quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

1707-O processo das nações colonizadas


Os sonhos de virada

O pior de todos os capitalismos foi o que sobrou para os países colonizados das Américas do Sul e Central, mas não só, também da Ásia e da África. As riquezas iam (ou ainda vão) embora, engordam as contas de alguém distante, enquanto o analfabetismo, o subemprego, a miséria, a doença, o degredo, vão ficando com a “colônia” e geralmente com seus governos da pior qualidade, sem democracia, sem alternância no poder, com corrupção, com populismo, com patrimonialismo. O temeroso processo do Estado Islâmico (por exemplo) tem suas raízes fincadas nas décadas de dominação ocidental sobre os países petrolíferos.

A guerrilha que existe na América do Sul (FARC e outras) muito se assemelha ao modo de agir dos terroristas islâmicos e a motivação é a mesma. No Oriente Médio agravado pelo fundamentalismo religioso.

De um modo geral, através do rádio, do cinema e da televisão (e mais recentemente da Internet) vem surgindo a reação desde a metade do século XX em diante; começaram aparecer as primeiras lideranças reacionárias, em geral com formação na Europa e geralmente com ideias esquerdistas e comunistas, ancoradas nos ideais de Marx e Engels e graças às experiências chinesa, russa e cubana de governo comunista. Para uma doença crônica, um remédio avassalador. Fomos de um a outro extremo, mesmo sem ter certeza que o comunismo era o remédio. E pior ainda quando se elege o terror como arma de conquista do poder.

O primeiro país da América a se transformar numa ditadura comunista foi Cuba, bem à sombra dos Estados Unidos, que é o maior exemplo de nação capitalista e democrática, cujas consequências foram dolorosas: rompimento de relações, ameaças e tentativas frustradas de invasão, boicote comercial, guerra fria.

Por influência de Cuba, outras nações viram o crescimento dos partidos chamados de esquerda e em paralelo (nas fases mais obscuras das ditaduras de direita) vieram as formações de grupos clandestinos reacionários do contra, geralmente treinados em Cuba.

Eram e são facções que sonham com uma virada de 180 graus. Vão de um extremo ao outro. E em geral, a experiência não tem sido boa, como ainda abordaremos nesta série ao examinar alguns resultados temerários.

Toda dificuldade nesse terreno corre novamente por conta da ignorância. Não se conhece e não se divulga o que acontece no núcleo de poder dos governos comunistas, notadamente em Cuba, que serve de modelo mais próximo a muitos outros países devastados pelo capitalismo selvagem.

Os sonhos de virada não podem ser pesadelos. Precisa surgir lideranças propondo um novo modelo nem selvagem capitalista nem comunista e assim aproximar os interesses de empresários e trabalhadores e para retirar do Estado a sua função empreendedora industrial-comercial. Estamos querendo importar modelos alienígenas que não deram certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário