quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

1685-A Ordem Rosa-Cruz


A Rosa Cruz atual

Não é muito comum, mas em alguns gabinetes, casas ou cantinhos sagrados a gente dá de cara com emblemas Rosa-cruzes. Embora com variações, o emblema da Ordem apresenta-se sempre como uma cruz envolvida por uma coroa de rosas, ou com uma rosa ao centro. A rosa representa a espiritualidade, enquanto a cruz representa a matéria.

Outra faceta da Rosa-Cruz mais conhecida é o 18º Grau (representando simbolicamente a 9ª Iniciação Menor), o grau de "Cavaleiro Rosa-Cruz", do "Capítulo da Rosa-Cruz" do "Rito Escocês Antigo e Aceito", da Maçonaria, que tem como símbolos principais o Pelicano, a Rosa e a Cruz.

Diversos livres pensadores defendem que o Rosacrucianismo não é propriamente uma Ordem constituída, mas uma corrente de pensamento, à qual a filiação ocorre pela adoção de certas posturas de vida. Isso também é encontrado em algumas correntes gnósticas.

Conhecida por Fraternidade Rosacruz, passou a ser conhecida pelo público aberto no século XVII, como já nos referimos, diante da fadiga filosófica e religiosa proporcionada pela Igreja Romana e sua Inquisição. Mas, muitos rosacrucianos foram levados à fogueira. Com a Rosa-Cruz, entre o final do século XIX e o início do século XX, surgiram organizações inspiradas na Tradição da Rosacruz. Existem atualmente diversas e distintas ramificações Rosacrucianas. As mais divulgadas são:

