segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

1669-Xamanismo, a Arte do Êxtase


 

Os novos sons


 

Devido à fragmentação da linguagem (que provocou a desestrutura do pensamento nativo) na época da colonização das Américas, os pensamentos e as emoções naturalmente se fragmentaram também, causando grande dano mental e emocional a ambos os lados. Os mais atingidos foram seus descendentes, os "mestiços", que por sua vez misturaram-se com outros povos vindos de outros lugares e se viram mais divididos que os demais. São os portadores de frações genéticas negras e indígenas (mais de 60% dos brasileiros), os principais adeptos dos novos sons que se ouve.

 

Sendo que os vários SONS ou linguagens emitidas no conjunto de palavras formam, evocam e presentificam determinadas energias que delas fazem parte, o que os levou a pacientemente descobrir o significado delas.

 

Quais os efeitos desta fragmentação e como agiram em longo prazo? Parece que atuam nas horas menos previsíveis, têm vontade própria dentro do EU. Penso ser o VERBO em estado caótico procurando se acomodar na nova ordem mental da mistura das letras, geradas no mecanismo automático do pensamento.

 

Vamos então ao inevitável: aceitar domesticar, ou expelir o novo SOM – que virou forma – de dentro de nós, numa nova maneira de falar e acomodar os termos de todas as vertentes, enriquecendo a língua predominante (ou a mais forte) com novas formas e emoções, que dão as características especiais de temperamento a um povo.


— Quem sabe lidar com isso?   

 

Hoje ainda nos perguntamos, afinal trata-se de formas da EMOÇÃO que não são do PENSAMENTO, mas, desprendidas e atraídas pela EMOÇÃO, ganham vida pela palavra. Parece não ser possível identificá-las, pois se alojam na estrutura da personalidade – do pensamento – do eu – do ego – do Id – e se confundem com o ser humano que emitiu o SOM e as atraiu, gerando muitas outras novas palavras que ainda estão por vir.

 

Mas os MONSTROS são o que figuradamente podemos chamar de lixo das palavras, que sobraram no plano mental coletivo depois da mistura. Acredito que o mesmo deva acontecer com todos os povos em que a cultura tenha passado por influência estrangeira – chegamos ao "óbvio", que soa como o "ovo de Colombo".

 

Estas "coisas" não falam: grunhem, gemem coisas inarticuladas, que atuam na vida das pessoas. Não têm vontade própria, mas querem viver, são formas limitadas de uma partícula poderosamente inteligente que faz parte de nós e move tais sentimentos. Temos que conviver com isso, pois sempre foi assim, basta olhar a história dos povos.

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