quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

1651-Xamanismo, a Arte do Êxtase


Os brancos também foram assim

Ainda que se possa afirmar que as civilizações urbanas são descendentes das tabas indígenas e que o que chamamos de indígena foi o homem precursor dos posteriores seres civilizados (hoje chamados de brancos), é fato reconhecer que o xamanismo sobreviveu ainda nas aldeias dos homens brancos. Na Grécia Antiga as experiências do êxtase eram chamadas de experiências "extáticas" e estavam vinculadas às declarações proféticas, principalmente no Oráculo do Templo de Delfos, como também nos templos romanos e egípcios, assim como nos dervixes do Islã, em algumas seitas cristãs inglesas e nos “ranter” (ritos de falar com exaltação). As máscaras do carnaval de Veneza é uma herança (já profana) desses tempos e práticas hoje não mais com a mesma fiel necessidade.

O deus nascido duas vezes, DIONÍSIO, através do transe gerado pelo VINHO NOVO, criou a ARTE da REPRESENTAÇÃO DIVINA, para divulgar AS BOAS NOVAS e ensinar à humanidade as coisas do céu e da terra. Aos que não tinham acesso ao êxtase (à experiência extática), até então praticada dentro das cavernas pela elite de sacerdotes e bacantes, foi criado o TEATRO, arte praticada até os nossos dias, refletindo o ser humano em sua beleza e diversidade, usada também por instituições religiosas e políticas, para ensinar e impor idiomas, filosofia, costumes, etc.

É inevitável pensar nos nativos com sua Casa das Máscaras, seus deuses da floresta, que ensinam tudo o que precisam saber e falam pela boca de um pajé ou xamã em transe, sem pensar na antiga Grécia, onde Dionísio falava através de seus sacerdotes em transe, criando assim o Teatro. E quantas vezes, muito tempo depois, a Igreja de Roma usava santos ocos e colocava no seu interior um padre para “fazer a imagem falar com os fiéis”? O que pensar disso se não como um teatro (apenas), pregar uma peça?

Deixando de fora a fraude católica, nos dois outros casos, na taba e do teatro, temos a presença do transe produzido por uma beberagem, as máscaras e o “recado”, com iniciados representando seus papéis, e através disso comunicando, expondo suas dores ou ensinando algo importante, arquetípico. Ou ainda, em situações de crise coletiva, divertindo a todos, fazendo-os rir ou voar através da imaginação do que é representado com ARTE.

Podemos estudar como estes fatos se dão hoje, na intocada tradição indígena da Floresta Amazônica. Fatores em comum ainda sobrevivem, ensinando a mesma coisa, através da única forma de ser criativa, a ARTE.

A cátedra sem arte não é cátedra, é sentença. E os nativos, como também os primeiros filósofos e poetas gregos, sabiam disso muito antes do surgimento das modernas academias do conhecimento.

O mais surpreendente a ser esmiuçado e nisso a tarefa fica com os especialistas da ressonância mórfica (Rupert Sheldrake e suas pesquisas), é como os métodos e modos de 5 mil e mais anos, sem a menor possibilidade de comunicação entre os continentes, se fizeram reproduzir com a mais estreita similitude por vários territórios não contíguos.

Infelizmente, o cinema e a tevê e agora também o novíssimo teatro abandonaram muito de sua tarefa libertadora do homem e assumem uma perigosa tarefa de aprisionadores.

                          

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