segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

1662-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

A Lei da Natureza



Tudo que nasce, morre e se transforma – ninguém escapa a esta LEI. Podemos nos preparar durante a vida todos os dias para aceitarmos o inevitável, mas é certo que vamos todos morrer. A aspiração máxima do xamã é fazer esta passagem consciente e em paz. Ele acredita na transmigração da alma, o que fica evidente através de seus contos tradicionais.


Ponto 1


O LIVRO SAGRADO xamânico é a NATUREZA – A cultura xamânica se baseia na NATUREZA e os seus sinais são lidos e interpretados como sinais da vontade divina, tendo o SER HUMANO como parte da criação desta mesma NATUREZA, onde nada é bom ou mau – somente É, e se o É, é por ser necessário, pois a NATUREZA jamais é inútil.


A justiça é feita através de um conjunto de LEIS que buscam manter a harmonia. A infração da harmonia gera o caos. E cita a destruição e o uso abusado e sistemático das árvores e dos animais. Cita o prejuízo causado ao ar e às chuvas do planeta. E cita que o mal causado à natureza transfere-se para o nosso corpo. Isso coloca a nossa descendência no perigo da autodestruição, uma conseqüência da vontade humana e não como castigo dos deuses.

A questão esclarece algo muito importante sobre o pensamento arcaico do xamã sul-americano: não pretende estabelecer uma nova ordem no mundo, mas preservar a ordem já existente.


Estabelece relação com a NATUREZA e respeita as LEIS, (causa e efeito – atração e repulsão – de semelhança – de oposição) como Leis Naturais da Criação.  E intui percebendo o efeito da realidade do PODER da NATUREZA e da sua LIBERDADE para agir (incluindo-se nisso os homens).


Diante disso, as sociedades arcaicas no correr dos Tempos, ao fazer agrupamentos organizados com chefias conhecidas, criaram a religião da DEUSA (da Terra), introduzindo regras criteriosas (as regras acima mencionadas), válidas para as relações espirituais e as ações voluntárias do ser humano. Os nativos andinos adoraram a mãe Terra até a chegada dos Incas, que introduziram a adoração ao Sol como Deus único, urbanizando os nativos andinos. A cultura Inca tinha na palavra o sentido do Poder, pois somente os cortesões íntimos dos Incas sabiam a língua da casa imperial e com eles falavam, que não era o Quíchua comum – língua que impuseram ao povo conquistado.


Da mesma forma Pizarro impôs a língua espanhola, depois, criando a religião do DEUS centrado no ser humano, com regras de diferentes critérios para as relações materiais, baseados na linguagem, iniciando um novo mundo, o da civilização da palavra escrita, onde a arte de raciocinar é reduzida à linguagem. Com divergências religiosas ou filosóficas, devido à corrupção instalada no seio dos sacerdotes, gerando antagonismos e levando às mais cruéis guerras religiosas. Os índios não conheciam isso, como não conheciam também a escravidão, o estupro, a mentira, a preguiça e o assassinato.


Atualmente temos um novo e histórico desafio,"o combate à corrupção”, ou à palavra mentirosa, (para os Incas mentir era crime passível de pena de morte). Provavelmente teremos outros mais, como, por exemplo, aprender qual será a linguagem dos seres que inevitavelmente encontraremos no espaço através das naves que sobem das estações de lançamento dos foguetes. A linguagem, a comunicação – será novamente fator determinante, e estes novos sons irão ampliar a nossa consciência, dando novas dimensões à estrutura do pensamento humano.


Ponto 2


LEI DA MISERICÓRDIA SEM CAUSA – que nos leva a receber o bem, mesmo sem que tenhamos mérito algum, somente porque o DIVINO o quer. Esta LEI é baseada na ausência de julgamentos, bastando o ser humano exercer o seu divino direito de se render, entregando-se ao seu Criador, e pedir, que tudo lhe será dado, como tudo nos foi dado desde o começo dos tempos.


Ponto 3


As últimas culturas arcaicas estão finalmente se integrando ao sistema urbano e vice e versa. Ambas começaram a transformar-se no alvorecer desta nova ERA, o que deverá gerar uma nova cultura, baseada numa nova filosofia – a FÉ e o AMOR à verdade.


Muitas águas AQUARIANAS vão rolar até que os peixes que as habitam se multipliquem e as águas contidas neste AQUÁRIO sejam devolvidas ao rio, fazendo sua trajetória e integrando-se no mar. Depois, iniciando tudo outra vez, trazendo novas revelações.


Enquanto isso o xamã atual continuará buscando no transe aprender qual lei rege o mundo. Depois desta interminável busca, irá acender uma fogueira e se aconchegar no ÊXTASE de adoração à DIVINA NATUREZA de D’EUS’A, que tudo criou.
Por esta busca, o pensamento xamânico não morre, pois é cultuado no Templo da NATUREZA, é indestrutível. O SOL onipresente tudo vê, invocado pelo xamã como testemunha natural de que esta é a LEI.

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