sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

1659-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

A Planta Mestra

 

PLANTA MESTRA é a que tem o Poder de revelar (contar, falar, comunicar) ao xamã como agem outras plantas quando misturadas a ela. Justifica-se este respeito uma vez que a selva é cheia de mil plantas venenosas e é a Ayahuaska que faz o papel do laboratório de análise avançada, ajudando a distinguir as plantas de cura e as comestíveis, daquelas mortais. Daí vem o hábito (assimilado pelo caboclo ao ver o xamã misturar plantas no chá da Ayahuaska), de fazer o mesmo. Mas os caboclos não sabiam, como a maioria continua não sabendo, que essa ação consiste apenas num teste, não sendo uma norma para todos e nem uma prática usual.

 

Vamos nos deter apenas na AYAHUASKA, que é a planta MESTRA de todas as plantas da Floresta Amazônica (apesar de existir outra, mas que ainda permanece secreta, e acredito ficar assim por mais tempo do que imaginamos pensar).

 

Ayahuasca é um cipó. O cipó Banisteriopsis Caapi, contém: beta-carbolina, harmina, harmalina e tetrahidroharmina. A chacrona, Psychotrias, e Diplotes cabreana, contém: alcalóide alucinógeno N-dimetiltripamina (DMT), substância que tomada sozinha ou por via oral é inativa devido à atuação da Monoamina Oxidasse (MOA). As análises mostram que, embora as beta-carbolinas, encontradas nos preparos estejam em doses demasiadamente baixas para mostrarem suas propriedades alucinógenas, elas parecem desempenhar um papel na inibição da MAO, livrando assim o DMT de sua ação e permitindo-lhe manifestar suas propriedades psicotrópicas.

 

Podemos notar, pela composição das plantas, que a AYAHUASKA cura a depressão. A Ayahuaska não vicia e nem cria dependência física ou psíquica, como os remédios para convulsões ou antidepressivos.

Não há nenhum impedimento legal por parte da SECRETARIA da SAÚDE.


O chá da chacrona e do cipó, age como facilitador, colocando o cérebro pronto para trabalhar com velocidade máxima, em estado CONSCIENTE ALFA.

 

Voltar do Transe


 

É possível interromper o processo cerebral bloqueando a ONDA ALFA, através de exercícios de atenção ao mundo exterior com o balançar do maracá (hoje na cidade pode ser a palavra escrita no papel dos hinários), respirando profundamente e voltando em etapas mentais (algumas vezes, os ansiosos se projetam muito rápido para níveis profundos e não contam que deveriam fazer o caminho de volta lentamente).

 

Esta é uma das razões pela qual o xamã não aconselha a misturar nenhuma outra planta ao chá. O ideal mesmo é o jejum e estar acompanhado de alguém em quem se possa confiar (o xamã em geral tem sempre três ou quatro amigos por perto), em lugar seguro e tranqüilo, e com a firme intenção e desejo de “ATRAVESSAR A PONTE”, que após a travessia irá ser QUEIMADA. O iniciado deve ter consciência de que se trata de um caminho sem volta.

 

No xamanismo arcaico há um hábito fortemente enraizado em todos os xamãs: o de não revelar nada enquanto a outra pessoa não perguntar diretamente, deixando o aprendiz descobrir sozinho; até que este tenha a humildade de se colocar claramente como uma pessoa que DESEJA APRENDER.

 

Quando isso ocorre, ele aceita o aprendiz, e entre eles irá se estabelecer uma cumplicidade gerada na confiança mútua. Qualquer quebra de postura ética do aprendiz com o seu MESTRE levará ao afastamento automático, sem maiores explicações.

 

O xamã sabe que as pessoas são o que são, se for possível haver alguma transformação profunda é somente porque a pessoa em questão REALMENTE deseja.

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