sábado, 24 de janeiro de 2015

1674-Uma Terapia de Inspiração Xamânica - a Roda da Cura


 

Curar sem conhecer o diagnóstico

 

Diagnóstico, hoje, é um laudo extraído de uma máquina sofisticadíssima que invade o interior do corpo humano, fotografa ou retira parcelas das moléculas e registra: aqui tem um motim, aquilo que tinha de estar funcionando serenamente como é o objetivo e o projeto, saiu de controle.

 

Por que há um motim em algum lugar do planeta? Por que há um motim entre as células e moléculas de um corpo? Claro, os motivos podem ser variados, mas, a princípio, generaliza-se, os habitantes daquele sistema estão descontentes, decepcionados, contrariados, mal atendidos. Os revoltosos podem estar exagerando, na média, e pedindo mais do que o normal. (E aí você já vai relativizando o corpo humano e suas conexões com seus habitantes celulares, moleculares, órgãos, sistemas) A fila pode ter andado e a instituição responsável (inclua a mente humana) não evoluiu. Seus métodos são ultrapassados para lidar com a vida nesses novos tempos. É por insatisfação ou por maus tratos que ocorrem os motins.

 

Vou fazer uma comparação bem chula: a pena de morte é um ato jurídico concebido nas sociedades que a adotam como uma cirurgia que extirpa o conjunto adoecido e manda para o cemitério (no caso médico: para o lixão cirúrgico); a segunda comparação chula fala da penitenciária, que funciona como a bateria quimioterápica, radioterápica ou outros procedimentos como tentativa de devolver o ente delinquente à sociedade recuperado em sua índole, como alguém útil, normal.

 

Volto ao motim para fazer ainda uma terceira ilação com o objetivo de que você compreenda o regime das nossas células: digamos que dentro da penitenciária tudo devesse correr às mil maravilhas, segundo diz a lei e o seu projeto - reparar, reprogramar para a sociedade que a mantém, aquelas pessoas que deixaram de ser humanas e que se insurgiram contra as demais, mas o que se vê é que ali também ocorrem motins e entre os amotinados ocorrem assassinatos. Também essa metáfora pode ser aplicada ao corpo humano, a alguns órgãos dos corpos adoecidos, em que as células matam (as outras) e se matam.

 

Isso é a doença. Quando ela não é contagiosa e não vem de fora, é assim jocosamente que se pode descrever tumores e degenerações. Por que aquilo que deveria funcionar bem deixa de cumprir seu papel?

 

Os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés tiravam de letra: o paciente vendeu ou perdeu a alma. Como se traduz isso? Os campos espiritual e material estão em conflito. E as emoções e ideias são as intermediárias desse conflito. Podem ajudar, mas por que não ajudam?  

 

E em situação de conflito insolúvel, o espírito apressa seu retorno à Pátria e deixa o corpo, da mesma forma que eu e você deixaríamos uma habitação mal cuidada, infectada, invadida por conteúdos ameaçadores (por exemplo, pensamentos destrutivos que são ou não são nossos e que são por nós adotados como verdades; emoções que concebemos e são nossas inimigas).

 

Simples como comer, digerir, excretar. Se nesse rito houver anormalidades, haverá um resultado indesejado.

 

Para os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés, a vida material é consequência da vida espiritual. Quem outorga a vida opera no plano espiritual, onde legisla. Quem é deste plano e destrói a vida é porque desobedece a lei. O ser humano pode destruir a folha de uma árvore, mas é incapaz de reconstruí-la. Como adversário da vida pagamos o preço de guerrear contra ela. Como aliados da vida recebemos o prêmio do bem-estar, da homeostase.

 

Adaptando a sabedoria das tabas selváticas e trazendo-as para a selvas de pedra urbanas, aprende-se que na correria da busca por atender e nem sempre conseguir atender aos compromissos materiais, eclipsamos nosso lado espiritual, corrompemos nossos campos vibratórios, modificamos a naturalidade de nossas emoções e pensamentos, comemos errado, amamos errado, dormimos errado, submetemos nosso organismo a um pesadíssimo estresse, cuja resposta é o motim das células. “Não aguentamos mais, vamos protestar” – essa é a sua resposta, isto é a doença psicossomática, que representa mais de 85% dos diagnósticos totais.

 

Então, os velhos curandeiros, sacerdotes, xamãs e pajés, guardadas as proporções para ambiente, tempo e cultura, mesmo sem conhecer o diagnóstico, como hoje fazemos, tiravam de letra: “vendeu ou perdeu a alma”. Tudo, para os nativos, se passava na dimensão espiritual. Verdade essa que não foi revogada, mas nós, aculturados por ondas sucessivas de materialismo e mecanicismo, invertemos a lógica.

 

Eis que, então, na próxima postagem, prosseguindo nestes raciocínios, você lerá o que é a teoria da Roda da Cura.

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