sábado, 28 de fevereiro de 2015

1709-O processo das nações colonizadas


 
Um aditivo à ignorância e obstáculo ao regime comunista
A exemplo do cooperativismo, que só se consolida em situação de conhecimento e consciência da realidade do que é operar juntos, o comunismo, ainda não provado, talvez pudesse funcionar em sociedades com alto grau de escolaridade, distante do paternalismo, do clientelismo, do controle social, da repressão, da discriminação, como acontece. Em Cuba não há comunismo, há clientelismo, através do qual a casta do poder busca legitimar-se quotidianamente e não perde a oportunidade do uso da coerção para silenciar os descontentes.
Suas deficiências são a nomeação de leigos (ignorantes protegidos do partido) para a gestão de organismos complexos; a não fiscalização diferente do que ocorre nas sociedades anônimas e nas cooperativas por parte dos seus conselhos fiscais; o não controle acionário-eletivo (o dirigente é nomeado); a não cobrança por resultados que otimizem a gestão (os beneficiários nada recebem além de alguns minguados serviços); a repressão militar exercida sobre os setores da sociedade que possam discordar da orientação dos mandatários. Assim se define o regime de Cuba.
Aquilo que alardeiam os propagandistas do comunismo tratar-se do governo do proletariado, não ocorre. O que ocorre é uma ditadura, geralmente militar, que nem é do proletariado, é da cúpula partidária que usa o proletariado para garantir-se no poder.
Toda tentativa de contra argumentar, como algum arauto possa querer, isso só poderia ser válido se a imprensa pudesse revelar o interior do poder cubano. O pouco que se sabe revela como é a gestão comunista naquele país. A ignorância, aliás, não é obstáculo apenas ao comunismo, é obstáculo à democracia, ao socialismo, ao capitalismo, e muito favorável às ditaduras. Como o comunismo tem se apresentado ao mundo através de regimes de exceção, a ignorância o ajuda. Mas, também o deteriora com o passar do temo.
Em todos os campos da atividade humana, o empenho, o compromisso, a dedicação, o zelo, a responsabilidade, vêm acompanhados de resultados, sejam eles por pecúnia direta, dinheiro, salário, participação nos lucros ou seja sob a forma de outra recompensa: conforto, beleza, segurança, bem-estar, prosperidade. Nos regimes comunistas, o povo não conta (na realidade) com nenhum dos dois resultados; os dirigentes destacados para a gestão dos organismos governamentais não recebem bonificação, pelo contrário, a falta de controle os convida a tomar posse de resultados que são levados às suas contas particulares, uma porta aberta à corrupção.
Qualquer arauto do comunismo pode argumentar: no capitalismo também há corrupção. Sim, há, ela é beneficiada pela falta de controle, filha da ignorância. A rigor, regime nenhum é perfeito quando há ignorância. A informação liberta sempre.
Volto às cooperativas. Num tempo em que elas não eram controladas pelos associados, havia corrupção, roubo, falências, desmerecendo, inclusive o próprio modelo. Quando elas investiram na educação dos cooperados e estes passaram a dizer aos dirigentes e a cobrar dos mesmos o que queriam da cooperativa, elas se desenvolveram e hoje estão provando que os melhores resultados econômicos podem ser obtidos nas condições em que o capital e o trabalho atuem do mesmo lado: na cooperativa cada associado recebe pelo que produz usando-se o mesmo critério para todos.
Nos casos das nações colonizadas da América do Sul, em que o capitalismo selvagem levou a sociedade à pobreza extrema e a ignorância foi a mestra da dominação, a volta por cima nunca daria certo em regime que necessite de controle por parte da população: não daria certo o comunismo e nem o capitalismo chamado liberal ou neoliberal. Estas sociedades teriam de regredir ao modelo das comunas indígenas, em que cada tribo tome as decisões mais ajustadas a cada caso. Haveria um retrocesso? Sim, se comparar com os modelos da Europa Ocidental, do Japão, da Austrália. Mas, ali há instrução suficiente para fazer com que os governantes cumpram as leis. Descobertos em falta com a lei são punidos de imediato. Nas antigas tabas também o conselho de ancestrais mandava para o exílio o membro que faltasse com a ética. Quem se tornasse indigno da Pátria, perdia a sua Pátria, era banido. Quando os iguais decidem e também os iguais executam, torna-se mais difícil a corrupção. A corrupção prospera onde há expertos trabalhando para ignorantes, seja no capitalismo, no comunismo ou em qualquer outro regime.
Hoje, na maioria das prósperas cooperativas do Brasil qualquer associado está em condições de discutir sua empresa com relativo conhecimento de causa. Antigamente os associados eram surpreendidos com o passivo da falência de sua cooperativa e chamados ao sacrifício de pagar a conta.
Em países em que os expertos governam e os ignorantes referendam sua entrada no poder, também o povo é chamado a pagar a conta do desgoverno.
Nossa América do Sul vem, desde o colonialismo, envolta no processo turbulento de maus governos e cada dia mais distante do desenvolvimento pela excessiva ignorância das massas que outorgam o poder. Infelizmente.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

1708-O processo das nações colonizadas


 
O que é o modelo bolivariano

O socialismo bolivariano busca inspiração no líder latino-americano Simon Bolívar. Simón José Antonio de la Santíssima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco, foi um político e militar nascido em Caracas, em 1783, de origem aristocrática que, muito cedo, ficou órfão de pai e mãe e foi criado por familiares e orientadores intelectuais fora do núcleo familiar. Nisso se percebe uma predestinação.

Predestinado a liderar os povos latino-americanos, muito cedo se inclinou pela defesa do direito, das liberdades, da democracia e da autonomia dos povos, colocando-se à frente dos movimentos de independência de vários países do continente.

As distorções que podem estar incomodando Simon Bolívar no além túmulo, é o modelo ditatorial adotado por alguns governos ditos seguidores da democracia ou do socialismo bolivariano e a submissão dos interesses venezuelanos ao modelo cubano. Bolívar não era um ditador e não era um comunista. Alguns governos bolivarianos mantêm prisioneiros políticos e fazem a censura aos meios de comunicação. Praticam a corrupção que era denunciada e combatida por Bolívar.

Na organização do chamado Foro de São Paulo (FSP), fundado pela coalisão de governos bolivarianos, em 1990, num seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil, juntamente com o cubano Partido Comunista de Fidel Castro, ficam evidentes algumas ligações com organizações terroristas que certamente não caberiam no estilo político de Bolívar. Para o seminário foram convidados outros partidos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe para discutir alternativas às políticas neoliberais dominantes na América Latina e promover a integração econômica, política e cultural da região.

Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas participam dos encontros. As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos socialdemocratas, extrema-esquerda, organizações comunitárias, sindicais e sociais ligadas à esquerda católica, a grupos étnicos e ambientalistas, a organizações nacionalistas, partidos comunistas e, mesmo, grupos terroristas, como a FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Quando se fala em FARC, fala-se obrigatoriamente de tráfico de armas e de drogas, atividades que este grupo colombiano elegeu como fontes de renda para custear suas atividades clandestinas.

