sábado, 28 de fevereiro de 2015

1709-O processo das nações colonizadas


 
Um aditivo à ignorância e obstáculo ao regime comunista
A exemplo do cooperativismo, que só se consolida em situação de conhecimento e consciência da realidade do que é operar juntos, o comunismo, ainda não provado, talvez pudesse funcionar em sociedades com alto grau de escolaridade, distante do paternalismo, do clientelismo, do controle social, da repressão, da discriminação, como acontece. Em Cuba não há comunismo, há clientelismo, através do qual a casta do poder busca legitimar-se quotidianamente e não perde a oportunidade do uso da coerção para silenciar os descontentes.
Suas deficiências são a nomeação de leigos (ignorantes protegidos do partido) para a gestão de organismos complexos; a não fiscalização diferente do que ocorre nas sociedades anônimas e nas cooperativas por parte dos seus conselhos fiscais; o não controle acionário-eletivo (o dirigente é nomeado); a não cobrança por resultados que otimizem a gestão (os beneficiários nada recebem além de alguns minguados serviços); a repressão militar exercida sobre os setores da sociedade que possam discordar da orientação dos mandatários. Assim se define o regime de Cuba.
Aquilo que alardeiam os propagandistas do comunismo tratar-se do governo do proletariado, não ocorre. O que ocorre é uma ditadura, geralmente militar, que nem é do proletariado, é da cúpula partidária que usa o proletariado para garantir-se no poder.
Toda tentativa de contra argumentar, como algum arauto possa querer, isso só poderia ser válido se a imprensa pudesse revelar o interior do poder cubano. O pouco que se sabe revela como é a gestão comunista naquele país. A ignorância, aliás, não é obstáculo apenas ao comunismo, é obstáculo à democracia, ao socialismo, ao capitalismo, e muito favorável às ditaduras. Como o comunismo tem se apresentado ao mundo através de regimes de exceção, a ignorância o ajuda. Mas, também o deteriora com o passar do temo.
Em todos os campos da atividade humana, o empenho, o compromisso, a dedicação, o zelo, a responsabilidade, vêm acompanhados de resultados, sejam eles por pecúnia direta, dinheiro, salário, participação nos lucros ou seja sob a forma de outra recompensa: conforto, beleza, segurança, bem-estar, prosperidade. Nos regimes comunistas, o povo não conta (na realidade) com nenhum dos dois resultados; os dirigentes destacados para a gestão dos organismos governamentais não recebem bonificação, pelo contrário, a falta de controle os convida a tomar posse de resultados que são levados às suas contas particulares, uma porta aberta à corrupção.
Qualquer arauto do comunismo pode argumentar: no capitalismo também há corrupção. Sim, há, ela é beneficiada pela falta de controle, filha da ignorância. A rigor, regime nenhum é perfeito quando há ignorância. A informação liberta sempre.
Volto às cooperativas. Num tempo em que elas não eram controladas pelos associados, havia corrupção, roubo, falências, desmerecendo, inclusive o próprio modelo. Quando elas investiram na educação dos cooperados e estes passaram a dizer aos dirigentes e a cobrar dos mesmos o que queriam da cooperativa, elas se desenvolveram e hoje estão provando que os melhores resultados econômicos podem ser obtidos nas condições em que o capital e o trabalho atuem do mesmo lado: na cooperativa cada associado recebe pelo que produz usando-se o mesmo critério para todos.
Nos casos das nações colonizadas da América do Sul, em que o capitalismo selvagem levou a sociedade à pobreza extrema e a ignorância foi a mestra da dominação, a volta por cima nunca daria certo em regime que necessite de controle por parte da população: não daria certo o comunismo e nem o capitalismo chamado liberal ou neoliberal. Estas sociedades teriam de regredir ao modelo das comunas indígenas, em que cada tribo tome as decisões mais ajustadas a cada caso. Haveria um retrocesso? Sim, se comparar com os modelos da Europa Ocidental, do Japão, da Austrália. Mas, ali há instrução suficiente para fazer com que os governantes cumpram as leis. Descobertos em falta com a lei são punidos de imediato. Nas antigas tabas também o conselho de ancestrais mandava para o exílio o membro que faltasse com a ética. Quem se tornasse indigno da Pátria, perdia a sua Pátria, era banido. Quando os iguais decidem e também os iguais executam, torna-se mais difícil a corrupção. A corrupção prospera onde há expertos trabalhando para ignorantes, seja no capitalismo, no comunismo ou em qualquer outro regime.
Hoje, na maioria das prósperas cooperativas do Brasil qualquer associado está em condições de discutir sua empresa com relativo conhecimento de causa. Antigamente os associados eram surpreendidos com o passivo da falência de sua cooperativa e chamados ao sacrifício de pagar a conta.
Em países em que os expertos governam e os ignorantes referendam sua entrada no poder, também o povo é chamado a pagar a conta do desgoverno.
Nossa América do Sul vem, desde o colonialismo, envolta no processo turbulento de maus governos e cada dia mais distante do desenvolvimento pela excessiva ignorância das massas que outorgam o poder. Infelizmente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário