religioso. Em geral o econômico dispara e deixa para trás o político e o social e, muitas vezes, nem considera o religioso. Ou o religioso dispara e deixa para trás os demais, como acontece nas sociedades fundamentalistas.

Não resta dúvida que as informações privilegiadas estão veladas no mundo da economia e da política e que existem manipulações, balões de ensaio, mentiras, calúnias em todos os campos nos quais os interesses individuais sobrepujem os interesses coletivos. Também no mundo religioso talvez mais que nos mundos econômico e político, esconde-se a melhor informação e revela-se aquelas informações que dos pontos de vista econômico, político e social possam trazer vantagens adicionais.

É justamente no mundo das religiões que mais se subtraiu informações vitais. O que se pode chamar de verdade era e é revelado ao que se chama de iniciados. O iniciado é submetido a provas muitas vezes terríveis antes de ser admitido ao fechado mundo dos iluminados.

Nesse sentido iremos encontrar ordens secretas que se intitulam donas de verdades, como são a Maçonaria e a Rosa-Cruz, as mais conhecidas mas não únicas. É para dissecar a chamada Rosa-Cruz que estamos iniciando mais uma série, esclarecendo logo de início que existem muitas rosa-cruzes que brigam entre si não exatamente pelo que sabem, mas por quem as dirige e um pouco também por qual delas é a antiga e verdadeira.

Você nos acompanha nesta marcha a ré? Então, vem.  

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

1676-Uma Terapia de Inspiração Xamânica - a Roda da Cura


 

Sete sessões sem ser conta de mentiroso

 

Uma roda, um rodar, uma espiral, um caminhar com sete estações, muito próximo do que é a Rosa dos Ventos, um giro planetário.

 

No primeiro encontro há uma reconciliação com as raízes, bem como se a pessoa fosse uma árvore e essa resolvesse conhecer de onde vem sua pujança. Uma reconciliação com os ancestrais doadores da genética e da cultura.

 

No segundo encontro uma revirada nos baús emocionais procurando localizar aquilo que possa ter deixado cicatrizes.

 

No terceiro encontro a identificação de quem é o autor daquilo que pensamos e qual a qualidade desses pensares.

 

No quarto encontro, a busca da vontade. No que anda focada a vontade?

 

O quinto é um encontro com o anjo guardião e a reconciliação com a esfera espiritual.

 

O sexto encontro busca reunir tudo o que foi evidenciado para compor um programa de vida destinado a ser o melhor que merecemos desfrutar.

 

O sétimo encontro recapitula os aprendizados e organiza uma confraternização entre os participantes.

 

Eis, tudo.

 

Fim desta série.

domingo, 25 de janeiro de 2015

1675-Uma Terapia de Inspiração Xamânica - a Roda da Cura


 

O futuro de volta ao passado

 

Desarmem os espíritos, abaixem a guarda, desliguem os alarmes. Não tem nada de absurdo nisso que vem seguir.

 

A Roda de Cura Ancestral era e é um ritual de cunho xamânico que mexe com fogo, água, ar e terra, destinado a conectar as pessoas com o universo, uma espécie de conexão cósmica com o ventre material e com a mente espiritual: “Caminho Profundo” (telúrico) e/ou “Caminho Cósmico de Iniciação” (astral), como você já leu na postal nº 1693. Ao conectar-se com as energias, cores, sons, vibrações de um universo ordenado e harmônico também o organismo desarmônico é chamado a calibrar-se, sintonizar-se.

 

Os sistemas possuem auto defesa para eliminar de seu âmago os componentes fora de ajuste. Conosco, humanos, não seria diferente. Com os sistemas íntimos do corpo também não é diferente. O invasor tem de ser expulso. Mas, há casos em que o invasor não é dado como tal. Culpa do que? Ver-se-á adiante.

 

Várias universidades sediadas nos melhores centros do saber universal já aceitam que o DNA é o mapa daquilo que ele consiste. Há, a montante dele, antes dele e acima dele, uma matriz energética, inteligente, autora de sua concepção e organizadora do que ali existe. Ficar apenas no DNA é lidar só com as células, a jusante delas. Células não são passivas, possuem memória, reproduzem um programa. Tanto isso é real, que elas, ao morrerem pela idade natural biológica, repassam às suas sucessoras o seu programa. Se o repasse é correto existe harmonia. Se o repasse é falho, existe a desarmonia. A desarmonia é o caos produzido por uma interferência havida no programa, o programa foi corrompido ou adulterado.

