sábado, 3 de janeiro de 2015

1653-Xamanismo, a Arte do Êxtase


O Xamanismo Arcaico

A RAIZ da palavra XAMÃ está na língua dos povos Tugus, da Sibéria, uma das sete línguas-mães sagradas (egípcia, hebraica, sânscrita, chinesa, tibetana e nahuatl, esta última, mais tarde aimará e, por extensão jê, nhengatu e tupi-guarani) que foi adotada amplamente pelos antropólogos para se referirem a pessoas de uma grande variedade de culturas arcaicas, antes conhecidas pelos nomes de pajés, curandeiros, magos, videntes, feiticeiros. Embora nem todos esses possam ser considerados xamãs, ao menos a expressão cunhou o mais elevado representante espiritual da antiguidade mística.

"Arcaico" vem do grego e significa de “Época Antiga". Aponta a anterioridade e a antiguidade de um princípio inaugural de experiência humana.

Conhecer a história antiga da Terra é conhecer a própria história, sendo assim de vital importância para o Brasil preservar o conhecimento xamânico como parte da estrutura genética, pois o saber herdado faz parte do conhecimento do ser e atua vivo na memória genética até os nossos dias.

O desejo constante de alcançar a ARTE do saber e da beleza reflete-se hoje, por exemplo, em Brasília, a capital do Brasil, profetizada muito tempo antes de sua construção por Dom Bosco, na Itália, e considerada pelos latinos como a cidade moderna mais mística da América. Possui inúmeros TEMPLOS de todas as denominações religiosas possíveis (os cultos holísticos são os mais apreciados), destinados a um povo de várias origens; mesmo que professem socialmente credos radicais, no inconsciente coletivo ainda estão presentes as crenças vindas da África e da Floresta.

A Floresta Amazônica é um LIVRO DE FOLHAS SOLTAS e deve ser lido, pois é nela que estão, não só a mais rica reserva biológica do planeta Terra, mas a nossa história ancestral. Ainda existem povos indígenas que não foram contatados pelo homem urbano. No Brasil, convivem atuando na mente do seu povo, o ultramoderno e o arcaico, exigindo hoje que se criem soluções inteligentes para esta realidade social.

A prática xamânica se deu pela primeira vez nos seres humanos antes mesmo que o homem primitivo dominasse completamente a palavra, usando somente vogais. Por esta razão uma das características desta arte é a poesia cantada, que marca a oralidade da própria concepção da linguagem poética, presente tanto nas canções dos velhos xamãs como nos templos de Apolo.

Os xamãs sabiam que a palavra cantada tem um sentido de presentificação, tornando possível romper os limites de suas possibilidades físicas de movimento e visão, entrando assim em contato com novos fatos e mundos, que se tornavam audíveis, visíveis e presentes através do poder de seu canto.

Estabeleceram pelo poder da palavra, uma relação sutil em diversos planos, entre o nome e a coisa nomeada, trazendo a própria presença dos seres visualizados; passando ou retornando a níveis de consciência que reportam para o princípio da Criação, onde tudo é paz.

Com a comunicação telepática entre os seres imateriais, chega-se à transcendência. No decorrer do tempo é possível dominar este processo, tornando o caminho um conjunto de várias artes como: a competência de curar, de operar milagres, a poesia, a música, a filosofia, envolvendo também a função sacerdotal e a mística.

Na Cultura XAMÂNICA não há qualquer distinção entre o valor de ajudar os outros e ajudar a si próprio, resultando numa grande aventura mental e emocional, onde todos os presentes ficam envolvidos em transcender a noção normal e comum que têm acerca da realidade (pois sentem que o que acontece com UM reflete no OUTRO, gerando uma grande reação em cadeia), variando de acordo com o indivíduo, assim como no mesmo indivíduo, em ocasiões diferentes.

No entanto, O CONHECIMENTO XAMÂNICO só pode ser adquirido através da experiência individual, sendo necessário aprender os métodos a fim de utilizá-los. Existem apenas duas vias, e no Brasil estas duas vias são muitas claras, com trajetórias muito distintas, sendo as vias do Xamanismo Clássico e do Xamanismo de Planta de Poder.

O Xamanismo Clássico vem de lugares onde a floresta não é tão fechada como a Floresta Amazônica, mais perto do mar, das montanhas. Seu uso no meio indígena é milenar, e sempre voltado para as soluções de doenças e problemas psíquicos dos nativos, mesmo nas tribos onde o pajé usa alguma Planta de Poder. O mesmo não se dá com o resto do povo ali existente, é algo mais restrito e muitas vezes secreto, somente nisso difere dos xamãs da floresta.

A organização consiste em vários xamãs pajés da mesma tribo, de diferentes idades e graus de sabedoria. Em geral eles são os guardiões das músicas e das histórias passadas de geração para geração, sobre o nascimento de sua raça.

O pensamento xamânico se introduziu no sistema urbano a partir da entrada de pesquisadores na floresta, levando o telégrafo. Como foi o caso do Marechal Rondon, no ciclo da borracha na época de Getúlio Vargas.

Este fato não foi de todo tranquilo, causou espanto e surpresa naqueles que se viam chamados para estas práticas, que até então não faziam parte de seu cotidiano de educação européia. Ao mesmo tempo em que os xamãs nascidos na Floresta e nas montanhas se viam compelidos a estudar e aprender as artes alternativas de cura, como os idiomas modernos, para falarem em conselhos internacionais de xamanismo.

Este é realmente o maior fenômeno dos últimos tempos nesta área de Saber: a integração natural das culturas modernas e arcaicas. E o mais fantástico é que o conhecimento não está se perdendo e nem virando outra coisa, continua sendo o que sempre foi, devido à imensa capacidade de adaptação e aprendizado, não sendo rígido como o conhecimento de nossos antepassados europeus.

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