terça-feira, 6 de janeiro de 2015

1656-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

No Final, Só os Mestiços Vão Abraçar o Velho Demônio

 

No dia 25 de setembro de 1991, na hora zero, Kaká Werá Tchukarramãe e mais vinte Guaranis da Aldeia do Jaraguá, iniciaram o "Jeroky" – Cerimônia do Perdão – no meio do Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Membros da Umbanda, da Casa de Xangô, junto com os Tupy-Guaranis e Quéchuas concedem a Benção aos seus opressores do passado. Ao mesmo tempo se reuniam em São Paulo, na igreja São Bento, pessoas de várias linhas religiosas, com a mesma finalidade: pedir e conceder o perdão. No mesmo dia ergue-se uma bandeira mundial: judeus e palestinos assinam o acordo de Paz. Embora para não cumprirem, mas, ao menos para os deixar mais cheios de remorsos.

 

Assim, por parte dos homens de boa vontade, foi dado o penúltimo passo de uma antiga dança que marcou definitivamente a passagem do Xamanismo Clássico Brasileiro para o Xamanismo URBANO.

 

Urbanizados e miscigenados, brancos, índios e negros se dão as mãos, se abraçam e domam o velho demônio que os separava. E com isso as profecias de Dom Bosco, de André Luiz, de Pietro Ubaldi, de quem quer que seja, vão tomando espaço na contramão do apocalipse-mor e edificando o Brasil como a terra de todos os evangelhos. 

 

Mulher Nativa Torna-se Cacique


 

No mesmo dia do "Jeroky" foi entregue, pela primeira vez, o cocar de Cacique a uma mulher, mãe de muitos filhos com muitos pais, dando o primeiro passo de uma nova dança comunitária no início da Era de Aquário. Esta Festa indica que os valores humanos são eternos. Esta nativa, instintivamente “sabe” que deve preservar a sua descendência de forma tão heróica, tornando-se a GRANDE MÃE para o povo Guarani, como em todas as tradições nativas em que a descendência é de linhagem materna.

 

”TODOS OS LOUVORES AOS QUE JÁ DERAM e aos que darão OS OUTROS PASSOS DESTA DANÇA” – palavras de KaKá Werá.

 

Hoje, depois de todos esses anos, começamos a ouvir suas músicas, as suas histórias e seus ensinamentos. Os que fizeram isso mais recentemente foram as crianças Guarani, gravando suas canções.

 

Os Xavantes e os Bororos já haviam feito o mesmo, tentando estabelecer um contato harmônico através da arte. Subindo em aviões, aprendendo o português, usando sapatos e roupas de branco e descobrindo o valor do dinheiro. Neste momento o nativo começa a descobrir o mundo urbano.

 

Achando que somos muitos menos perigosos do que pensavam, mais vítimas de nosso próprio sistema; e, penalizados de nos verem estressados, doentes, querem nos ajudar. Sabem que os nossos antepassados, como os deles, fizeram coisas uns aos outros que ambos querem esquecer, pois nós somos seus descendentes também. Divertem-se procurando no nosso comportamento vestígios de parentesco, e quando acham se alegram e festejam, como quem acolhe um filho pródigo. Esta é a solução para a convivência pacífica.

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