 

Quem tem o poder de interferir, corrompê-lo, adulterá-lo?

 

Ora, simplesmente a inteligência mais próxima, da qual o programa recebe muitas informações e nas quais ele acredita piamente. Quem é essa? A mente que atua naquele corpo. As suas tempestades, as suas turbulências desviam os organismos de sua harmonia (necessária ao sistema para estar normal) e provoca o estresse no sistema. E ainda há uma segunda ação tão danosa quanto: é quando é a mente que ignora o perigo e assimila o inimigo do sistema como gente de casa. Nos dois sentidos, a doença é o resultado.

 

E então, anote aí, aonde existir uma fragilidade biológica por conta da genética, da alimentação ou dos hábitos, é ali que vão ocorrer as doenças.

 

Quantas vezes a medicina retira o tumor e meses depois a situação está de volta. A isso se chama metástase. Ou replique da anormalidade porque o estado de harmonia não foi restabelecido.

 

É claro que muito do que se está escrevendo aqui não vem originalmente da sapiência xamânica, que não tinha esses conhecimentos. A ciência moderna já os apurou, mas os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés tinham uma noção empírica aproximada dessas realidades. Por isso, tratavam o todo e não apenas a parte afetada.

 

O que faz a nova ciência médica? Estuda as relações emocionais, mentais e espirituais do homem com a doença, já que as relações puramente físicas (alimentação, sono, exercícios, etc.) já são profundamente conhecidas. Temos vacinas e antídotos para quase todas as doenças vindas do ambiente, que adentram nossas vidas, mas estamos muito atrasados ainda na prevenção das doenças que nós desenvolvemos de forma endócrina.

 

Não é só pela boca e pelo ambiente que adoecemos. Adoecemos mais pelo que pensamos, pelas emoções que cultivamos e pelo modo espiritual como lidamos com a vida.

 

Aqui você já captou o que é a Roda da Cura: uma escola, um laboratório que investiga onde possam estar as desarmonias em relação à VERDADE DA VIDA. A vida é a maior verdade que conhecemos. E nos revela também a nossa grande ignorância em relação a ela.  

 

Ao propor aos pacientes um resgate daquilo que é NATURAL À VIDA e foi por nós abandonado, contamos com a chance de que a PLANTINHA HUMANA ao ser atendida em suas carências essenciais consiga se recompor e com a ajuda dos remédios, volte à harmonia.

 

Na sequência a prática da terapia.

sábado, 24 de janeiro de 2015

1674-Uma Terapia de Inspiração Xamânica - a Roda da Cura


 

Curar sem conhecer o diagnóstico

 

Diagnóstico, hoje, é um laudo extraído de uma máquina sofisticadíssima que invade o interior do corpo humano, fotografa ou retira parcelas das moléculas e registra: aqui tem um motim, aquilo que tinha de estar funcionando serenamente como é o objetivo e o projeto, saiu de controle.

 

Por que há um motim em algum lugar do planeta? Por que há um motim entre as células e moléculas de um corpo? Claro, os motivos podem ser variados, mas, a princípio, generaliza-se, os habitantes daquele sistema estão descontentes, decepcionados, contrariados, mal atendidos. Os revoltosos podem estar exagerando, na média, e pedindo mais do que o normal. (E aí você já vai relativizando o corpo humano e suas conexões com seus habitantes celulares, moleculares, órgãos, sistemas) A fila pode ter andado e a instituição responsável (inclua a mente humana) não evoluiu. Seus métodos são ultrapassados para lidar com a vida nesses novos tempos. É por insatisfação ou por maus tratos que ocorrem os motins.

 

Vou fazer uma comparação bem chula: a pena de morte é um ato jurídico concebido nas sociedades que a adotam como uma cirurgia que extirpa o conjunto adoecido e manda para o cemitério (no caso médico: para o lixão cirúrgico); a segunda comparação chula fala da penitenciária, que funciona como a bateria quimioterápica, radioterápica ou outros procedimentos como tentativa de devolver o ente delinquente à sociedade recuperado em sua índole, como alguém útil, normal.

