terça-feira, 3 de março de 2015

1712-O processo das nações colonizadas


 
A descolonização ampla

A conquista da liberdade política e econômica pelas nações marcadas por séculos de colonização será uma longa caminhada marcada por um processo de alfabetização política e liberdade econômica. Melhor dizendo, emancipação. O eleitor não é diferente do fiel ou crente religioso que entrega o comando de sua vida a um santo, a um guia, a um pastor, a um padre. O que se há de fazer senão quebrar estes séculos de paradigmas incutidos pelas religiões, pelos grêmios políticos e pelos ideólogos de plantão, repassados nos templos, nas capelas, nos lares, nos bares, nas empresas, nos clubes, nos cantares e até nas escolas: salvador, vem tirar a minha dor, eu não sou digno de que entreis na minha morada, mas dizei uma palavra serei salvo! O salvador, nestes casos, não é especificamente Jesus ou outro similar, é o bodegueiro da esquina, o patrão da fábrica, o vereador, o prefeito, etc., etc.

As igrejas, a exemplo dos partidos políticos, queriam, querem números, consistência, adeptos, votos, poder, dinheiro... Então você, meu fiel seguidor, nasce aí o perigoso paradigma: “você não precisa pensar, eu penso por você; não se preocupe com a estrada, eu guio você; segue-me que eu te darei o céu, a vitória, enfim, tudo. Invoca meu nome nas tuas dificuldades e as portas abrir-se-ão. Eu sou teu pastor e nada te faltará”.

Pois o nosso povo acreditou nessa promessa e deixa tudo para alguém resolver. Deu nisso que temos.

Quantos bilhões de pessoas ao longo de 20 séculos passaram por esta lavagem cerebral, acompanhada de um brutal obscurantismo escolar, erguendo os olhos e fazendo genuflexões diante de reis, políticos, bispos, pastores, líderes e também de imagens de santos? Como se desconstrói uma construção assim?

Ora, isso não é fácil. A começar pela Igreja líder que nesses 17 séculos de sua existência nunca elegeu um papa que não fosse europeu, súdito da escola imperial romana, responsável pelo maior colonialismo que tivemos. Quem tenha acompanhado de perto as batalhas deste último Papa (Francisco), o primeiro não europeu e primeiro latino-americano, deve estar ciente das pressões que este homem está enfrentando para fazer sua igreja dar um só passinho à frente.

Com a mentalidade dos papas que já foram, contam-se às centenas, pelo mundo colonizado a fora, os governantes da mesma cultura. Quem poderia dizer que Obama, negro, pobre e não cristão seria eleito e reeleito nos Estados Unidos? Ali foi possível. Noutro país, jamais.

Qual a organização, além da Igreja, da ONU, da UNESCO, da OIT, que poderia liderar uma cruzada educacional de formação de cidadania, de despertar do direito e do dever para, num período de 10 ou 20 anos, podermos contar com bilhões de cidadãos, contribuintes, eleitores, consumidores e também fieis religiosos, capazes de se libertarem dos seus tutores? Sem isso, dificilmente em mais um século será possível pensar em descolonização.

Veja, se a era que recém começa vai durar 500 anos, já teremos perdido 100 ou 20% do tempo. Eu posso estar exigindo muito de meus leitores, mas se eu fosse você me ergueria da poltrona e sairia por aí em busca de aliados para esta cruzada heróica. É o mínimo que temos de fazer.

Fim da série.

 

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