sábado, 14 de fevereiro de 2015

1695-Vibração e afinação do instrumento humano


Percussão, metais e cordas

Há uma maneira simplória, mas muito sábia de lidar com a afinação dos componentes da sinfonia pessoal. O simplório autor dessa elucubração parte para raciocínios simplíssimos, porém com muita propriedade quando compara a afinação com aquilo que fazemos com nossas vidas no dia a dia.

Ele toma por instrumentos de percussão os que produzem barulho: caminhar, mastigar, engolir, o movimento das tripas e intestino, os batimentos cardíacos, o respirar e assim por diante, mas deixa de fora o falar, espirrar e tossir, como ele próprio explica.

Ele toma por instrumentos de sopro (metais) a fala, o espirro e a tosse. E explica dizendo que as repercussões da fala, tosse e espirro são muito mais elevadas que a aparentemente delicada repercussão dos órgãos internos.

Ao falar, espirrar e/ou tossir atingimos pessoas a 50 metros de distância ou mais. Esses são os trombones, as tubas, os pistões. Nada delicados.

E toma, quase ao fim, por instrumentos de cordas as orações, às quais junta o canto, e amplia com o sorriso, a produção artística, por exemplo, de um desenho, de uma pintura, da escrita poética, o pensar, a amizade, o amor, a caridade, a compaixão.

O simplório sábio argumenta que ao afinar os instrumentos de percussão com os metais e com as cordas e a voz, diante da pauta de uma partitura, esta simbolizando um ideal de vida, conclui que sem dúvida a sinfonia tem bom futuro.

Quando, porém, por razões de omissão ou desleixo a percussão bate num padrão, os metais gritam noutro e as cordas se perdem em meio à balbúrdia já instalada, a sinfonia (humana) não tem bom futuro. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário