domingo, 1 de março de 2015

1710-O processo das nações colonizadas


 
A prática governamental em Cuba

Cuba é uma nação latino-americana que se tornou comunista, mas é um regime tipo sindicalista. A matriz do poder se disfarça em organizações populares, cujos representantes formam um Conselho de Estado, que “elege” o governante. No fundo, o poder é Castro. Os sindicatos e/ou associações comunitárias que renovam e referendam o poder do presidente não se importam que este possa “reeleger-se” indefinidamente como uma espécie de Salvador ou Patrono da Pátria. Isso é obtido através de um aparelhamento militar que privilegia os dirigentes das organizações que votam e perseguem aqueles que discordam.
É melhor não chamar de presidente a autoridade executiva do país, pois, na verdade, o seu cargo, segundo uma constituição aprovada em 1976, ele, como líder máximo, detém os cargos de presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, o de secretário geral do Partido Comunista Cubano e o de comandante em chefe das Forças Armadas Revolucionárias, uma soma acumulada de poderes que vai além de rei, primeiro ministro e ministro da defesa: isso é absolutismo, como se dizia para os regimes em que só o rei mandava.
Nesse caso de Cuba não há Poder Legislativo e sim um Conselho Partidário e não há Poder Judiciário, é o presidente e o Conselho que julgam as questões em que podem caber julgamentos. O líder máximo está acima de todos os poderes. É um perfeito e acabado ditador. Não presta contas de nenhuma despesa pública ou privada. Nesses anos em que ficou no cargo, Castro saiu de simples advogado de classe média para a galeria dos homens mais ricos do planeta. Aplicou o dinheiro dos cubanos em tantas coisas de seu interesse, até mesmo no financiamento de revoluções populares na África; financiou guerrilhas e escolas de formação de guerrilheiros, inclusive no Brasil e para o Brasil.
Qual é a diferença entre o ditador anterior (que usava das mesmas práticas), Fulgêncio Batista, e do atual ditador?
Ah, a resposta tem sido, geralmente, ideológica: agora os Estados Unidos não se imiscuem no país. Isso é apenas uma retórica. Os cubanos continuam fugindo de Cuba porque entendem que a vida que preferem está fora de Cuba e o país preferido para emigrar é os Estados Unidos.
A velha dicotomia ideológica política e religiosa ainda é usada quando convém, mas o pano de fundo é dinheiro. Quando convém a mim, eu defendo, quando não me convém, eu desteto. Só uma parte do povo cubano se beneficiou com o regime de Fidel. Não é diferente na China. Enormes setores continuam miseráveis, mas não são ouvidos, não votam, não têm a imprensa para denunciar.
E não é só isso. Os populares engajados no partido e na defesa do governo de Cuba através das organizações populares recebem (pouco, mas recebem) assistência médica, odontológica, farmacêutica, ajuda moradia, ajuda alimentação (pouca, mas recebem), educação básica desde a creche até a pós-graduação; os trabalhadores não trabalham para as organizações às quais prestam serviço, trabalham para o governo, que fica com a renda.
Enormes contingentes de trabalhadores são formados para prestarem serviços fora de Cuba, a mando da revolução, doutrinados para comunismo além fronteiras. Estes também, como é o caso dos médicos mandados para vários países como agentes e espiões do partido comunista. Claro, os Estados Unidos também fazem isso, com a diferença de que suas instituições são transparentes e democráticas. O governante não enriquece com o dinheiro do povo.
Resta dizer, que os melhores serviços cubanos são exclusividade aos engajados no partido comunista e isto é controlado através de uma carteira renovada periodicamente. Aos não engajados resta pagarem pelos serviços, quando os há ou deixarem Cuba para viver em outro país. É a razão pela qual funciona permanentemente um serviço clandestino de fuga a exilados que se dirigem aos Estados Unidos e são recebidos ali sem protocolo.  

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