Pior do que isso, traz à tona práticas perigosas desses governos pouco ou nada democráticos, como revela o livro “A vida secreta de Fidel Castro”, escrito por seu guarda-costas com 17 anos de convivência com o líder máximo do comunismo americano. Está escrito lá: em 1989, depois de denunciada internacionalmente uma operação de tráfico de drogas ligado ao governo de Castro, coube ao próprio Fidel entregar seu principal general, condecorado como “herói da Pátria”, que foi levado ao paredão, chamado Arnaldo Ochoa. Pareceu um ato exemplar do líder cubano, mas, na verdade, ele sabia detalhes das operações e guardava em seu cofre o resultado delas, segundo Juan Reinaldo Sánchez, autor do livro citado. Ochoa foi traído por Castro.

“Se apenas um homem fosse necessário para sustentar o Estado, esse Estado não deveria existir; e ao fim não existiria.” Pode caber no caso de Cuba em que o país é o Estado.

“Juro por Deus, juro por meus pais e juro por minha honra que não descansarei enquanto viver até que tenha libertado a minha pátria.”

“Como amo a liberdade tenho sentimentos nobres e liberais; e se costumo ser severo, é somente com aqueles que pretendem destruir-nos.”

“Os legisladores precisam certamente de uma escola de moral.” Na maioria dos países ditos bolivarianos o legislativo foi substituído por conselhos populares integrados por membros do PC. Dilma Rousseff caminhou nesse sentido e foi barrada pelo Legislativo.

“Fugi do país onde um só exerce todos os poderes: é um país de escravos.”

“Todos os povos do mundo que lutaram pela liberdade exterminaram no final a seus tiranos.”

“Compadeçamo-nos mutuamente do povo que obedece e do homem que manda só.”

Todas essas frases entre aspas são de autoria de Simon Bolívar. Peço ao leitor que tente buscar alguma semelhança entre os governos bolivarianos da América do Sul e Central com o pensamento do grande libertador.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

1707-O processo das nações colonizadas


Os sonhos de virada

O pior de todos os capitalismos foi o que sobrou para os países colonizados das Américas do Sul e Central, mas não só, também da Ásia e da África. As riquezas iam (ou ainda vão) embora, engordam as contas de alguém distante, enquanto o analfabetismo, o subemprego, a miséria, a doença, o degredo, vão ficando com a “colônia” e geralmente com seus governos da pior qualidade, sem democracia, sem alternância no poder, com corrupção, com populismo, com patrimonialismo. O temeroso processo do Estado Islâmico (por exemplo) tem suas raízes fincadas nas décadas de dominação ocidental sobre os países petrolíferos.

A guerrilha que existe na América do Sul (FARC e outras) muito se assemelha ao modo de agir dos terroristas islâmicos e a motivação é a mesma. No Oriente Médio agravado pelo fundamentalismo religioso.

De um modo geral, através do rádio, do cinema e da televisão (e mais recentemente da Internet) vem surgindo a reação desde a metade do século XX em diante; começaram aparecer as primeiras lideranças reacionárias, em geral com formação na Europa e geralmente com ideias esquerdistas e comunistas, ancoradas nos ideais de Marx e Engels e graças às experiências chinesa, russa e cubana de governo comunista. Para uma doença crônica, um remédio avassalador. Fomos de um a outro extremo, mesmo sem ter certeza que o comunismo era o remédio. E pior ainda quando se elege o terror como arma de conquista do poder.

O primeiro país da América a se transformar numa ditadura comunista foi Cuba, bem à sombra dos Estados Unidos, que é o maior exemplo de nação capitalista e democrática, cujas consequências foram dolorosas: rompimento de relações, ameaças e tentativas frustradas de invasão, boicote comercial, guerra fria.

Por influência de Cuba, outras nações viram o crescimento dos partidos chamados de esquerda e em paralelo (nas fases mais obscuras das ditaduras de direita) vieram as formações de grupos clandestinos reacionários do contra, geralmente treinados em Cuba.

Eram e são facções que sonham com uma virada de 180 graus. Vão de um extremo ao outro. E em geral, a experiência não tem sido boa, como ainda abordaremos nesta série ao examinar alguns resultados temerários.

Toda dificuldade nesse terreno corre novamente por conta da ignorância. Não se conhece e não se divulga o que acontece no núcleo de poder dos governos comunistas, notadamente em Cuba, que serve de modelo mais próximo a muitos outros países devastados pelo capitalismo selvagem.

Os sonhos de virada não podem ser pesadelos. Precisa surgir lideranças propondo um novo modelo nem selvagem capitalista nem comunista e assim aproximar os interesses de empresários e trabalhadores e para retirar do Estado a sua função empreendedora industrial-comercial. Estamos querendo importar modelos alienígenas que não deram certo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

1706-O processo das nações colonizadas


 
Não se pode creditar tudo à espiritualidade

A condução da análise, nesta série, deixa transparecer que há uma conspiração do universo, as trocas de era, as energias comandando as tendências. É isso mesmo. Há, porém, um detalhe, que passa a ser enfocado através de uma seguinte metáfora.

Se você perguntar a um pescador se as fases da Lua interferem positiva e negativamente nas suas safras, ouvirá dele: SIM.

Pensemos então que uma era positiva seja sucedida por outra, negativa, e que seja nos tempos de baixa que as nações aprendem a se tornar mais competentes para superar as dificuldades, assim como o pescador precisa mostrar sua competência para pescar, matar a fome, mesmo que a fase da Lua não lhe seja desfavorável. Vale para todo um povo ou nação.

Então, vamos além. Tomemos a hipótese de que a fase boa da Lua chegou, mas o pescador não armou a rede, não jogou o anzol à água. O peixe não pula para dentro do seu bornal. Com a nação dá-se o mesmo.

Este é o aspecto ligado à vontade do povo, à decisão do povo, à qualidade de seus líderes, à escolha de seus líderes. Sempre se soube que cada povo tem o governo que merece. Uma má escolha pelo povo ou uma não reação do povo para afastar uma má liderança, a sua conformação, a sua resignação, a sua covardia, a sua falta de vontade, a sua inapetência atua com o mesmo resultado que teria o pescador que não pescou quando a condição era favorável.

Não se pode creditar tudo à espiritualidade em nenhuma situação sobre os temas que enfoca este blog, seja para obter uma graça individual, seja para mudar os destinos coletivos de uma nação. “Ajuda-te que o universo te ajudará”, é um ditado popular cheio de virtude. Nenhum apostador da megasena será premiado se não apostar. Nenhum agricultor fará colheita se não plantar.

Parece ficar clara, pois, a reação de um povo, no caso, do povo latino-americano, se quiser mudar seu destino e aproveitar os bons fluidos da nova e boa era que já começou e vai perdurar pelos próximos 500 e poucos anos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

1705-O processo das nações colonizadas


O que é diferente nos Estados Unidos
 
Mesmo que na América do Norte tenha havido escravidão e exploração do explorador para com o explorado, mesmo que tenha havido guerra civil com foco na escravidão, ali o imigrante era um empreendedor que foi para lá para ocupar o território como alguém que queria fundar ali uma nação, uma civilização, e nela permanecer e desenvolver-se. Foi a diferença. Na América do Sul o empreendedor (ave de rapina) quis e fez riqueza e retornou para o país de origem; os que ficaram não se importaram com o equilíbrio entre recursos humanos e naturais, exclusivamente voltados para a fortuna. Nem mesmo se interessavam pela independência. Criaram um abismo entre ricos e pobres, entre raça branca e demais raças.
Nos EUA, muito cedo aqueles fundadores declararam sua independência e promoveram sua descolonização não só política, mas também econômica, fundaram uma sólida democracia, nunca passaram por ditaduras, investiram em escolas, criaram as condições (ainda que não as ideais) para que empresários e trabalhadores pudessem se relacionar e impulsionar o desenvolvimento da nação.
Nunca, nos Estados Unidos, como na América do Sul e Central, um governante ficou no poder por anos a fio; nunca um governante enriqueceu às custas dos recursos do país; a cada quatro anos, em eleições diretas de livres (ainda que não seja num processo ideal) troca-se o dirigente; a corte de justiça funciona; e o legislativo legisla não em causa própria como em muitos países das Américas do Sul e do Centro.
Essas condições existentes nos Estados Unidos e no seu vizinho Canadá não caíram dos céus, não foram doadas por nenhum governante ou por nenhum deus salvador, foi o povo que conquistou e manteve. Em princípio, o governante não é o Salvador da Pátria, como ocorre nos países dos demais continentes americanos. Na terra de Tio Sam o povo faz a Pátria acontecer. E faz o governante se comportar como quer o povo. Basta recordar a questão Watergate, em que o presidente (Richard Nixon) foi afastado em poucas horas e o vice (Gerald Ford) terminou o tempo constitucional do mandato. Eis a diferença. Eis o estágio de consciência daqueles povos (estadunidense e canadense) em comparação com os nossos povos da latino-américa.
No caso do Brasil, já por mais de uma ocasião tem aparecido salvadores. E o povo se agarra nas suas vestes à espera de salvação. Foram os casos de Jânio Quadros, que renunciou; de Collor de Mello, que foi cassado; de Lula da Silva, a ser julgado pela história (ou pelos tribunais). Já se está caminhando para um novo salvador.
O essencial na América o povo não faz: dizer e exigir dos governantes o que queremos, de fato.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

1704-O processo das nações colonizadas


Governos corruptos e movimentos anticoloniais

Boa parte da população, em alguns países, talvez, a maior parte dos oprimidos pelo colonialismo capitalista selvagem pertence, exatamente, às parcelas populacionais que se poderiam identificar como nativas, os índios e pardos mestiços, sem descartar os negros e os seus descendentes das miscigenações havidas.

Os governos anteriores aos episódios de independências havidas na América, cumpriam ordens da matriz e serviam a interesses obscuros de exploradores apoiados pela matriz, com a participação de piratas a serviço de outras potências concorrentes. Os governos que se seguiram à independência, na maioria dos casos, vieram ao poder através de golpes apoiados por militares com formação nas escolas opressoras do colonizador. Por uma questão de estratégia, os movimentos e partidos reacionários à dominação colonial e aos modelos pós-coloniais foram trabalhar as camadas pobres da população notadamente na América do Sul. Então para cativar simpatizantes era necessário desconstruir o acervo cultural vindo da Europa/EUA e incentivar tradições ditas nativistas, valores de cultura quase esquecidos. Isso ganhou nome de nativismo, tribalismo, algo semelhante ao que os nativos conheceram no interior de suas tabas, um autêntico comunismo (diferente daquilo que Marx pregou). Na postagem 1703 eu falo do gaúcho autêntico, esse também um nativista, um tribalista, nacionalista, libertário.

Se o opressor tivesse sido a Rússia, certamente a reação teria sido nas asas do capitalismo.

Tornou-se natural a reação ao capitalismo e o apoio Europa/Estados Unidos dado aos ditadores entreguistas. O país mais democrático das Américas apoiou de todos os modos as ditaduras de direita – muitas delas sanguinárias por exclusivo interesse econômico.

A desconstrução deu causa a uma intensa movimentação que foi alcançar inicialmente os rurais (até porque antes de 1970 mais de 80% das populações eram rurais). No Brasil tiveram lugar as Comunidades Eclesiais de Base, trabalhadas com o apoio da Igreja Católica, à sombra de algumas teologias cristãs, entre elas a da Libertação que pertenceu ao padre Leonardo Boff. Mais tarde, os movimentos chegaram também aos trabalhadores urbanos valendo-se de algumas pastorais. Mas, a igreja caiu fora, puniu alguns padres e bispos de esquerda, silenciou Leonardo Boff, mas já era tarde. No Brasil e em alguns países católicos, estavam lançadas as bases com raízes em Cuba, que proporcionaram o nascimento, por exemplo, do MST, do PT e de outros movimentos de inspiração comunista e, pasmem, muito ateus e com nada de inspiração nativista, tudo importados da Europa.

Nos países como a Bolívia, a Venezuela, o Chile, a Argentina (aqui um pouco diferente como veremos adiante), não foi muito diferente do ocorrido no Brasil. Um regime militar implantado em 1964 para interromper o que os militares enxergavam em Jânio Quadros e João Goulart como uma ameaça à democracia e ao capitalismo, perseguiu ativistas comunistas, processou-os, condenou-os, prendeu-os, executou-os e exilou-os. Mas, no caso brasileiro, diferentemente do que ocorreu em outros países do continente, o governo militar atuou como transição entre o capitalismo selvagem nada democrático da velha República, que a ditadura populista de Vargas e os governos populistas de JK, Jânio e Jango não combateu, para desembocar na novíssima República (1988) que caminhava para as eleições diretas com um dissimulado discurso socialdemocrata. Podia ser um discurso hipócrita, como de fato era, mas trazia para a cena política, o tema socialista. Não mais comunista, mas a meio pau.

Nos países vizinhos o fim das ditaduras não veio com aberturas graduais, nem como anistia ampla e os contrastes foram mais traumáticos. A exceção parece pertencer à Argentina, onde a democracia retornou mofada pelo peronismo. Comparando, seria o mesmo que Jânio e/ou Jango de retomo aqui ao poder em 1992.

Aqui a anistia ampla e restrita trouxe de volta do exterior e/ou tirou da cadeia os excluídos contrários ao regime militar e quase todos vieram ocupar cargos importantes, mediante voto, na nova política do Brasil.

Enquanto isso, em Cuba, Fidel Castro orquestrava aliados, treinava militantes e financiava atividades que nem os dominadores de direita e nem as massas trabalhadoras dominadas conheciam. João Pedro Stédile é um dos mais destacados monitores dessas milícias e dessas atividades.

