sábado, 31 de janeiro de 2015

1681-A Ordem Rosa-Cruz




O que nos leva às ordens secretas?

A resposta é: o esoterismo. Explicando melhor. As doutrinas religiosas comuns de todas ou de quase todas as correntes, têm um discurso exotérico, aberto, pobre, alegórico, parabólico, isto é, superficial, falado por parábolas para melhor compreensão do que se chama povão. No geral, as igrejas querem suas naves cheias de povo. Isso se converte em prestígio e poder, influência política e grana no caixa. Para cooptar o maior número de féis contribuintes elas fazem qualquer negócio. Mais grave ainda é o aproveitamento recente em causa própria de que se valem os pastores e bispos das igrejas evangélicas. A busca de mandatos eletivos, que se tornou uma onda forte complementa a primeira questão: eles passam a negociar benesses nos parlamentos em troca do apoio de suas bancadas ao governante de plantão. E aí a corrupção se torna uma prática abençoada pelos seus deuses.

Por causa desses absurdos e do discurso pobre, desatualizado e fundamentalista, as pessoas que se cansaram da cantilena retrógrada dos pastores e padres, vão em busca de coisa mais profunda. A coisa mais profunda está nas mãos católicas confinada nos mosteiros e na biblioteca do Vaticano, de onde, quem sabe, jamais sairá. As outras igrejas mais novas nem isso têm. Sua única fonte é a Bíblia e elas usam cada frase e a adaptam segundo as circunstâncias que lhes favoreçam.

As ordens secretas, como é o caso da Rosa Cruz e da Maçonaria, entre outras, garimparam na profundeza que puderam atingir e recolheram muita coisa que disponibilizam não em praça pública e nem em templos de portas abertas. Para ter acesso há que adentrar aos templos de porta fechada há que conhecer a senha ou palavra de passe. Aí entra a cerimônia de iniciação. Com variantes, essas cerimônias são, em geral, marcantes na vida do iniciado. Um trote, como ao que se submetem os calouros dos cursos superiores, porém sem avacalhação, tudo dentro de princípios sagrados. Cristo também tinha seus iniciados aos quais falava noutro tom e profundeza, sem parábolas. O próprio evangelho cristão deixa isso claro em várias passagens. A mais elevada foi quando o Mestre foi ter com os espíritos de Moisés e Elias e convidou apenas três dos seus iniciados, evidentemente os mais aptos ao ato. Falo da cerimônia do Monte Tabor, a transfiguração (Mateus 17, 1-13).

Por todos esses motivos já enunciados, os primeiros e mais numerosos seguidores das ordens secretas são, geralmente, identificados como médicos, alquimistas, naturalistas, boticários, adivinhos, filósofos e homens das artes, acusados muitas vezes de charlatanismo e heresia, não pelo que faziam, mas por aquilo que os tornava livres dos controles dos poderosos e sempre a partir dos éditos e decretos de seus opositores. Acrescentam-se aos já citados também os advogados, os magistrados, os professores e, não raro, ex-padres.

Aparentemente sem um corpo dirigente central, essas ordens assumem-se como um grupo de "Irmãos" (confraria) num nível em que há disciplina com deveres e direitos, mas os designados para dirigir não possuem o poder sobre a ordem.

Tradicionalmente, os rosa-cruzes se dizem herdeiros de tradições antigas que remontam à alquimia medieval, ao gnosticismo, ao ocultismo, ao hermetismo no antigo Egito, à cabala e ao neoplatonismo. A Maçonaria não revela publicamente os conteúdos de seus ensinamentos. O que circula pela internet são fragmentos de tudo e assim mesmo fantasiosos.

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