segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

1704-O processo das nações colonizadas


Governos corruptos e movimentos anticoloniais

Boa parte da população, em alguns países, talvez, a maior parte dos oprimidos pelo colonialismo capitalista selvagem pertence, exatamente, às parcelas populacionais que se poderiam identificar como nativas, os índios e pardos mestiços, sem descartar os negros e os seus descendentes das miscigenações havidas.

Os governos anteriores aos episódios de independências havidas na América, cumpriam ordens da matriz e serviam a interesses obscuros de exploradores apoiados pela matriz, com a participação de piratas a serviço de outras potências concorrentes. Os governos que se seguiram à independência, na maioria dos casos, vieram ao poder através de golpes apoiados por militares com formação nas escolas opressoras do colonizador. Por uma questão de estratégia, os movimentos e partidos reacionários à dominação colonial e aos modelos pós-coloniais foram trabalhar as camadas pobres da população notadamente na América do Sul. Então para cativar simpatizantes era necessário desconstruir o acervo cultural vindo da Europa/EUA e incentivar tradições ditas nativistas, valores de cultura quase esquecidos. Isso ganhou nome de nativismo, tribalismo, algo semelhante ao que os nativos conheceram no interior de suas tabas, um autêntico comunismo (diferente daquilo que Marx pregou). Na postagem 1703 eu falo do gaúcho autêntico, esse também um nativista, um tribalista, nacionalista, libertário.

Se o opressor tivesse sido a Rússia, certamente a reação teria sido nas asas do capitalismo.

Tornou-se natural a reação ao capitalismo e o apoio Europa/Estados Unidos dado aos ditadores entreguistas. O país mais democrático das Américas apoiou de todos os modos as ditaduras de direita – muitas delas sanguinárias por exclusivo interesse econômico.

A desconstrução deu causa a uma intensa movimentação que foi alcançar inicialmente os rurais (até porque antes de 1970 mais de 80% das populações eram rurais). No Brasil tiveram lugar as Comunidades Eclesiais de Base, trabalhadas com o apoio da Igreja Católica, à sombra de algumas teologias cristãs, entre elas a da Libertação que pertenceu ao padre Leonardo Boff. Mais tarde, os movimentos chegaram também aos trabalhadores urbanos valendo-se de algumas pastorais. Mas, a igreja caiu fora, puniu alguns padres e bispos de esquerda, silenciou Leonardo Boff, mas já era tarde. No Brasil e em alguns países católicos, estavam lançadas as bases com raízes em Cuba, que proporcionaram o nascimento, por exemplo, do MST, do PT e de outros movimentos de inspiração comunista e, pasmem, muito ateus e com nada de inspiração nativista, tudo importados da Europa.

Nos países como a Bolívia, a Venezuela, o Chile, a Argentina (aqui um pouco diferente como veremos adiante), não foi muito diferente do ocorrido no Brasil. Um regime militar implantado em 1964 para interromper o que os militares enxergavam em Jânio Quadros e João Goulart como uma ameaça à democracia e ao capitalismo, perseguiu ativistas comunistas, processou-os, condenou-os, prendeu-os, executou-os e exilou-os. Mas, no caso brasileiro, diferentemente do que ocorreu em outros países do continente, o governo militar atuou como transição entre o capitalismo selvagem nada democrático da velha República, que a ditadura populista de Vargas e os governos populistas de JK, Jânio e Jango não combateu, para desembocar na novíssima República (1988) que caminhava para as eleições diretas com um dissimulado discurso socialdemocrata. Podia ser um discurso hipócrita, como de fato era, mas trazia para a cena política, o tema socialista. Não mais comunista, mas a meio pau.

Nos países vizinhos o fim das ditaduras não veio com aberturas graduais, nem como anistia ampla e os contrastes foram mais traumáticos. A exceção parece pertencer à Argentina, onde a democracia retornou mofada pelo peronismo. Comparando, seria o mesmo que Jânio e/ou Jango de retomo aqui ao poder em 1992.

Aqui a anistia ampla e restrita trouxe de volta do exterior e/ou tirou da cadeia os excluídos contrários ao regime militar e quase todos vieram ocupar cargos importantes, mediante voto, na nova política do Brasil.

Enquanto isso, em Cuba, Fidel Castro orquestrava aliados, treinava militantes e financiava atividades que nem os dominadores de direita e nem as massas trabalhadoras dominadas conheciam. João Pedro Stédile é um dos mais destacados monitores dessas milícias e dessas atividades.

Um pouco depois, nos países nossos vizinhos ao desaparecer a figura emblemática de Che Guevara, ressuscitou-se Simon Bolívar, como modelo de pensamento político chamado socialismo bolivariarano.

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