Um pouco depois, nos países nossos vizinhos ao desaparecer a figura emblemática de Che Guevara, ressuscitou-se Simon Bolívar, como modelo de pensamento político chamado socialismo bolivariarano.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

1703-O processo das nações colonizadas


Um reconhecimento aos gaúchos

De que gaúcho estou falando? Certamente não diretamente de todos os habitantes do Rio Grande do Sul. Sim, porque existem gaúchos no Uruguai e na Argentina. A adoção do gentílico “gaúcho” e sua extensão a todo morador do Rio Grande do Sul foi um desserviço à cultura e um crime de lesa pátria aos verdadeiros membros da cultura que identifica com o gaúcho primordial o mestiço filho de índias viúvas da Guerra Guaranítica.

Esse ser das pradarias, que aprendeu a lidar com o cavalo e com o boi, herdou dos guarani e dos charrua uma cultura de valor à terra, uma espécie de nacionalismo tribal voltado para espantar todo sujeito invasor.

Essa cultura chegou às cidades e em 1945, quando acabou a II Grande Guerra, os Estados Unidos haviam reservado para si a América Latina. Com apoio do rádio (que nascia), do cinema (que nascia) e da imprensa e literatura, preparava uma grande invasão cultural que, de fato, perpetrou. Mas, eis que os gaúchos disseram “NÃO”. Aqueles gaúchos autênticos (tira fora o gentílico) tinham entre seus descendentes alguns universitários estudando em Montevidéu, Buenos Aires, Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria... O que se viu foi uma reação em cadeia nos territórios que hoje se chama Pampa. No Brasil o movimento se chamou Centro de Tradições Gaúchas, cuja finalidade, entre muitas outras, era combater a invasão cultural estrangeira, principalmente a invasão cultural porque esta é a senha para a entrada no restante do patrimônio do povo invadido. Atrás da invasão cultural vem a linguagem, os valores, a fé, a música, as preferências, os costumes, os usos.

Por conta dessa reação, os gaúchos autênticos são reacionários. Leonel Brizola foi o exemplo político disso. E por conta da reação à invasão estrangeira, nesse caso efetuada pelo imperialismo capitalista, os reacionários, não raro, são da esquerda.

A maioria dos governos esquerdistas em países das Américas (Cuba é o exemplo máximo) é de esquerda.

Agora, leitor, leitora, você já pode dizer que conhece uma parte das origens desse jeito rebelde, provocador, reacionário, libertário, que os gaúchos deixam transparecer. A escola vem dos anos 1790-1840 quando ainda percorriam os campos do Pampa o autêntico gaúcho primacial.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

1702-O processo das nações colonizadas


De onde vem o colonialismo?

O colonialismo vem de priscas eras em que ao invadir outro país o invasor tomava seu povo como refém e o escravizava com o intuito de apoderar-se do resultado de seu trabalho e das riquezas de seu solo. A história registra isso em épocas tão distantes que nem havia escrita para registros. Colonialismo define-se como a política de exercer o controle ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo externo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertencia, contra a vontade dos seus habitantes que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos políticos que detinham.

O termo colônia vem do latim, designando o estabelecimento de comunidades de romanos, geralmente para fins agrícolas, fora do território de Roma. Ao longo da história, a formação de colônias foi a forma como o ser humano se espalhou pelos espaços recém descobertos do planeta. Foi assim que todas as áreas exploradas pelas nações mais antigas se fizeram colônias.

A exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados — incluindo a sua população, quase totalmente aniquilada, como aconteceu nas Américas, ou transformada em escravos que se espalharam pelo resto do mundo, como aconteceu com a África — teve como consequência posterior movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua independência, num processo denominado descolonização. O fim destes impérios coloniais ocorreu em meados do século XX, praticamente só depois da II Grande Guerra e por pressão da recém criada ONU.

Da Idade Média à Revolução Industrial e um pouco depois, inclusive, países como Inglaterra, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Holanda foram os grandes colonizadores do planeta, mas não só. Entre os asiáticos também temos exemplos de colonização. Muito da riqueza de alguns desses países citados se deve ao que eles retiraram do trabalho e das riquezas naturais de suas colônias. Especialmente Portugal, a partir do momento em que não contou mais com as riquezas levadas do Brasil, entre outros, empobreceu e hoje é símbolo do Terceiro Mundo na Europa do euro.

A serviço do Império Romano a Igreja Romana colaborou nas tarefas colonizadoras e ela própria foi beneficiada pelo colonialismo na medida em que obrigava os povos conquistados pelos impérios que apoiava a se converterem à religião católica e à língua do conquistador.

Hoje, quando se condena o escravismo e o trabalho infantil, por exemplo, é parte dos passos avançados dados por esta civilização que menos de dois séculos atrás exercia o colonialismo e se servia da escravidão. Ao se preocuparem com a Amazônia pelo que ela representa como pulmão e reservatório d’água do planeta, também isso é parte dos passos avançados dados por esta sociedade que alguns séculos atrás levou toda a reserva de pau brasil do Nordeste brasileiro, devastando-o e transformando-o no árido que hoje é.

Com a evolução da civilização e do direito internacional, ainda virá o tempo em que os colonizados recorrerão às cortes internacionais reivindicando alguma forma de indenização. O Brasil, que explorou o Paraguai por muitas décadas, após a guerra de 1865/70, instalou e doou àquele país uma Universidade como gesto de desculpa.

Toda a prata da Bolívia, uma montanha chamada Potosi, foi levada clandestinamente para a Europa, graças ao trabalho escravo dos nativos, ao transporte inicial por lombo de mulas e aos navios que partiam de Cartagena para endereços oficialmente desconhecidos. Quem vai indenizar a Bolívia? Quem vai indenizar o Brasil pela perda do pau brasil? Esses são apenas mais alguns exemplos entre muitos.  

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

1701-O processo das nações colonizadas


O que é ser colônia

Encenemos uma metáfora. Durante séculos vivíamos confortavelmente sobre uma terra de abundância em tudo: água, madeira, animais, pedras preciosas, petróleo, minérios estratégicos, frutas, terras férteis... Mas, por razões especiais nem dávamos tanta conta dessas riquezas, nem sabíamos de sua existência na íntegra. De repente, chega pelos mares um pessoal agressivo, aprisiona ou assassina nossos líderes, nos põe escravos e começa a trazer mais gente por mar e a explorar nossas terras e muitas daquelas abundâncias já citadas.

O explorador é mal intencionado, abusa de nossas mulheres, utiliza de armas que não conhecemos e traz consigo de além mar ajudantes também violentos e vão tomando conta de tudo.

Com o passar do tempo, o governo de além mar traz mais gente, que chama de imigrantes e vão abrindo lavouras, criatórios, fundando vilas, abrindo estradas e ferrovias, construindo usinas, mineradoras, serrarias, abatedouros e vão explorando e também levando embora nossas riquezas através dos portos.

