sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

1694-Vibração e afinação do instrumento humano


A difícil afinação entre cordas, metais e percussão

Nós humanos, somos seres, ao mesmo tempo que completos, complexos, transitórios, mutantes. Os seres de hoje de manhã, serão diferentes hoje à noite. A vida é assim. O tempo modifica-nos. Também não somos exatos. Somos uma mistura de tudo um pouco: somos corpo, somos mente, somos espírito, sujeitos a emoções, sentimentos, informações, temperatura, alimentos, remédios. À mesa de refeições, somos corpo. Lendo um bom livro, somos mente. Dormindo, somos algo entre matéria e alma. Mortos, somos, enfim, espírito. Ao menos, permitimos que, ao dormir, nosso espírito se desprenda da “cadeia” exercida pelos nossos cinco sentidos e “viaje” pelo astral. Ele vai e retorna com impressões que, às vezes, registramos em sonho. No geral, ficamos intrigados, pois são sonhos extras, de difícil interpretação. Isso ocorre quando nosso corpo, nossa mente e nosso espírito estão fora da afinação.

Diz o maestro dos maestros: percutimos com o corpo, trombeteamos com a mente e filarmonizamos com o espírito. Nestes três campos, quando corretamente integrados, temos a harmonia de nosso concerto para a vida. Contudo, os seus desvios podem nos afastar da nossa essência. É quando quebramos a naturalidade de nosso ser total e entramos em crise, cujo efeito pode ser diverso: raiva, medo, excesso de razão, julgamento, excitação, depressão...

Quem cultua somente o corpo como um fim, apega-se a algo que não somos unicamente nós. São os corpos esculturais, só esculturais, só de fachada, exibição e prazer, quase nada mais que isso. É claro que o corpo é o Lar da Alma e devemos cuidar bem dele, mas não se apegar a parte física da matéria e achar que somos só isso. Vamos muito além disso. O Lar da Alma não fica só na aparência e no gozo.

Quem se apega demais à mente, vive exclusivamente para os intentos e as conquistas mentais. Dá valor excessivo aos diplomas e ao conhecimento. Não que não tenham valor, mas conhecimento sem vivência não tem sentido. “Mais vale um grama de sabedoria do que uma tonelada de conhecimento”, comentou certa vez o vice-reitor da Unipaz, Roberto Crema.

Nos dias atuais nós corremos o risco de conhecermos muito e não sabermos praticamente nada ou quase nada. Para começar, somos analfabetos de nós mesmos. Fomos à Lua e ainda não aterrissamos em nossos corações. A diferença básica entre conhecimento e sabedoria é a utilidade de seu conteúdo.

E, por último, mas nem por isso menos importante, está o Ser Espiritual. Por ele e com ele estabelecemos a ligação transcendental com o universo, com um mundo governando por uma Entidade Suprema, operando uma Energia Natural, com Aquele que É, com uma Grande Força, com Deus. Todos temos esta potencialidade de ligação dentro de nós. Quando ligada pela primeira vez esta usina, o coração humano começou a bater. Quando desligada esta usina o corpo esfriou, os órgãos paralisaram e o coveiro foi chamado. Aliás, ultimamente tem sido assim. Daqui para frente, nem sempre se chamará o coveiro, mas alguém que faça a cremação das sobras materiais da vida humana. A fila anda.

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