 

Volto ao motim para fazer ainda uma terceira ilação com o objetivo de que você compreenda o regime das nossas células: digamos que dentro da penitenciária tudo devesse correr às mil maravilhas, segundo diz a lei e o seu projeto - reparar, reprogramar para a sociedade que a mantém, aquelas pessoas que deixaram de ser humanas e que se insurgiram contra as demais, mas o que se vê é que ali também ocorrem motins e entre os amotinados ocorrem assassinatos. Também essa metáfora pode ser aplicada ao corpo humano, a alguns órgãos dos corpos adoecidos, em que as células matam (as outras) e se matam.

 

Isso é a doença. Quando ela não é contagiosa e não vem de fora, é assim jocosamente que se pode descrever tumores e degenerações. Por que aquilo que deveria funcionar bem deixa de cumprir seu papel?

 

Os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés tiravam de letra: o paciente vendeu ou perdeu a alma. Como se traduz isso? Os campos espiritual e material estão em conflito. E as emoções e ideias são as intermediárias desse conflito. Podem ajudar, mas por que não ajudam?  

 

E em situação de conflito insolúvel, o espírito apressa seu retorno à Pátria e deixa o corpo, da mesma forma que eu e você deixaríamos uma habitação mal cuidada, infectada, invadida por conteúdos ameaçadores (por exemplo, pensamentos destrutivos que são ou não são nossos e que são por nós adotados como verdades; emoções que concebemos e são nossas inimigas).

 

Simples como comer, digerir, excretar. Se nesse rito houver anormalidades, haverá um resultado indesejado.

 

Para os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés, a vida material é consequência da vida espiritual. Quem outorga a vida opera no plano espiritual, onde legisla. Quem é deste plano e destrói a vida é porque desobedece a lei. O ser humano pode destruir a folha de uma árvore, mas é incapaz de reconstruí-la. Como adversário da vida pagamos o preço de guerrear contra ela. Como aliados da vida recebemos o prêmio do bem-estar, da homeostase.

 

Adaptando a sabedoria das tabas selváticas e trazendo-as para a selvas de pedra urbanas, aprende-se que na correria da busca por atender e nem sempre conseguir atender aos compromissos materiais, eclipsamos nosso lado espiritual, corrompemos nossos campos vibratórios, modificamos a naturalidade de nossas emoções e pensamentos, comemos errado, amamos errado, dormimos errado, submetemos nosso organismo a um pesadíssimo estresse, cuja resposta é o motim das células. “Não aguentamos mais, vamos protestar” – essa é a sua resposta, isto é a doença psicossomática, que representa mais de 85% dos diagnósticos totais.

 

Então, os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés, guardadas as proporções para ambiente, tempo e cultura, mesmo sem conhecer o diagnóstico, como hoje fazemos, tiravam de letra: “vendeu ou perdeu a alma”. Tudo, para os nativos, se passava na dimensão espiritual. Verdade essa que não foi revogada, mas nós, aculturados por ondas sucessivas de materialismo e mecanicismo, invertemos a lógica.

 

Eis que, então, na próxima postagem, prosseguindo nestes raciocínios, você lerá o que é a teoria da Roda da Cura.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

1673-Uma Terapia de Inspiração Xamânica - a Roda da Cura


 

Introdução

 

Depois de analisar o xamanismo em duas correntes, que resultaram em duas religiões genuinamente brasileiras, vamos lidar com uma medicina genuinamente da terra. E universal. Como você teve, tem e terá a oportunidade de ler na série, cujas postagens foram do nº 1647 ao nº 1672, viu, verá, que Mestre Irineu, criador da segunda religião, poderia tê-la denominado “Caminho Profundo” (telúrico) ou quem sabe “Caminho Cósmico de Iniciação” (astral), alguma coisa semelhante à porta de entrada para a reestruturação mental e espiritual dos povos que foram alcançados pelo cristianismo trazido pela Igreja Católica e que de Cristo nada tem, além de contar (e muito superficialmente) a história daquele episódio espiritual ocorrido na Palestina.

 

Mestre Irineu foi um sábio da alma e fez a primeira ponte de passagem do Xamanismo das Selvas para o Xamanismo Urbano. Deu à sua religião o nome de SANTO DAIME, culto que entendemos ser o caminho mais curto entre o materialismo e o êxtase espiritual.