Só muito tempo depois é que os filhos dessa nação colonizada se dão conta de que estão sendo explorados em seus recursos humanos e naturais, enquanto a riqueza, que é nossa, não fica conosco, é levada embora. Enquanto isso, a pobreza, o analfabetismo, a doença, é o que fica como saldo para nós. Onde esses filhos conseguiram se organizar, houve a libertação, a independência política, mas não a interrupção do processo exploratório e nem a descolonização econômica. Esses processos vieram se arrastando até 1980. As terras, minas e reservas continuavam sob o domínio dos exploradores e a exploração dos seres humanos e da natureza prosseguia, ainda prossegue.

Causas principais disso: o principal fator é cultural. A dominação criou um sentimento de inferioridade. Chegamos ao ponto de dar mais importância e valor aos produtos importados com desprezo daquilo que era nosso.

A dominação cultural implantou, com caráter universal, os valores da chamada “civilização ocidental cristã”, apregoada como a melhor, a única, a verdadeira, esquecendo que os ingleses, franceses e alemães ainda vestiam-se com peles e comiam carnes cruas quando os egípcios, mexicanos ou peruanos já haviam desenvolvido as suas civilizações urbanas avançadas e calendários com maior precisão que o gregoriano deles. Mas, tem mais: o empreendedor vindo de fora para cá é o aventureiro interessado em riquezas, sem compromisso com a nação que o recebe; as pessoas que ele traz para ajudarem-no na escravização são também aventureiras, em geral saídas das prisões, alforriadas, acostumadas a lidar sob maus tratos e a aplicar maus tratos; a massa trabalhadora, sob a condição de escravos, composta dos nativos daqui ou trazida da África, não recebe apoio educacional, não sabe ler e escrever, nada conhece de outra realidade melhor e se deixa levar.

É assim que um povo se submete, é explorado, entrega sua terra, sua identidade, sua língua e chega ao limite de ser considerado povo de terceira classe, uma escória, ficando implícito que o dominador é superior. Isso tudo perdura mesmo depois do dominado conquistar a independência política em relação ao colonizador. E continua a submeter-se a manobras populistas e paternalistas de partidos e governos que atuam numa semidemocracia como a nossa. Como explicar isso?
A explicação, no caso das Américas, parece ser clara. Se as eras se prolongam por cerca de 500 anos, a virada está chegando. Pode-se acreditar? Devemos acreditar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

1700-O processo das nações colonizadas


Uma era depois de outra era

Todos os nossos estudos sobre todos os povos antigos e nativos estudados indicam que esses povos conheciam as passagens de eras, do mesmo modo como nós conhecemos a existência, hoje, da Era de Peixes, da Era de Aquário e assim por diante.

Hoje se pode saber, do ponto de vista espiritual, que as principais civilizações do planeta receberam elevadas contribuições de espíritos superiores para encaminharem seus processos. Foi assim com os egípcios, cujos iluminados faraós estavam além da capacidade do seu povo; foi assim com os maias, com os astecas, com os incas e certamente com outros povos, como o povo judeu, que recebeu Jesus e infelizmente o negou.

Quando os espanhóis, em absoluta minoria numérica, chegaram ao Império Inca, no Peru, os incas já os esperavam e nem ofereceram resistência na proporção esperada. Por que? Porque os seus sacerdotes conheciam o fechamento de uma era que, a cada quinhentos e poucos anos, oferecia um tempo altamente favorável e na sequência outro tempo altamente desfavorável.

A mesma teoria viria explicar porque civilizações de elevada qualidade desapareceram do planeta, sendo os exemplos mais próximos os das civilizações egípcia, maia e inca. O que se deduz é que foram retirados os seus líderes. Sem a liderança a motivá-las, essas e outras civilizações regrediram. Os povos subsequentes já não alcançaram as mesmas conquistas porque caíram sob a influência de lideranças sofríveis.

Entenda-se que os ciclos trazem avanços e estagnações. A América ameríndia foi alcançada pelos colonizadores em 1492 num momento de recessão, agravada pela introdução da língua, dos costumes e dos deuses alienígenas. A unidade foi perdida e ainda hoje não foi alcançada.

Em tempos de estagnação (recessão), os condutores da nação se afastam do sagrado e dão valor excessivo ao profano. Do ponto de vista espiritual ficam explicadas, no Brasil, por exemplo, as participações de Getúlio Vargas (15 anos no poder) e Juscelino Kubitschek (5 anos no poder), dois governantes que proporcionaram grandes avanços (profanos) ao país, gravemente piorado com a ascensão de Lula, à frente de um partido comunista ateu e materialista.

Ainda do ponto de vista espiritual ficariam de certa forma explicadas as chegadas dos colonizadores para intervirem nos destinos das nações que colonizaram, como citaremos. São as experiências vivenciadas por países como o Paraguai (com Alfredo Stroessner – filho de brasileiros que o dirigiu por longos 35 anos); foi o caso da Argentina, dirigida por Juan Domingo/Evita Peron por longos dez anos; do Chile, dirigido por Augusto Pinochet durante 17 anos; de Cuba, dirigida por Fidel Castro durante 32 anos; do Haiti, dirigido por ditadores sanguinários com a exploração do vodu para se manterem no poder por mais de 40 anos; e assim há inúmeros outros casos de países e outros casos de governantes em períodos mais curtos, porém decisivos para a história da marcha dos seus povos. Podemos crer que até mesmo o folclórico José Mujica teve sua quota em relação ao seu Uruguai.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

1699-O processo das nações colonizadas


Introdução

Olá, leitores que moram na Latino-américa. Esta série quer examinar o processo desta região não só a partir da pesada narrativa histórico-política-social-econômica-militar, mas tentar interpretar tudo sob a visão espiritualista com foco no carma, no darma, nas experiências de espíritos chamados para desempenhar aqui seus papéis melhorando ou piorando esse desempenho. Há um lado espiritual em tudo. O blog quer incluir os libertadores da América, os aprisionadores da América, quem sabe até chegar ao simpático cardeal Bergoglio, que hoje ocupa a cadeira de Papa no topo da igreja que mais influenciou a formação espiritual dos latino-americanos. Os espíritos que encarnam numa das Américas estão levando adiante o seu processo. Vamos olhar com isso com carinho.
Já fomos chamados de habitantes do Terceiro Mundo, diante de uma realidade que colocava os países de ponta (EUA e URSS) em primeiro lugar (Primeiro Mundo), colocava em segundo lugar os países industrializados (Europa Oriental e Ocidental, Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – Segundo Mundo) e amontoava em terceiro lugar as nações pouco evoluídas, com regimes totalitários ou não e geralmente pobres e miseráveis, comparados a cidadãos de terceira classe (Terceiro Mundo). Toda a América Latina e toda a África, entre outros, estavam nesta classe. Será que não estão mais?
Mais tarde, para suavizar o termo chocante, mudaram a denominação para Países Em Desenvolvimento e mais recentemente para Países Emergentes.
Afinal, o que é desenvolvimento? Com base num método chamado IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, chega-se às medidas, aos índices, e descobre-se quem tem teto, comida, saúde, esgoto, energia, telefone, asfalto, etc., tudo numa visão exclusivamente ocidental e urbana sem nunca perguntar “sois felizes” e decreta-se: “aqui temos ou aqui não temos DESENVOLVIMENTO HUMANO”. E nem mesmo se questiona O QUE É SER HUMANO.
Só para ilustrar, conhecemos a questão (recente) CHARLIE HEBDO, centrada no jornal semanário francês que usa e abusa de charges ofensivas ao profeta Maomé e que sofreu um atentado perpetrado por terroristas islâmicos em defesa da honra da sua religião. Quem é menos humano, os chargistas ou os terroristas?
O que você faria se a revista Veja abrisse manchete de capa: “Jesus era gay”? E o faria com base em alguns fortes argumentos: para sua época, Jesus foi apresentado como cabeludo (os homens da época não o eram; foi apresentado como solteiro (os homens da época se casavam). Abrir-se uma discussão sobre um determinado tema e evoluir no conceito, é uma coisa; marcar posição fundamentalista, é atraso.
Na verdade, as nações chamadas terceiro-mundistas são as que estiveram por longo período como colônias das principais potências como Inglaterra, França, Alemanha, e das não tão potenciais porque empobreceram muito, como Portugal e Espanha. Pior para quem esteve sob o taco da bota dessas dominadoras que eram pobres na mente e ficaram pobres no cofre.

