domingo, 22 de fevereiro de 2015

1703-O processo das nações colonizadas


Um reconhecimento aos gaúchos

De que gaúcho estou falando? Certamente não diretamente de todos os habitantes do Rio Grande do Sul. Sim, porque existem gaúchos no Uruguai e na Argentina. A adoção do gentílico “gaúcho” e sua extensão a todo morador do Rio Grande do Sul foi um desserviço à cultura e um crime de lesa pátria aos verdadeiros membros da cultura que identifica com o gaúcho primordial o mestiço filho de índias viúvas da Guerra Guaranítica.

Esse ser das pradarias, que aprendeu a lidar com o cavalo e com o boi, herdou dos guarani e dos charrua uma cultura de valor à terra, uma espécie de nacionalismo tribal voltado para espantar todo sujeito invasor.

Essa cultura chegou às cidades e em 1945, quando acabou a II Grande Guerra, os Estados Unidos haviam reservado para si a América Latina. Com apoio do rádio (que nascia), do cinema (que nascia) e da imprensa e literatura, preparava uma grande invasão cultural que, de fato, perpetrou. Mas, eis que os gaúchos disseram “NÃO”. Aqueles gaúchos autênticos (tira fora o gentílico) tinham entre seus descendentes alguns universitários estudando em Montevidéu, Buenos Aires, Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria... O que se viu foi uma reação em cadeia nos territórios que hoje se chama Pampa. No Brasil o movimento se chamou Centro de Tradições Gaúchas, cuja finalidade, entre muitas outras, era combater a invasão cultural estrangeira, principalmente a invasão cultural porque esta é a senha para a entrada no restante do patrimônio do povo invadido. Atrás da invasão cultural vem a linguagem, os valores, a fé, a música, as preferências, os costumes, os usos.

Por conta dessa reação, os gaúchos autênticos são reacionários. Leonel Brizola foi o exemplo político disso. E por conta da reação à invasão estrangeira, nesse caso efetuada pelo imperialismo capitalista, os reacionários, não raro, são da esquerda.

A maioria dos governos esquerdistas em países das Américas (Cuba é o exemplo máximo) é de esquerda.

Agora, leitor, leitora, você já pode dizer que conhece uma parte das origens desse jeito rebelde, provocador, reacionário, libertário, que os gaúchos deixam transparecer. A escola vem dos anos 1790-1840 quando ainda percorriam os campos do Pampa o autêntico gaúcho primacial.

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