quarta-feira, 18 de março de 2015

1727-Desigualdade e felicidade


Reféns do Estado incompetente

Os 1,110 trilhão de reais que formaram o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2013, se dividem, hoje, em 599 bilhões que vão para os bolsos dos 90% que são considerados pobres e 511 bilhões que vão para as contas dos 10% considerados mais ricos (os números são de 2013 porque eram os disponíveis).

Um pequeno exercício futurista apresenta o Brasil como um possível país sem desigualdades se pudesse promover, apenas, o dobro de renda aos 90% mais pobres. O PIB saltaria para 1,709 trilhão e o país subiria para a posição de 5ª maior potência do planeta.

Mas, nós não temos como colocar 12 mil dólares/ano no bolso de 170 milhões de brasileiros porque 85 milhões de nossos compatriotas não têm qualificação profissional para receber mais do que recebem atualmente. Não fizeram um bom curso básico, não cursaram o segundo grau (bom ou mau), não estiveram nos bancos escolares dos cursos profissionalizantes, são raros, entre eles, os que chegaram à universidade.

Na cabeça desses brasileiros eles nasceram pobres, têm de ser operários, têm de trabalhar 12 horas por dia, têm de morar no morro ou no bairro afastado, têm de enfrentar toda sorte de problemas com os deslocamentos de casa até o trabalho, têm de virarem-se como bóias-frias, não ter plano de saúde, e raramente procurar preveni-la. O pior programa de saúde do país se chama SUS.

Ao chamar 85 milhões de compatriotas para a classe média, o Brasil teria praticamente mais uma vez acrescido o volume de vendas ao consumidor final e arrecadaria, no mínimo, 30% mais em impostos com os quais faria novas escolas, novos hospitais, novas rodovias, mais segurança, mais tudo, inclusive melhorar o SUS.

Mas, nós não pensamos certo. Aquele pobretão, semi-analfabeto elege o político populista, clientelista, que é corrupto e corruptor, carreirista, vive preparando sua próxima eleição e nunca tem compromisso com a Nação. Aliás, não somos uma Nação, como já foi dito.

O Brasil tinha uma carga tributária bruta de 24% do PIB em 1988 e o Estado investia 3% do PIB. Hoje temos uma carga tributária de 36% do PIB e investimos 2,4% do PIB. Aumentamos em 66% a carga tributária para tornar ainda mais difícil o ato de produzir e gerar riqueza e estamos investindo apenas 80% do que investíamos há 25 anos. Voltaremos à questão dos reféns do Estado.

Nossa base de recursos humanos é claramente a mais grave deficiência civilizatória deste país. Na mesma pesquisa referida na postagem nº 1726 tem um dado que deveria ser seriamente discutido hoje: 44% das crianças brasileiras até 14 anos pertencem a famílias pobres, com renda familiar per capita inferior a R$200,00. E 20% em famílias com renda inferior a R$100,00. Ou seja, apesar de todo o avanço e toda a nova classe média apregoada pelo governo atual, a situação da infância no Brasil é calamitosa. Metade da população não tem saneamento básico.

Outro dado perigoso: a soma das pessoas que possuem rendimentos advindos de arrecadação de impostos, como funcionários públicos, beneficiários da previdência pública e os que recebem Bolsa Família, chega hoje a 40 milhões de famílias, algo como 120 milhões de pessoas. Isso dá ao Estado um poder de tutela que torna difícil alterar. Sai dessa. E o mais pior dos piores, faz do dinheiro público o sustentáculo de uma sociedade que produz cada vez menos.

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