Como definir o colonialismo selvagem? Grosso modo, é a escravidão disfarçada. Como definir o Terceiro Mundo? Grosso modo, é o quintal pobre do planeta rico. Mais que quintal, é a mina, a lavoura, o curral, a floresta, o lixão, a mão de obra escrava ou quase. Isso veio assim até um determinado momento em que o Terceiro Mundo passou a ser um rico mercado para as manufaturas industriais. A matéria-prima vai daqui, recebe acabamento industrial lá fora e volta como manufatura para ser consumida aqui.

Como esta série se obriga a entrar em temas político-econômicos e, de certa forma, também, ideológicos, religiosos, quero deixar muitíssimo claro, antes de tudo, que o objetivo é a busca da maioridade espiritual, o que nos obriga a compreender o processo pelo qual estas nações têm de passar, estão passando, e nos convida compreender e trabalhar para sua evolução, o que nos impõe proporcionar condições a que os povos colonizados enxerguem a sua emancipação e queiram se emancipar. A emancipação não vem de fora. Os negros escravos do Brasil não foram libertados pelo decreto da princesa Isabel, eles conquistaram sua libertação. Infelizmente, os que pensam diferentemente, continuam escravos.

Mas, o processo de libertação teve percalços. Vou lhes contar uma breve história: em 1888 quando a princesa Isabel assinou o decreto acabando com a escravidão, os escravos compreenderam que morreriam de fome e acabaram voltando aos mesmos locais para oferecerem-se para trabalhar em troca de comida e cama. Triste realidade? Sim, certamente.

Teremos de passar pela carga brutal imposta pelos regimes ditatoriais, pela absurda rapina que nos foi imposta sobre as nossas riquezas? Essas nações dos últimos descobrimentos, mais tarde pela reação das esquerdas, pela tomada do poder da ultra direita em sucessivos golpes de estado, pela marcha democrática que ainda não se consolidou de um todo, têm de ver como fica seu futuro diante da ameaça comunista bolivariana.

Preparem-se, leitores, esta série é um dos mais provocantes desafios. Caminhemos juntos, aprendamos juntos, cresçamos juntos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

1698-A festa da desobediência


O carnaval II

Há um lado fenomenal no carnaval das escolas de samba do Brasil: o orgulho afro. Tivemos tempos obscurecidos na vida social e econômica (ainda temos) do Brasil e a pecha se esparramou: os negros são descendentes de escravos. E isso joga a autoestima lá para baixo. Na verdade, os negros descendem de uma civilização que originalmente era mansa e prestativa e se tornou escrava, foi escravizada, não são escravos, se tornaram (por contingência da violência escravagista) escravos. Deixaram de ser. E através de suas escolas de samba vão para a passarela dar o seu show. E a imensa maioria nada recebe por isso. É voluntária. Por amor a uma bandeira que muitas vezes se confunde com a bandeira do Brasil. Esse orgulho afro, literalmente, explode na passarela. Se por circunstâncias socioeconômicas brasileiras o negro ainda é olhado e tido como um cidadão inferior, ao menos naquele desfile carnavalesco ele é o centro das atenções do Brasil e do mundo. Claro, a quarta-feira de cinzas pode trazer uma ressaca e a realidade de acordar numa favela com todos aqueles problemas que ali ainda existem. Mas, o negro tem provado no carnaval e pode provar também nas demais ocasiões e áreas, que é tão ou mais competente que aqueles que o submeteram e o discriminam. Ao menos não é sectário.

O carnaval, e as autoridades sabem disso, é um período complicado para uma série de eventos que se tornam lamentáveis nas áreas da saúde, da ordem, da segurança e até das finanças: roubos, bebedeiras, sexo liberado, transmissão de doenças, drogas, gravidez indesejada, acidentes, assassinatos.

Talvez o lado mau desaconselhe o lado bom, mas há muito dinheiro envolvido e a discussão nem começou ainda. Do mesmo modo que nem começou a discussão envolvendo o futebol profissional, as vantagens e desvantagens de ele existir.

Dá de tudo no carnaval. Veja isso. Uma mulher identificada como Jan Cleide, 32 anos morreu durante ato sexual com o companheiro, policial militar, Adelson Santos, de 43 anos, em Manaus. De acordo com publicação do Jornal O Maskate, o casal estava em um motel da zona sul da cidade, quando a mulher “explodiu” (literalmente) e começou a sofrer intenso sangramento por todos os orifícios da cabeça. Passou mal e começou a esguichar sangue por todos os lados, manchando até o teto do quarto. Adelson disse ao jornal, que ligou para a recepção, mas a companheira morreu em minutos, antes da chegada do socorro. Em desespero o PM foi até a casa da família da mulher explicar o fato, mas terminou sendo preso sob suspeita de assassinato.

Adelson insistia em dizer que era inocente e que a moça, sem que ele fizesse nada, “explodiu” durante o ato sexual. Ninguém acreditava no PM. A polícia foi até o motel e, no local, descobriu a farda completa de Adelson, roupas, documentos e o corpo de Jan que estava estirado no chão.

O policial só foi solto depois que saiu o laudo do Instituto Médico Legal, que apontou como causa da morte um acidente cardiovascular (AVC) externo. Houve uma hemorragia tão forte que as veias da cabeça da mulher não aguentaram a pressão e, de fato, explodiram.

Não querendo tripudiar, mas tomando-se o sacrifício de Jan Cleide como parâmetro, a nossa sociedade também explode e se esvai perigosamente durante o tríduo de momo.

Termina aqui nossa conversa carnavalesca. Amanhã o Brasil precisa acordar sóbrio.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

1697-A festa da desobediência


O carnaval I

De algumas décadas para cá, no Brasil, o carnaval ganhou investimentos públicos e privados, virou festa para turista ver e hoje é um dos eventos mais caros do mundo, depois da Copa da Fifa e das Olimpíadas. Mas, lá no passado, os controles, as perseguições, as repressões, o moralismo exercido pelas autoridades civis e religiosas fizeram com que os povos tivessem medo dos castigos impostos a toda liberalidade. Aí tem origem as máscaras.

