sábado, 7 de fevereiro de 2015

1688-Os sons e os tons do ser humano


Os sons e seus impactos


A difusão dos sons ocorre com a reverberação (ato de refletir, refluir, repetir). Sua repercussão acontece quando ecoa inúmeras vezes pelo espaço. Essas repetições influenciam nossos ouvidos (dentre os sentidos humanos a audição, o olfato e a visão são os que penetram diretamente o interior do cérebro numa clara denúncia de sua importância) e os sistemas de nosso corpo: nervoso, arterial, respiratório, cardíaco, linfático, hepático, renal, digestivo, glandular, muscular, genital, bem como os glânglios, vasos, válvulas e ínguas, que são atingidos.


Para aumentar o nível de conscientização do indivíduo em sua união com a força divina, com o uso dos sons (audição, e evidentemente que com a participação da visão, através de imagens e cores), os anfiteatros gregos reproduziam, à época, o avançado grau do conhecimento da acústica. Eram também refratários ao barulho externo. Construía-se conchas para melhor dirigir e refletir os sons com configurações específicas, que seriam, no final, usadas nas catedrais góticas construídas por pedreiros mestres nessas técnicas. Hoje isso está minimamente utilizado, embora ainda faça toda a diferença mesmo com o uso dos sistemas de amplificação do som. Mas, não há amplificação que satisfaça quando o ambiente não possui acústica adequada.

Sempre se soube dos benefícios e malefícios dos sons sobre os aspectos da vida humana e animal, de como se poderia criar a harmonia e o equilíbrio ou afastá-los. Na atualidade, quando se divulga o efeito do emprego de música erudita no curral das vacas leiteiras (15% mais de aproveitamento na produção), a metodologia apenas confirma o que se sabe desde há 3.000 anos.

Júlio César, um dos imperadores mais poderosos de Roma, chegou ao ponto de emitir ordens expressas contra o barulho por saber do seu efeito nocivo sobre o corpo, a mente e o espírito humanos.

Desde os gregos antigos e do Império Romano até os tempos mais próximos, os ensinamentos de cânticos sagrados e da força da palavra são transmitidos pelo que ficou conhecido como “tradições bárdicas” (foram exatamente os bardos escandinavos os que mais lidaram com isso). O poder de ensinar, curar e despertar a consciência manteve-se vivo desde os referidos bardos, através dos rapsodos gregos, dos coralistas saxões, dos trovadores franceses, dos kaleki russos, incluindo-se também budistas indianos, zenzas japoneses, griotes africanos, vates nórdicos e cantores navajos. Já se pode acrescentar algo semelhante na América herdeira de fragmentos culturais beduínos, franceses, germânicos, hispânicos: os payadores – aqueles poetas do improviso que levam nos seus cantos toda uma tradição conhecida aqui na América como “gaucha” (sem acento no u) que, na verdade, é a soma de muitas culturas de contato estreito com a natureza, incluindo-se aí a prática do consumo do mate, seiva que é absorvida com rigores de comunhão sagrada.

A sonoridade é um fator preponderante para o estado de consciência do homem. A diferença básica entre os inúmeros ruídos da vida diária e o uso objetivo dos sons sagrados, é que esse último produz harmonia e não dissonância, produz cura, bem-estar, elevação espiritual.

Aprendemos que a percussão está relacionada com nossos passos, a marcha, a corrida, a dança frenética, as batidas cardíacas, o trabalho estomacal, a mastigação e o intestino, que são trabalhos rudimentares do sistema. Os metais se relacionam com a fala, o grito, os gemidos, a necessidade de aparecer, trabalhos relacionados com o ego. Os foles estão relacionados com a respiração, a exsudação e os movimentos artísticos aeróbicos. As cordas estão relacionadas com o riso, a alegria, o canto, os bailados suaves em preparação para o estágio posterior. O canto está relacionado com a oração, o assovio, a meditação, os pensamentos elevados, os desejos sagrados. Aqui também se percebe ciclos escalonados.

De modo diferente, hoje não se tem as dificuldades que os antigos tiveram para um maior aproveitamento dos sons, pois ao seu tempo eles só podiam ser gerados ao vivo, com a presença de músicos, instrumentos e amplificação. Hoje, os aparelhos da indústria fonográfica, sonora e eletrônica levam os sons onde se quer queira. É pena que este, como tantos outros avanços da ciência, seja também usado para destruir o homem pelo destempero cultural. Refiro-me a estes movimentos populares que introduzem no meio humano uma coisa horrorosa que chamam de música.

Isto posto, é preciso reafirmar: queremos aprofundar mais e mais no estudo dos sons e dos tons e as suas relações com os sistemas da vida humana em seu exclusivo benefício: a plenitude e a elevação.

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