sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

1680-A Ordem Rosa-Cruz




Cristo e a Ordem Rosa-Cruz

A prosperarem as teses sobre Ormus (primeiro século cristão) e das reencarnações de São José (pai de Jesus), torna-se plausíveis as ligações da Ordem Rosa-Cruz com Cristo, tenha si ela fundada ou refundada em qualquer época. De qualquer modo, seus conteúdos têm forte conotação com a doutrina original do Mestre Nazareno.

O Sermão da Montanha e todo o capítulo III de Mateus, onde estão os fundamentos do Discipulado Cristão são realçados no manifesto Rosacruz intitulado Confessio Fraternitatis já referido nesta série e é onde os rosacricianos se anunciam e reconhecem como professando verdadeira e sinceramente o Cristo Original (…) “viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã", como proclamam.

Deve-se notar que no segundo manifesto Confessio Fraternitatis, em 1615 é feita a defesa da irmandade, exposta no primeiro manifesto (de 1614), contra vozes que se levantavam, da sociedade, colocando em causa a autenticidade e os reais motivos da Ordem Rosacruz. Nesse manifesto, podem-se encontrar as seguintes passagens que demonstram a linha condutora do pensamento da irmandade: que o requisito fundamental para alcançar o conhecimento secreto, de que a Ordem se faz conhecer como possuidora, é que "sejamos honestos para obter a compreensão e conhecimento da filosofia"; descrevendo-se simultaneamente como cristãos, "que pensam vocês, queridas pessoas, e como parecem afetados, vendo que agora compreendem e sabem que nós nos reconhecemos como professando verdadeira e sinceramente Cristo" não de um modo exotérico. "Condenamos o Papa", no verdadeiro sentido esotério do cristianismo: "viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã".

É preciso levar em conta nesta exposição que os rosacruzes não se submetiam ao controle da Igreja, como também era o caso da Maçonaria e, por isso, recebiam pesadas críticas e até excomunhões. Hoje podemos afirmar de boa cheia que tanto rusacruzes como maçons fizeram um trabalho magnífico no resgate dos conhecimentos antigos, inclusive cristãos, coisa que a Igreja de Roma recolheu aos mosteiros e subtraiu do conhecimento dos seus fiéis muito mais interessada em limitar-lhes os horizontes para não perde-los em termos dos dízimos que acabaram por fazer da Igreja sediada no Vaticano a maior potência econômica multinacional do planeta.

O modo como são expostos os temas nos manifestos originais da Ordem Riza-Cruz e a descrição dos mesmos aponta para grande similaridade com o que é conhecido atualmente acerca da Filosofia Pitagórica, principalmente na transmissão de conhecimentos e ideias através de aspectos numéricos e concepções geométricas, bem como ocorre na Maçonaria.

A publicação dos manifestos provocou imensa excitação por toda a Europa. Foram feitas inúmeras reedições e circularam diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções do(s) autor(es) original(ais) dos textos, cuja identidade permaneceu desconhecida por muito tempo.

Em sua autobiografia, o teólogo Johannes Valentinus Adreae, que também aparece como grafado como Johann Valentin Andreae (1586-1654), declarou que o terceiro manifesto rosa-cruz, "Núpcias Químicas", publicado anonimamente, era de sua autoria e posteriormente descreveu o texto como um “ludibrium” (falso). É convicção de alguns autores que Andreae o teria escrito como se fosse o contraponto da Companhia de Jesus, que surgia como a linha dura da igreja num instante convulsivo das cisões protestantes. No entanto, esta teoria foi posteriormente contestada por historiadores, principalmente os católicos, que consideravam os documentos como simples propaganda ocultista, de inspiração protestante, contra a influência do bispo de Roma.

Os manifestos mostravam a necessidade de reforma da sociedade humana, do ponto de vista cultural e religioso, e a forma de atingir esse objetivo através de uma sociedade secreta que promoveria essa mudança no mundo. O texto "Núpcias Químicas de Christian Rosenkreutz", contudo, foi escrito em forma de um romance pleno de simbolismo e descreve um episódio iniciático na vida de Christian Rosenkreuz, quando já tinha 81 anos.

Em Paris, em 1622 ou 1623, foram colocados cartazes misteriosos nas paredes que davam para as ruas, mas não se sabe ao certo quem foram os responsáveis por esse feito. Estes cartazes incluíam o texto: "Nós, os Deputados do Alto Colégio da Rosa-Cruz, fazemos a nossa estada, visível e invisível, nesta cidade (…)" e "Os pensamentos ligados ao desejo real daquele que busca irá guiar-nos a ele e ele a nós".

A sociedade europeia da época, dilacerada por guerras, tantas vezes originadas por causa da religião, favoreceu a propagação destas ideias que chegaram, em pouco tempo, até a Inglaterra e a Itália.

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