  1. A Fraternidade Rosacruz, no Brasil e em Portugal (inglês, The Rosicrucian Fellowship), fundada por Max Heindel entre 1909 e 1911, nos Estados Unidos. Não reivindica o título de "Ordem Rosacruz", considerando-se apenas uma escola de exposição de suas doutrinas e de preparação para o indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual. Segundo seus dirigentes, a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos planos espirituais. Ao contrário da maioria das demais organizações rosacruzes, as escolas de Max Heindel se consideram indissociáveis do Cristianismo. Outras organizações rosacruzes também se consideram cristãs, mas não com esta ênfase;
  2. Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC), com sede mundial em São José, Califórnia, EUA, diz ter sido fundada no Antigo Egito e organizada pelo Faraó Amenófis (também conhecido como Aquenáton), por volta de 1500 a.C. O que se confirma historicamente é que a Ordem foi fundada em 1915 por Harvey Spencer Lewis, nos Estados Unidos. Tal como está expresso no site oficial da Ordem: "A Ordem Rosacruz, AMORC, é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz". A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis é hoje a maior confraria rosacruz no mundo, abrangendo dezenas de países, em diversos idiomas, além de acolher a Tradicional Ordem Martinista (T.O.M.), uma ordem martinista fundada pelo renomado médico e ocultista francês Papus (Dr. Gerard Anaclet Vincent Encausse). A sede para os falantes da língua portuguesa localiza-se na cidade de Curitiba (PR). O martinismo é uma corrente místico-filosófica que leva este nome por conta de seus fundadores Martinez de Pasqually e Louis Claude de Saint-Martin em 1931;
  3. Fraternidade Rosae Crucis (FRC), também com sede mundial nos EUA, que reivindica ser a autêntica Ordem Rosa-Cruz fundada em 1614 na Alemanha, mas na verdade foi fundada por Reuben Swinburne Clymer por volta de 1920 e se diz representante de um movimento originalmente fundado por Pascal Beverly Randolph em 1856;
  4. Fraternitas Rosicruciana Antiqua (FRA) foi fundada pelo esoterista alemão Arnold Krumm-Heller por volta de 1927, e tem sede no Rio de Janeiro (está presente também nos países de língua hispânica);
  5. Lectorium Rosicrucianum (ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea) é uma organização rosacruz que começou a se estruturar em Haarlem, Holanda, em 1924, através do trabalho de J. van Rijckenborg (pseudónimo de Jan Leene) e Z.W. Leene, quando esses dois irmãos entraram para a Sociedade Rosacruz (Het Rozekruisers Genootschap), divisão holandesa do grupo americano Rosicrucian Fellowship. Este grupo se tornaria independente da Rosicrucian Fellowship em 1935 e, com o final da guerra em 1945 (quando seu trabalho foi proibido pelas forças de ocupação nazista), o trabalho exterior foi retomado e passou a adotar o nome Lectorium Rosicrucianum, ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea, apresentando-se cada vez mais como uma escola gnóstica, em que “Gnosis” significa o conhecimento direto de Deus, resultado de um caminho de desenvolvimento espiritual. Desde 1945, o grupo se expandiu por vários países da Europa, América, Oceania e África, além de publicar inúmeros livros, muitos dos quais com comentários sobre antigos textos da sabedoria universal, como os Manifestos Rosacruzes do Século XVII, o Corpus Hermeticum (textos atribuídos a Hermes Trismegisto), o Evangelho Gnóstico da Pistis Sophia, o Tao Te Ching, entre outros;
  6. Confraternidade da Rosa+Cruz (CR+C), entidade que preserva e perpetua a Tradição Rosacruz sob a linhagem e autoridade espiritual do Imperator Gary L. Stewart, oferecendo os Ensinamentos Rosacruzes originais preparados nas décadas de 1920 e 1930 por Harvey Spencer Lewis. Preservando a Tradição conforme especificamente estabelecida no início do século XX e também conforme o Movimento Rosacruz em geral dos séculos passados. Para executar essa tarefa com êxito, há necessidade de se manter sempre o equilíbrio entre a Tradição e o Movimento com adesão estrita às leis que governam a sua operação e a sua existência. A manutenção desse equilíbrio é confiada a um Imperator do Movimento, que, sob muitos aspectos, serve como um guardião do mesmo;
  7. OKRC (Ordem Kabbalística da Rosa-Cruz) - A OKRC foi fundada em 1888, pelo Marquês Stanislas de Guaita (seu primeiro Grão-Mestre). Ela agrega em si de uma forma equilibrada a herança do Martinismo da Rosa-Cruz, da Kabbala e do Hermetismo. Ela tem uma estrutura internacional mista. Longe de não ser apenas uma escola filosófica ou simbólica, ela tem por objetivo desde sua criação formar e iniciar os Seres de Desejo. Presente hoje como outrora, a sua herança conservou este vigor e esta riqueza, que sempre lhe permitiu adaptar-se à sua época, fazendo irradiar a chama da sua iniciação. Tendo ressurgido no século XIX, as correntes Rosa+Cruzes do Sudoeste da França permitiram o reencontro entre a tradição mística e simbólica alemã e suas correntes herméticas mediterrâneas. Por este intercâmbio, a Rosa+Cruz da qual falamos concentrou seus trabalhos sob o ritual, a alquimia, a astrologia e uma certa forma de teurgia.

Fontes:

"Fama Fraternitatis" - link externo e link externo (1614)

"Confessio Fraternitatis" link externo e link externo (1615)

"Die Chymische Hockeit Christiani Rosenkreuz" link externo , link externo e link externo em francês (1616)

"Positio Fraternitatis Rosae Crucis" - [1] (2001)

Textos históricos:

FLUDD, Robert, Apologia Compendiaria Fraternitatem de Rosae Cruce, (1616)

Robert Fludd, Rosicrucian Brotherhood - From the Rosicrucian apologist's book Svmmvm Bonvm, The Highest Good, which first appeared in 1629 in German, (1616). link externo

BACON, FrancisSylva Sylvarum, (1627). link externo

Cartas Rosacruzes, Sec. XVIII. link externo

Romances

Hesse, Herman "O Jogo das Contas de Vidro", também conhecido por "Magister Ludi" (Mestre do Jogo), (1943)

Tucker, Prentisss "Na Terra dos Mortos que Vivem - Uma História Ocultista" link externo

Fim desta série

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