domingo, 18 de janeiro de 2015

1668-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

Mas, não se disse tudo sobre o Balanço

 

Um pouco de retrospectiva histórica...

 

Tempos depois do Grande Dilúvio ou do primeiro Balanço, quando os povos Tupis já haviam se dividido e outros povos surgiram nestas terras, o segundo "Grande Balanço" se deu, aproximadamente a partir do ano de 1500, com as grandes navegações portuguesas e espanholas, quando a humanidade dos povos indígenas não era reconhecida (só o foi no ano de 1537 pelo o Papa Paulo II), dez anos depois que o calendário gregoriano (criado pelo Papa Gregório XIII) foi estabelecido, somente em 1582, portanto a contagem de tempo em relação as datas anteriores sofreu significativas variações.

 

Os nativos e xamãs não olham para este calendário quando querem saber de eventos significativos, olham para o céu e consultam o movimento das estrelas, não se confundindo com os números e nomes das palavras escritas.

 

Dominação dos Nativos


 

Na época em que os navegantes portugueses chegaram à costa brasileira, cumpriu-se a profecia dos Pajés sobre a chegada do Tempo de mais um "GRANDE BALANÇO".

 

Com o Balanço veio o imprevisível: a fragmentação mental da raça, ou seja, a destribalização dos descendentes dos tupis – os Tupi-guaranis – que foram massacrados, dominados e escravizados. Com a introdução de uma nova língua mudou-se o modo de pensar e o comportamento de mais de 5 milhões de nativos, comportando mais de mil famílias lingüísticas. Perderam os mantras da língua original e sagrada. Trocaram-se os sons.

 

Dominação dos Africanos


 

Entre 1530 e 1850 do mesmo modo, o povo da raça negra foi também escravizado ou "resgatado”, ao serem trazidos da costa para América, aproximadamente 4 milhões deles.

 

Esta fusão de duas raças fragmentadas mentalmente – as raças Vermelha e a Negra – foi a semente do elemento predominante no surgimento de um novo fato histórico, A CRIAÇÃO E O FORTALECIMENTO DE UMA NOVA FORÇA, tendo o Brasil como sede.

 

A União Espiritual de Duas Raças + Uma


 

Tanto os Pajés quanto os zeladores de Orixá – que tinham o culto das folhas de PODER em comum – sabiam que quando um povo perde seu rumo, o melhor que se pode fazer é voltar para o início das coisas e começar tudo de novo. As duas raças haviam perdido o rumo de suas vidas e a liberdade, mas não a sua língua, preservada nos cantos da TRADIÇÃO oral e nas folhas das árvores de Poder. Nenhum desses valores haviam sido passados ao conquistador.

 

Resistindo à lavagem cerebral da época, vergaram e reergueram-se como folhas de capim ao vento, soltando sementes enquanto o vento soprava forte, germinando em todos os lugares.

 

Vermelho e Negro e mestiços


 

Esta fusão ocorreu depois do GRANDE BALANÇO. Os sacerdotes dos Orixás e dos Nativos uniram-se para preservar a TRADIÇÃO DO SABER, comum a ambos – Aumbandan (ou como diz Pai Velho “Aumbram”) – que contou com a vinculação do Mestre Espiritual Sumé, o Flecha Dourada, no plano astral, vindo a somar com os Orixás.

 

Aumbandan foi um fenômeno tipicamente brasileiro, que marcou a união dessas culturas, a africana, a tupy-guarany com algo da cultura celta ou berbere, da cultura do branco, gerando a UMBANDA como uma nova religião, hoje em dia expandida para muitos países do mundo todo.

 

Os Nativos Que Recuaram Para a Floresta


 

Aqueles que não foram escravizados ou mortos fugiram para dentro da floresta, e ali ficaram durante muito tempo, ligados somente pela força de sua missão e pelo seu conhecimento.

 

Os índios se auto denominam guardiões das riquezas da Terra – das árvores, rios, e animais – e dizem que: O DIA EM QUE NÃO HOUVER MAIS GUARDIÕES, NÃO HAVERÁ MAIS TERRA.

 

Até hoje existem no Brasil índios que se preservam, resistindo ao contato com o branco. Eles são as memórias vivas da TERRA e da humanidade. Mas com certeza sabem o que acontece no mundo, conhecem as estrelas e seu movimento, observam as cores e seu brilho, vêem passar aviões e satélites; tudo graças ao hábito de se deitar de costas no chão à noite e olhar o céu, sem nenhum espanto, sorrindo diante das nossas preocupações.

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