 

Gostaria muito que não se fizesse, como de fato não deve ser feita, nenhuma ilação ou comparação com o êxtase profano, burro e gerador de dependência e vício, em relação ao que se pratica com o consumo, repito, profano, pagão, das drogas, como o homem branco é exímio praticante. Fez isso com os fermentados, chegou aos destilados, evoluiu no ópio, na coca, numa série de químicos que vão matando aos milhares e, muito longe de trazer o Sagrado para a alma dos usuários ou de levar a alma dos usuários até o Sagrado, retira a vida, papel que nunca foi do Sagrado.

 

Não querendo exagerar na análise e nos conteúdos que serão apresentados, vamos separar os extremos da cultura materialista pregada pelo catolicismo e pelas religiões que vieram na sua esteira, e o ostensivo campo espiritual com que o nativo tem (e somente assim tem) compromisso com o seu ato criativo no campo espiritual.

 

Não dá para tocar a roda do tempo para trás e nem reinventar mente do homem branco, muito menos ir lá atrás e torcer o jeito espiritualista dos nossos nativos. O que se faz, então? Pega-se o meio. Aproxima-se os extremos.

 

Foi assim que depois de 25 anos de pesquisas e experimentações do editor deste blog, nasceu a urbana e xamânica RODA DA CURA, hoje aplicada a pacientes do Centro de Apoio aos Pacientes com Câncer, de Ribeirão da Ilha, Florianópolis, Brasil, mas praticada na outra casa da mesma instituição, em Forquilhinhas, São José, Brasil, já há oito anos, com os melhores resultados que se poderiam esperar.

 

Nas postagens seguintes, os leitores conhecerão um resumo desta terapia, sua filosofia e seu rito.

 

Quer conhecer? Então vem.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

1672-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

Qual é a Diferença no Sistema Urbano do Xamanismo?

 

Depois de analisar o xamanismo destas duas correntes que resultaram nas religiões brasileiras, é inevitável pensar que se o xamanismo é tão bom, por que não produziu uma cidade, a roda, a escrita no papel, ou outras invenções? 

Observamos que a mudança para o sistema urbano se deu num momento em que o governo do Brasil estava passando por muitas alterações políticas, pois saía do sistema Imperial para a República, o que favoreceu novas culturas no país. Estas duas religiões que nasciam, muito ajudaram no desenvolvimento dos lugares em que se instalaram, com formação de cidades, com trabalhos sociais e culturais.

 

Notamos que o nativo tem somente compromisso com o seu ato criativo no campo espiritual, tanto que Orlando Vilas Boas, conhecido sertanista, declarou que o nativo vive no mundo espiritual, enquanto que somente estas realidades são realidades palpáveis de fato.

 

O xamanismo urbano trouxe algo novo: o Compromisso com o mundo da matéria, tentando transferir o conhecimento do mundo astral para beneficiar o mundo material, diversificando o que foi fragmentado. Foi o COMPROMISSO auto assumido de uma ideia que fez a diferença, os fundadores das duas religiões tiveram o compromisso espiritual e social de fundir culturas, preservando a que estava em perigo de extinção, dando modernidade às pessoas para trazê-las até os nossos dias, melhorando o esquema mental das pessoas que os cercavam, usando um critério simples – se foi bom para mim, deve ser também para os demais.

 

Hoje os novos xamãs sentem que já é hora de assumir novos compromissos, rever conceitos, e aprender a usar uma nova linguagem para contar velhas histórias. O xamã sabe mais coisas hoje que ontem, já desmistificou crenças antigas, apesar de saber que em outra época elas foram necessárias, pois esta era a única maneira de dizer coisas complicadas sobre as auto programações mentais. Sabe também que DESTINO chama-se DNA, como sabe sobre a capacidade inteligente das células.

 

Hoje o xamã atende a uma chamada telefônica pelo celular encantado com a nova invenção, tem computador, entra na internet, toma avião e dá palestras pelo mundo todo, não encontra dificuldades em achar um editor para seus livros, os editando até virtualmente, e é lido por todo mundo.

Quanto às Plantas de Poder, estou convencida de que todos os xamãs e pajés as utilizam até hoje, com exceção daqueles que não são xamãs de fato, mas usam técnicas do xamanismo mescladas com o espiritismo.

