sábado, 21 de março de 2015

1730-Desigualdade e felicidade


O vacilo das urnas e o seu resultado

O Brasil que emergiu do regime militar estava com muita sede de democracia e ela veio com democratismo. Democratismo é a fórmula que propõe discutir e votar temas que os participantes mal conhecem e que o manipulador leva de arrasto.

Quer um exemplo de democratismo? Vá a audiência pública em que a militância do PT se faça presente. Ela ganha no grito, no barulho, não há debate, não se estabelece a controvérsia. No final, o aplauso pelo fato de que o tema foi a debate e recebeu o apoio coletivo. Uma pinóia, isso não é e nunca foi democracia.

Nas eleições de 2014 também não houve democracia. A militância paga do PT foi de porta em porta onde havia uma concessão de Bolsa Família e avisou: se perdermos, a bolsa dança. E todos sabemos que não dançaria. Ninguém mais cancela a Bolsa Família sem oferecer algo muito mais atrativo que a simples esmola.

A outra parte do eleitorado estava sob a tutela dos contratos do PAC, Petrobrás, Eletrobrás, etc. etc.

O que entristece é ver boa parte do empresariado brasileiro tutelado pelo governo e neutralizado na sua capacidade de crítica pelo fato de depender de obséquios, favores, subsídios e proteção que o governo oferece. O empresariado brasileiro em boa parte se comporta como súdito e não como cidadão. Repete o comportamento daquele pobre que recebe Bolsa Família e tem medo que o PT deixe o poder. O governo abriu esse balcão de negócios. Começou a negociar caso a caso tarifa de proteção para setor e a abrir os cofres dos bancos estatais para determinados ramos de empresas. Como é que um empresário que está dependendo de um crédito de um banco estatal vai poder aparecer publicamente criticando o governo? Ele fica tolhido. A elite empresarial está no bolso do governo.

Já era assim no Império. A República Velha precisou se afirmar e usou das mesmas ferramentas. O governo militar foi buscar dinheiro externo e chamou os empresários para repartir o bolo. Fernando Henrique privatizou e novamente agradou àqueles que tiraram proveito disso. E Lula completou o tabuleiro com as inúmeras barganhas feitas com o dinheiro do BNDES. Os 10% mais ricos do Brasil são os que mamam nas tetas do poder. Entre os 90% que estão fora desses números, 60% não sabem votar ou estão beneficiados pela Bolsa Família. Sobram 30% da classe média e dos aposentados que têm todos os motivos para votar na oposição, mas não sentem firmeza nas propostas oposicionistas. Sai dessa.

Um argumento nunca repetido nas rodas que analisam o Brasil: o governo militar cometeu um grande pecado ao não preparar uma elite para governar em sua sucessão. Logo que os militares voltaram para a caserna o governo passou às mãos dos exilados. E como as sabe, o exilado foi aplicar aquilo que lhe deu a condição de exilado. E por que ele foi exilado? Porque na avaliação da direita militar o país estava caminhando para o comunismo. Ironia, essa é a bandeira do PT.  

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