A festa existiu desde muitos milênios, em princípio, para louvor à natureza pela abundância das colheitas e acontecia no intervalo de um plantio e próxima de uma colheita. Louvava o que havia recebido e augurava o que esperava receber da próxima vez.

Alguns autores atribuem as primeiras manifestações relacionadas ao ritual do carnaval a civilizações antigas, na Mesopotâmia, na Grécia e em Roma. Os romanos promoviam festas que eram, ao mesmo tempo, religiosas e profanas - as chamadas saturnais ou saturnálias, como já dissemos, (em dezembro, para fechar as comemorações pelo ano agrário e reunir expectativas para a próxima colheita) e as chamadas lupercais ou lupercálias (estas em fevereiro) para purificar a cidade e liberar a saúde e a fertilidade das pessoas e da natureza.

Nessas comemorações, como também já foi dito, aconteciam liberalidades, exageros com bebidas alcoólicas, à época, já, com drogas, e exibições consideradas pornéia, ou seja, nudismo. Aqueles carnavalescos que queriam abusar sem se expor, ir além, e manter o anonimato se utilizavam de máscaras para esconder a identidade visual. Mesmo assim, no passado, eram castigados. Mas, o desejo de confrontar a autoridade se encarregava de aumentar a prática e os praticantes.

O conceito de carnaval mais próximo ao que acontece atualmente surgiria apenas no ano 604, quando a Igreja Católica, por meio do Papa Gregório I, incluiu a data no calendário eclesiástico, do mesmo modo que incluiu o Halloween ao determinar a data de finados dois dias depois e do mesmo modo que instituiu o Natal de Jesus apegado à festa solisticial da entrada do Sol no hemisfério norte. A festividade firmou-se durante a Idade Média em diversos países da Europa ocidental, principalmente na Itália (onde, até hoje, há o famoso Carnaval de Veneza). Consideradas profanas, as comemorações carregaram essa característica inclusive no nome. "Esses dias eram chamados de dias do adeus à carne, dias em que a carne se vai, dias do carne vale e, finalmente, lá pelo século 14, dias do carnaval", explica o coordenador do Centro de Referência do Carnaval (CRC) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Felipe Ferreira.

No Brasil, o carnaval saiu dos clubes chiques para a terreiras de candomblés, se associou ao samba (que também tem uma história profana e sensual) e logo ganhou a avenida, onde as mulatas exuberantes podiam sacudir o bumbum e aguçar o interesse libidinoso de uma sempre afoita plateia, que hoje vem de inúmeros países e distâncias a peso de muitos reais, euros e dólares para ver o cortejo passar (e para mais coisas). Com o tempo, através das escolas de samba, ganhou outras roupagens, passou a contar uma história, referenciar uma cultura, dando origem ao teatro aberto comandado por um samba-enredo.

Mas, sobraram os blocos de sujos fiéis à mesma desobediência referida no início. Homens se vestem de mulheres e vice-versa. As monstruosas paradas gays nada mais são que carnaval exclusivo dos gays, dentro do mesmo princípio de desobediência, da quebra de padrões, agressão às regras e ao que se poderia chamar de pensamento retrógrado que começava no Papa, no Rei, descia e se espalhava pela oficialidade e chegava aos sacerdotes, delegados de polícia, guardas da rua e moralistas de plantão nas janelas que davam para as ruas da folia.

Ganhamos até mesmo um substantivo (FOLIA) derivado da brotação, da eclosão da natureza ao brotar, que ficou associado à explosão da energia luxuriosa. E o mais curioso, a palavra FOLIÃO, adotada para designar o participante dos folguedos do carnaval, está lá no Dicionário Aurélio: “histrião (indivíduo ridículo ou vil, abjeto), farsante”.

Apesar das multidões ingênuas que comparecem e brincam e se deliciam com as festas carnavalescas, lá no fundo, na cachola de uma ativa minoria, os carnavais não têm essa leveza e ingenuidade lúdica, são tempos de coisas que depõem contra a boa moral e a elevação do ser humano. Por isso vêm parar nas páginas de um blog que se propõe trabalhar pela maioridade espiritual humana.

Ocorre que foi tamanho o controle, a contenção, a repressão (sem outra pedagogia que pudesse contribuir em substituição), que “estourou a boca do balão” (o termo nasceu dessa reação). Populações com menor grau de instrução brincam naturalmente com enorme animação e normalmente produzem cenas mais chocantes aos olhos do controlador moralista. Assim chegamos ao impasse: mais proibição, mais subversão. O carnaval nasceu disso. Evoluiu, está certo, mas não é sem outro receio que as autoridades distribuem milhões de preservativos, as chamadas camisinhas, numa clara alusão oficial de que se está no ápice da festa do sexo, do sexo liberal, liberado, do exagero, do exorcismo, ou no sentido contrário, na incorporação dos demônios, convidados a festar com os humanos. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

1696-Vibração e afinação do instrumento humano


Quem sabia disso há 50 anos?

É meu caro leitor, minha cara leitora, a fila anda, não é, mesmo? Há 50 anos nada disso era ventilado entre nós. O que trouxe estes avanços de consciência foi a Era de Aquário.

Assim, já houve o tempo (paradigma) em que o mais importante era quem tinha um QF (Quociente de Força) para produzir com os braços, lutar com o corpo, vencer com a força física. Mais tarde um pouco passou a ser mais importante um bom QI (Quociente de Inteligência) para produzir pensando, planejando, projetando. Também já passou a época em que além do QI, também importava o QE (Quociente Emocional), pois era necessário produzir e encantar, dar um toque de arte. Tudo isso ficou para trás, não porque não sejam importantes; são importantes, mas não são suficientes.

Agora, o valor está naquele que agregou a todos os outros Quês o QS Quociente Spiritual, para produzir, pensar, encantar(-se) e ser feliz agora e sempre.

É aceito (novo paradigma) entre os grandes mestres que um Ser Humano harmônico não adoece, não se cansa, não se desmotiva, não se deprime. E para isso, é necessária uma vida simples e baseada em valores que se completam e se complementam no tripé: mente, corpo e espírito. E olha que o ser humano não nasce assim, pronto e acabado. No dizer de Gurdjeff, o ser humano se forma, se cria, se transforma no decorrer de sua existência como ser evolutivo. Por isso estamos aqui, para nos transformamos em verdadeiros seres humanos.

Um ser humano verdadeiro não se droga; um ser humano não tem vícios degradantes; um ser humano não mata; nem se mata; um ser humano não faz guerra; um ser humano não é mesquinho; um ser humano possui a auto-estima verdadeira e sincera. O verdadeiro e esperado ser humano (na concepção elevada), não mente, não inventa coisas que não serviriam a ninguém; não maquina o mal; tem de ser capaz de receber ele próprio, de bom grado, todas as suas criações.

