segunda-feira, 2 de março de 2015

1711-O processo das nações colonizadas


 
As emigrações

A história do que conhecemos por desenvolvimento (diga-se riqueza) é uma prolongada taxa de declínio da natalidade e a consequente divisão da renda nacional pelo número de habitantes, na média. Se 10% dos habitantes detiverem 90% da renda nacional, o resultado será tão mentiroso que dirá que há riqueza coletiva. O Brasil e os países sul-americanos não são bons em controles e estatísticas, mas é sabido que até a metade do século XX as mulheres geravam 10 ou mais filhos e hoje geram menos da metade. Nos Estados Unidos, em 1870, eram 6 filhos por mulher; em 1986 a taxa havia caído para 1,7 filhos em média. Situação similar e ainda menos expressiva é o caso do Canadá, Europa Ocidental, Japão, Nova Zelândia e Austrália.

A renda per capita no Brasil, segundo o IBGE, anda em torno de R$ 25 mil por habitante/ano e isso diz bem da mentira desses números na prática quando se toma apenas o número de automóveis rodando, que é maior 70 milhões, com inúmeros casos em que um só dono possui dois ou mais veículos e fica explicado que 100 milhões ou mais de brasileiros não tem condições de andar em veículo próprio porque sua renda não permite.

Voltando ao caso populacional. Desde 1980 os países ricos têm uma taxa negativa de habitantes. Ali falta mão de obra para a maioria das atividades mais simples, o que abre mercado para trabalhadores menos qualificados, o que vale dizer, para trabalhadores oriundos dos países pobres. Vale dizer, também, para negros, índios, mestiços, muçulmanos e, no caso, abrindo espaços para os preconceitos raciais, culturais, religiosos...

Como a vida dá suas voltas. Já em 1830 estavam chegando ao Brasil os alemães imigrantes degredados do processo econômico europeu, instalados principalmente no Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De 1860 em diante vieram os norte-americanos fugitivos da Guerra de Secessão, instalados em São Paulo e Paraná, onde estão as cidades de Americana, Limeira e Londrina. Eram diferentes de tudo o que o povo caipira conhecia, até mesmo no sotaque, que acabou chique e foi copiado. Vieram depois os italianos, poloneses, ucranianos, etc. etc. Vinham para ficar e sobreviver na América do Sul. Hoje, países europeus recebem árabes, indianos, africanos, sul-americanos, dentre eles muçulmanos, que também precisam ficar e sobreviver.

A situação dos centros urbanos hoje cercados de favelas e vulneráveis ao que a pobreza vem buscar junto a riqueza (por bem ou por mal), repete-se com os países ricos, que são a meca de milhões de imigrantes. Imigrantes necessários, porém detestáveis.

Quando os imigrantes buscaram a América, a América era rica em recursos naturais e pobre em recursos humanos. Hoje os países buscados pela excessiva mão de obra ociosa e pobre existente nos chamados países do Terceiro Mundo, são aqueles que têm riqueza material e carência humana. Levas que que vão em busca do que o capital pode oferecer.

A esta altura dos acontecimentos pode ser retomada a tese de Thomas Malthus (1766-1834), economista britânico, autor do “Ensaio sobre o princípio da população”, em que previa a necessidade de restrição dos casamentos e nascimentos como medida cautelar para evitar o empobrecimento progressivo das nações mais vulneráveis aos meios de subsistência. O Terceiro Mundo não acreditou nas previsões de Malthus (a Igreja Romana contribuiu para que as famílias tivessem o maior número de filhos) e agora temos gente sobrando, comida faltando, teto faltando, emprego faltando...

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