 

Conclusão


 

A ideia desta série é discutir as origens xamânicas das duas religiões brasileiras, que nos seus desdobramentos vêm recebendo inúmeras influências; e demonstrar a necessidade cultural da época em que surgiram, assim como a importância de um povo que entendo fazer parte da gênese do brasileiro.

 

Visando contribuir com o conhecimento sobre as origens do pensamento místico brasileiro, pesquisei na internet para ter os dados de datas sobre o primeiro centro de Umbanda registrado no Brasil no site Oficial da UMBANDA e o mesmo sobre o Daime de Mestre Irineu no site do CEFLURIS.
Quanto aos dados sobre xamanismo nativo, foram colhidos em conversas informais de amizade que fui fazendo ao longo da vida, como ficou demonstrado.

 

Sobre as origens do pensamento do xamanismo clássico, colhi dados no Livro do Dr. Lauro dos Santos Lima – “Flecha Dourada, o guerreiro do Arco-Íris”, da editora Nova Tribo Cultural.

 

Fim desta série.

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

1671-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

A Segunda Religião Brasileira


 

O Brasil acabara de libertar os escravos negros em 1888, nesta conturbada época da história, entre o fim do regime monarquista e a Proclamação da República em 1889. O estado do Acre foi integrado ao Brasil em 1903. No início dividido em quatro partes: Alto Acre, Alto Purus, Alto Juá e Alto Turauacá, unificado em 1907 a 75º Oeste de Greenwich, fuso de menos de 5 horas GM. Na mesma época em que o General Rondon estende naquele território linhas telegráficas, e é construída a estrada de ferro Madeira-Mamoré, de 366 km, não sem muito derramamento de sangue, com disputas armadas de parte à parte, ligando os territórios de Rondônia, Acre e Bolívia. A estrada havia acabado de ser construída, e para trabalhar nela vieram muitos negros de 1,90m à 2,00m de altura.

 

Um destes negros, neto de escravos, com (20) vinte anos de idade, chegou do Maranhão para trabalhar nos seringais do Peru e na ferrovia, vindo a conhecer uma bebida chamada Ayahuaska.

 

Dez anos depois, quando contava com (30) trinta anos, inicia o que seria no futuro o Culto do Santo Daime, ligando definitivamente a raça negra à vermelha e à branca, pela cultura da PLANTA DE PODER, que os ensinou a cantar, dançar e falar corretamente, a ter segurança pessoal elevando sua auto-estima de forma pacífica, inspirada pela entidade espiritual denominada de “Clara" e do Inca Huaskar. Essa cultura vai se solidificar em 1931, quando Mestre Irineu Serra se torna poeta, recebendo seus Hinários e aceitando nos TRABALHOS espirituais a presença feminina, o que foi inovador para seu tempo.


Nasceu assim a segunda religião brasileira de raiz xamânica, no Bairro de Vila Ivonete, vindo, tempos depois, a se transferir para o bairro do Alto Santo, no Estado do Acre, na cidade de Rio Branco, sua capital. Gerou, a partir disso, outras ramificações mas sempre com o uso das mesmas Plantas de Poder.

 

Em Tempo


 

Mestre Irineu, ao conectar seu Mestre Espiritual e dele receber instruções para fazer da Ayahuaska um novo uso, uniu o Caminho Profundo (telúrico) ao Caminho Cósmico de Iniciação, tendo o mérito de INOVAR, fazendo a primeira ponte de passagem para o Xamanismo Urbano de Plantas de Poder. Deu o nome de SANTO DAIME, culto que entendemos ser para fins de reestruturação mental e espiritual de um povo. Como a Umbanda, que está tendo muitos adeptos em outros povos, que buscam igualmente melhor se estruturar para uma nova ordem que se aproxima rapidamente no mundo da alta tecnologia.


Hoje as duas religiões estão espalhadas pelo Brasil inteiro, pela América Latina e pelo mundo, pois não há lugar onde as pessoas não estejam sofrendo algum tipo de desestruturação, acredito que devido a tantas doenças epidêmicas, às guerras de armas e comerciais, levando às transformações sociais violentas, vindas decorrentes de mudanças filosóficas e políticas anteriores.


A NATUREZA é a maior forma de expressão de DEUS e é nela que a humanidade vai buscar SALVAÇÃO, nela encontramos a matéria-prima para superar todos os males, ela é o modelo, a matriz e mãe, portanto esta RAIZ não pode ser extirpada, deve ser preservada.