A vida em desarmonia do tripé “mente, corpo e espírito” além de não nos conduzir à Essência do Eu, nos afasta do verdadeiro propósito da nossa humanidade. Centrados no Corpo, somos animais; centrados na Mente, somos humanos; centrados no Espírito, somos divinos.

O eu não é o ego. O ego é um script que vem de fora e que eu e você seguimos alienadamente sem questionar. Se ninguém quebrar esta tendência, vamos afundando e nem nos percebemos.


O ego é mental com perversão do instinto animal. Nele vivemos pra platéia, para as palmas, repetimos o chipanzé do circo em troca verdadeiramente de bananas ou o cavalo que ganha caramelo depois de ajoelhar-se na arena para que seu treinador receba os aplausos e o cachê. Só externo e estômago. E o íntimo?

Aqui entra o Eu. O Eu verdadeiro é a Essência da Alma. É o coração em harmonia com a razão. É cada um de nós saber qual o seu propósito nesta existência.

Muitos são os caminhos do equilíbrio, todos com seus valores. Busquemos o nosso. Afinal de contas, só encontramos o que procuramos. Seja uma flor ou uma pedra. E se dedicamos mais tempo ao fútil e ao absurdo, nossas descobertas se inscreverão como futilidades absurdas. Se você e eu não buscarmos o bem, o útil e o belo, nossas descobertas estarão fadadas ao registro do mal, do inútil e do escabroso. “Pedi e dar-se-vos-á”.

A cada um de nós, o poder divino que preside nossas vidas ofertar-nos-á régias colheitas segundo o que foi semeado. Saibamos, porém, que não será uma tarefa simples e fácil, pois no dizer da professora Lúcia D. Torres “crescer dói” e nós acrescentamos, “é mais fácil nada semear e deixar o espaço para que cresça o joio; por ser mais exuberante o viço do joio, somos levados ao comodismo divertido e irreverente das semeaduras daninhas”.

Fim da série.                

sábado, 14 de fevereiro de 2015

1695-Vibração e afinação do instrumento humano


Percussão, metais e cordas

Há uma maneira simplória, mas muito sábia de lidar com a afinação dos componentes da sinfonia pessoal. O simplório autor dessa elucubração parte para raciocínios simplíssimos, porém com muita propriedade quando compara a afinação com aquilo que fazemos com nossas vidas no dia a dia.

Ele toma por instrumentos de percussão os que produzem barulho: caminhar, mastigar, engolir, o movimento das tripas e intestino, os batimentos cardíacos, o respirar e assim por diante, mas deixa de fora o falar, espirrar e tossir, como ele próprio explica.

Ele toma por instrumentos de sopro (metais) a fala, o espirro e a tosse. E explica dizendo que as repercussões da fala, tosse e espirro são muito mais elevadas que a aparentemente delicada repercussão dos órgãos internos.

Ao falar, espirrar e/ou tossir atingimos pessoas a 50 metros de distância ou mais. Esses são os trombones, as tubas, os pistões. Nada delicados.

E toma, quase ao fim, por instrumentos de cordas as orações, às quais junta o canto, e amplia com o sorriso, a produção artística, por exemplo, de um desenho, de uma pintura, da escrita poética, o pensar, a amizade, o amor, a caridade, a compaixão.

O simplório sábio argumenta que ao afinar os instrumentos de percussão com os metais e com as cordas e a voz, diante da pauta de uma partitura, esta simbolizando um ideal de vida, conclui que sem dúvida a sinfonia tem bom futuro.

Quando, porém, por razões de omissão ou desleixo a percussão bate num padrão, os metais gritam noutro e as cordas se perdem em meio à balbúrdia já instalada, a sinfonia (humana) não tem bom futuro. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

1694-Vibração e afinação do instrumento humano


A difícil afinação entre cordas, metais e percussão

Nós humanos, somos seres, ao mesmo tempo que completos, complexos, transitórios, mutantes. Os seres de hoje de manhã, serão diferentes hoje à noite. A vida é assim. O tempo modifica-nos. Também não somos exatos. Somos uma mistura de tudo um pouco: somos corpo, somos mente, somos espírito, sujeitos a emoções, sentimentos, informações, temperatura, alimentos, remédios. À mesa de refeições, somos corpo. Lendo um bom livro, somos mente. Dormindo, somos algo entre matéria e alma. Mortos, somos, enfim, espírito. Ao menos, permitimos que, ao dormir, nosso espírito se desprenda da “cadeia” exercida pelos nossos cinco sentidos e “viaje” pelo astral. Ele vai e retorna com impressões que, às vezes, registramos em sonho. No geral, ficamos intrigados, pois são sonhos extras, de difícil interpretação. Isso ocorre quando nosso corpo, nossa mente e nosso espírito estão fora da afinação.

Diz o maestro dos maestros: percutimos com o corpo, trombeteamos com a mente e filarmonizamos com o espírito. Nestes três campos, quando corretamente integrados, temos a harmonia de nosso concerto para a vida. Contudo, os seus desvios podem nos afastar da nossa essência. É quando quebramos a naturalidade de nosso ser total e entramos em crise, cujo efeito pode ser diverso: raiva, medo, excesso de razão, julgamento, excitação, depressão...

Quem cultua somente o corpo como um fim, apega-se a algo que não somos unicamente nós. São os corpos esculturais, só esculturais, só de fachada, exibição e prazer, quase nada mais que isso. É claro que o corpo é o Lar da Alma e devemos cuidar bem dele, mas não se apegar a parte física da matéria e achar que somos só isso. Vamos muito além disso. O Lar da Alma não fica só na aparência e no gozo.

Quem se apega demais à mente, vive exclusivamente para os intentos e as conquistas mentais. Dá valor excessivo aos diplomas e ao conhecimento. Não que não tenham valor, mas conhecimento sem vivência não tem sentido. “Mais vale um grama de sabedoria do que uma tonelada de conhecimento”, comentou certa vez o vice-reitor da Unipaz, Roberto Crema.

Nos dias atuais nós corremos o risco de conhecermos muito e não sabermos praticamente nada ou quase nada. Para começar, somos analfabetos de nós mesmos. Fomos à Lua e ainda não aterrissamos em nossos corações. A diferença básica entre conhecimento e sabedoria é a utilidade de seu conteúdo.

E, por último, mas nem por isso menos importante, está o Ser Espiritual. Por ele e com ele estabelecemos a ligação transcendental com o universo, com um mundo governando por uma Entidade Suprema, operando uma Energia Natural, com Aquele que É, com uma Grande Força, com Deus. Todos temos esta potencialidade de ligação dentro de nós. Quando ligada pela primeira vez esta usina, o coração humano começou a bater. Quando desligada esta usina o corpo esfriou, os órgãos paralisaram e o coveiro foi chamado. Aliás, ultimamente tem sido assim. Daqui para frente, nem sempre se chamará o coveiro, mas alguém que faça a cremação das sobras materiais da vida humana. A fila anda.