terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

1705-O processo das nações colonizadas


O que é diferente nos Estados Unidos
 
Mesmo que na América do Norte tenha havido escravidão e exploração do explorador para com o explorado, mesmo que tenha havido guerra civil com foco na escravidão, ali o imigrante era um empreendedor que foi para lá para ocupar o território como alguém que queria fundar ali uma nação, uma civilização, e nela permanecer e desenvolver-se. Foi a diferença. Na América do Sul o empreendedor (ave de rapina) quis e fez riqueza e retornou para o país de origem; os que ficaram não se importaram com o equilíbrio entre recursos humanos e naturais, exclusivamente voltados para a fortuna. Nem mesmo se interessavam pela independência. Criaram um abismo entre ricos e pobres, entre raça branca e demais raças.
Nos EUA, muito cedo aqueles fundadores declararam sua independência e promoveram sua descolonização não só política, mas também econômica, fundaram uma sólida democracia, nunca passaram por ditaduras, investiram em escolas, criaram as condições (ainda que não as ideais) para que empresários e trabalhadores pudessem se relacionar e impulsionar o desenvolvimento da nação.
Nunca, nos Estados Unidos, como na América do Sul e Central, um governante ficou no poder por anos a fio; nunca um governante enriqueceu às custas dos recursos do país; a cada quatro anos, em eleições diretas de livres (ainda que não seja num processo ideal) troca-se o dirigente; a corte de justiça funciona; e o legislativo legisla não em causa própria como em muitos países das Américas do Sul e do Centro.
Essas condições existentes nos Estados Unidos e no seu vizinho Canadá não caíram dos céus, não foram doadas por nenhum governante ou por nenhum deus salvador, foi o povo que conquistou e manteve. Em princípio, o governante não é o Salvador da Pátria, como ocorre nos países dos demais continentes americanos. Na terra de Tio Sam o povo faz a Pátria acontecer. E faz o governante se comportar como quer o povo. Basta recordar a questão Watergate, em que o presidente (Richard Nixon) foi afastado em poucas horas e o vice (Gerald Ford) terminou o tempo constitucional do mandato. Eis a diferença. Eis o estágio de consciência daqueles povos (estadunidense e canadense) em comparação com os nossos povos da latino-américa.
No caso do Brasil, já por mais de uma ocasião tem aparecido salvadores. E o povo se agarra nas suas vestes à espera de salvação. Foram os casos de Jânio Quadros, que renunciou; de Collor de Mello, que foi cassado; de Lula da Silva, a ser julgado pela história (ou pelos tribunais). Já se está caminhando para um novo salvador.
O essencial na América o povo não faz: dizer e exigir dos governantes o que queremos, de fato.

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