sábado, 21 de fevereiro de 2015

1702-O processo das nações colonizadas


De onde vem o colonialismo?

O colonialismo vem de priscas eras em que ao invadir outro país o invasor tomava seu povo como refém e o escravizava com o intuito de apoderar-se do resultado de seu trabalho e das riquezas de seu solo. A história registra isso em épocas tão distantes que nem havia escrita para registros. Colonialismo define-se como a política de exercer o controle ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo externo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertencia, contra a vontade dos seus habitantes que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos políticos que detinham.

O termo colônia vem do latim, designando o estabelecimento de comunidades de romanos, geralmente para fins agrícolas, fora do território de Roma. Ao longo da história, a formação de colônias foi a forma como o ser humano se espalhou pelos espaços recém descobertos do planeta. Foi assim que todas as áreas exploradas pelas nações mais antigas se fizeram colônias.

A exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados — incluindo a sua população, quase totalmente aniquilada, como aconteceu nas Américas, ou transformada em escravos que se espalharam pelo resto do mundo, como aconteceu com a África — teve como consequência posterior movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua independência, num processo denominado descolonização. O fim destes impérios coloniais ocorreu em meados do século XX, praticamente só depois da II Grande Guerra e por pressão da recém criada ONU.

Da Idade Média à Revolução Industrial e um pouco depois, inclusive, países como Inglaterra, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Holanda foram os grandes colonizadores do planeta, mas não só. Entre os asiáticos também temos exemplos de colonização. Muito da riqueza de alguns desses países citados se deve ao que eles retiraram do trabalho e das riquezas naturais de suas colônias. Especialmente Portugal, a partir do momento em que não contou mais com as riquezas levadas do Brasil, entre outros, empobreceu e hoje é símbolo do Terceiro Mundo na Europa do euro.

A serviço do Império Romano a Igreja Romana colaborou nas tarefas colonizadoras e ela própria foi beneficiada pelo colonialismo na medida em que obrigava os povos conquistados pelos impérios que apoiava a se converterem à religião católica e à língua do conquistador.

Hoje, quando se condena o escravismo e o trabalho infantil, por exemplo, é parte dos passos avançados dados por esta civilização que menos de dois séculos atrás exercia o colonialismo e se servia da escravidão. Ao se preocuparem com a Amazônia pelo que ela representa como pulmão e reservatório d’água do planeta, também isso é parte dos passos avançados dados por esta sociedade que alguns séculos atrás levou toda a reserva de pau brasil do Nordeste brasileiro, devastando-o e transformando-o no árido que hoje é.

Com a evolução da civilização e do direito internacional, ainda virá o tempo em que os colonizados recorrerão às cortes internacionais reivindicando alguma forma de indenização. O Brasil, que explorou o Paraguai por muitas décadas, após a guerra de 1865/70, instalou e doou àquele país uma Universidade como gesto de desculpa.

Toda a prata da Bolívia, uma montanha chamada Potosi, foi levada clandestinamente para a Europa, graças ao trabalho escravo dos nativos, ao transporte inicial por lombo de mulas e aos navios que partiam de Cartagena para endereços oficialmente desconhecidos. Quem vai indenizar a Bolívia? Quem vai indenizar o Brasil pela perda do pau brasil? Esses são apenas mais alguns exemplos entre muitos.  

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