 

Florestas inteiras se acabam com o FOGO. Será que vamos viver para cumprir a profecia BÍBLICA de um novo Apocalipse por causa disso, ou “alguém” vai criar uma NAVE com o nome de Arca de Noé para salvar os “animais” da extinção? Mesmo a antiga Arca somente levou algumas espécies, deixando os “agigantados ou grandes” perecerem para sempre.

 

Vivemos momentos míticos importantes, sem os quais nenhuma nação se torna forte. Se há poder no céu, há poder na TERRA, e cremos que um povo somente é forte quando o PODER Divino torna-se consciente na mística do dia-a-dia de seus habitantes.

 

Ouvimos falar a primeira vez em Plantas de Poder num terreiro de candomblé. Até então o assunto era tabu. Até que, nos anos 80, no Peru, conhecemos a Ayahuaska.

 

Depois, como terapeuta de acupuntura, a autora conheceu nativos xamãs de várias tribos do Brasil e de fora dele. Acabou entrando em contato com a UDV (União dos Vegetais) e o Santo Daime. Acreditou muito na importância destas duas correntes religiosas genuinamente brasileiras, que estão inspirando músicos, poetas e arquitetos a fazerem obras criativas e originais.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

1670-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

A Primeira Religião Tem Como Guia Espiritual o Ancestral da Raça Vermelha – Tupã

 

Com fortes características do Xamanismo Clássico, a UMBANDA veio da palavra "Aumbandan" ou “Aumbram”, que quer dizer Tradição de Saber – surgiu em 1889 sendo oficializada em 1903, trabalhando essencialmente com o transe espontâneo, um ano depois da libertação dos escravos no Brasil. Esta nova religião segurou a psiquê do povo, que hoje ressurge integrado na Cultura Brasileira, conhecida nos primórdios como BARATZIL, que significa Terra das Estrelas BARA = Terra – TZIL = Luz, em linguagem Nheengatu ou Língua Boa, TUPÃ = Tu quer dizer admiração, PÃ é uma pergunta, que tem o significado: O que é isso? Mas também quer dizer aquele que governa o mundo.

 

Correntes espirituais da raça vermelha conheceram a figura do PAI VELHO e da MÃE VELHA – também chamados pela população não iniciada de “pretos velhos”, como de fato se apresentam nas terreiras. Os CABOCLOS *ndash, tanto podem ser os nativos da raça vermelha, ou seja os ÍNDIOS e as CURUMINS, seres que estão no mundo ENCANTADO, sendo conhecidos como a “Linha de Caboclo”, como podem ser os mestiços tanto vermelho-branco, como negro-branco.

 

Nas correntes espirituais da raça negra conhecemos: – Oxalá – Ogum – Oxossi – Xangô – Yorimá – Yori – Yemanjá em que apenas os mestres espirituais da falange Yorimá têm a pele negra. Nas correntes espirituais da raça vermelha conhecemos os cavaleiros das savanas, promotores da limpeza do território da América do Sul representados pelos Charrua, da Pampa: oguns. Conhecemos os caçadores das florestas com seus arcos e flechas, garantidores da comida sagrada: oxóssis. Conhecemos os magos das pedreiras, com poderes de ler o passado e prever o futuro: xangôs. Conhecemos a rainha das águas doces, responsáveis pela saúde da raça: yaras, filhas de Yemenjá. Conhecemos as crianças, responsáveis pela alegria da taba e pela pureza dos pensamentos: os cunumis de Cosme e Damião. E na presidência dos trabalhos da grande aldeia espiritual, Nhamandu, o grande deus: Oxalá. 

 

O fenômeno do surgimento da Umbanda registra o famoso jogo de cintura brasileiro, pois, para não serem perseguidos e dizimados, os negros e os índios, evitando mais tormenta, criaram o sincretismo com os Santos da Igreja Católica, fazendo as festas no mesmo dia dos Santos.
Uniram posteriormente na Umbanda as correntes espirituais das raças BRANCA – NEGRA – VERMELHA e AMARELA, que foram, em ritmo acelerado, desfragmentando as mentalidades divididas pelo horror da guerra de domínio racial.

 

A união das culturas Branca, Vermelha e Negra, tem refletido a cultura do Brasil e das Américas, como guardiã das Boas Palavras, onde se canta em guarani, nagô e português.


Linguagem da AUM-BAN-DAN


A nominação preservada na linguagem religiosa permite pesquisarmos as suas origens. Na Umbanda vamos encontrar termos em Quíchua (língua dos Incas), Yorubá e Abanheenga, ou seja, Tupy-nambá arcaico.

A palavra referente à divindade suprema nas diferentes culturas raciais, recebeu nomes diferentes, sendo DEUS na raça branca – TUPAN na raça vermelha e ZAMBY na raça negra – todos os três usados igualmente na Umbanda.

 

Quando adolescente frequentava o Terreiro do Pai Ubirajara. Voltei naquela casa muitas vezes ao longo de minha vida, até quando ela fechou devido a passagem deste mundo do senhor Francisco, o dirigente. Foi lá que vi pela primeira vez o sincretismo religioso – tanto se rezava o Pai Nosso, como se cantava os pontos africanos e pontos de chamada dos índios, como também dava-se passes espíritas. Minha avó dizia que isso é coisa de brasileiro. Hoje entendo nosso povo miscigenado ou não só as raças, mas também o CONHECIMENTO espiritual.

 

Temos depoimentos de amigos nossos que freqüentam ambientes sagrados onde entidades espirituais em nomes de índios, negros, brancos, orientais e mestiços fazem a limpeza e a cura em nome da caridade.

 

Conhecemos outros Terreiros como os de Candomblé, com suas folhas sagradas; fomos às mesas brancas espíritas, e em todos os lugares pudemos notar o evidente apoio aos que sofrem e sentem-se desamparados pela sorte. Nossas respeitosas saudações a OXALÁ – senhor do Planeta Terra – e TUBAGUAÇUS – Senhores do Brasil.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

1669-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

Os novos sons


 

Devido à fragmentação da linguagem (que provocou a desestrutura do pensamento nativo) na época da colonização das Américas, os pensamentos e as emoções naturalmente se fragmentaram também, causando grande dano mental e emocional a ambos os lados. Os mais atingidos foram seus descendentes, os "mestiços", que por sua vez misturaram-se com outros povos vindos de outros lugares e se viram mais divididos que os demais. São os portadores de frações genéticas negras e indígenas (mais de 60% dos brasileiros), os principais adeptos dos novos sons que se ouve.

 

Sendo que os vários SONS ou linguagens emitidas no conjunto de palavras formam, evocam e presentificam determinadas energias que delas fazem parte, o que os levou a pacientemente descobrir o significado delas.

 

Quais os efeitos desta fragmentação e como agiram em longo prazo? Parece que atuam nas horas menos previsíveis, têm vontade própria dentro do EU. Penso ser o VERBO em estado caótico procurando se acomodar na nova ordem mental da mistura das letras, geradas no mecanismo automático do pensamento.

 

Vamos então ao inevitável: aceitar domesticar, ou expelir o novo SOM – que virou forma – de dentro de nós, numa nova maneira de falar e acomodar os termos de todas as vertentes, enriquecendo a língua predominante (ou a mais forte) com novas formas e emoções, que dão as características especiais de temperamento a um povo.


— Quem sabe lidar com isso?   

 

Hoje ainda nos perguntamos, afinal trata-se de formas da EMOÇÃO que não são do PENSAMENTO, mas, desprendidas e atraídas pela EMOÇÃO, ganham vida pela palavra. Parece não ser possível identificá-las, pois se alojam na estrutura da personalidade – do pensamento – do eu – do ego – do Id – e se confundem com o ser humano que emitiu o SOM e as atraiu, gerando muitas outras novas palavras que ainda estão por vir.

 

Mas os MONSTROS são o que figuradamente podemos chamar de lixo das palavras, que sobraram no plano mental coletivo depois da mistura. Acredito que o mesmo deva acontecer com todos os povos em que a cultura tenha passado por influência estrangeira – chegamos ao "óbvio", que soa como o "ovo de Colombo".

 

Estas "coisas" não falam: grunhem, gemem coisas inarticuladas, que atuam na vida das pessoas. Não têm vontade própria, mas querem viver, são formas limitadas de uma partícula poderosamente inteligente que faz parte de nós e move tais sentimentos. Temos que conviver com isso, pois sempre foi assim, basta olhar a história dos povos.