segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

1683-A Ordem Rosa-Cruz


Um lado místico que é nosso

Vou fazer uma comparação bem estapafúrdia tentando conduzir você a pensar sobre o que significa atrofia. Se pegarmos uma criança, separarmos ela de todo contato com humanos e nem com animais ela chegará à idade adulta sem saber para que serve e nunca terá experimentado o prazer sexual. Tudo estará atrofiado, como ocorre com aquele membro perna ou braço que depois de semanas de gesso, precisa ser ensinado a comportar-se com naturalidade.

Pois, a humanidade ocidental teve atrofiada a sua capacidade de exteriorizar a consciência e comunicar-se com a dimensão espiritual e divina. Dá para recuperar, como a fisioterapia recupera um músculo atrofiado. Mas, pode demorar muito.

Você tem certeza de que nunca teve ou foi alcançado por uma experiência mística? Pense bem. Feche os olhos e se imagine invadido(a) por uma luz branca que entra pelo chakra do alto da cabeça e vem inundando cabeça, pescoço, peito, abdômen, baixo ventre, coxas, pernas, pés e alcança o piso sobre o qual você deposita seus pés. Se houver uma música suave, religiosa de preferência, uma Ave Maria, melhor. Enquanto essa luz toma conta de seu corpo biológico, exercite uma saída em pensamento, desde o terceiro olho, na direção do infinito – sem medo, sem dúvida – sem pensar em nada, sem expectativas, na busca de encontrar o que lá houver.

Se você conseguir repetir estas experiências, dado que nas primeiras vezes nem sempre dá certo, você estará a caminho do que os místicos chamam de experiência mística, conexão cósmica, expansão de consciência.

Na Europa, o povo mais espiritualizado é o alemão, enquanto franceses e italianos são os mais materialistas. A grande maioria dos personagens relacionados com o lançamento dos "Manifestos Rosacruzes" se originaram do meio luterano alemão. É de se notar que o próprio Lutero foi um dos primeiros a utilizar uma "rosa-cruz" (o "selo de Lutero", ou "rosa de Lutero") como símbolo de sua teologia. Abaixo de muitas rosas de Lutero está a frase: “O coração do cristão permanece em rosas, quando ele permanece sob a cruz”.

É amplamente discutível se os chamados "reformadores radicais" teriam exercido uma forte influência sobre os rosacruzes, ou, como algumas evidências parecem sugerir, se teriam sido os Rosacruzes a influenciar esses reformadores. Esses pensadores e teólogos luteranos acreditavam que a Reforma de Lutero deveria ser ampliada, que a doutrina ortodoxa não era suficiente e que o Cristão devia realizar a comunhão mística com Deus. Entre outros, é possível citar os nomes de Caspar Schwenckfeld, Sebastian Franck e Valentin Weigel como os mais destacados líderes dessa tendência. Johann Arndt, teólogo luterano alemão cujos escritos místicos circularam amplamente na Europa no século XVII, amigo e mentor espiritual de Johann Valentinus Andreae (já referido nesta série) e amigo muito próximo de Christoph Besold, também é uma influência conhecida. Arndt foi muito influenciado pelas ideias de Valentin Weigel, e é considerado o “pai” do movimento pietista alemão, que foi uma proposta de interiorização humana e comunhão direta com Deus, como tal é o misticismo.

A representação do terceiro olho e sua conexão com os "mundos superiores" pelo alquimista rosacruciano Roberto Fludd fica evidente em Rosacruzes século XVII: "Nós temos a Palavra Maçónica e a segunda visão. Coisas por acontecer nós podemos prever acertadamente", como já nos referimos em capítulo anterior. A segunda visão, obtida através do terceiro olho, na verdade a hipófise ou pituitária, é o poder clarividente de adivinhar.

O místico e teósofo luterano alemão Jacob Boehme e o educador Jan Amos Comenius foram contemporâneos do movimento rosa-cruz original do século XVII e também davam testemunho de uma mesma sabedoria. Comenius chegou a denominar a Unidade dos Irmãos da Boêmia-Morávia, da qual ele foi um dos líderes principais antes de seu desaparecimento, como "Fraternitas Rosae Crucis". Além disso, ele tinha em Johann Valentin Andreae (já referido) sua primeira fonte de inspiração, considerando-o “um homem de espírito ígneo e de inteligência pura”, tendo-o contatado e recebido deste o archote para dar continuidade à tarefa iniciada. Muitos dos que responderam ao chamado dos manifestos rosacrucianista, como Michael Meier e Robert Fludd, também se ligavam à mesma fonte de força espiritual.

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