sábado, 28 de março de 2015

1737-A Fé a serviço da Ciência


Por que a inclusão de Deus?

Pois bem, aí está um ponto controverso. Os ateus adorariam vê-lo comprovado. Os céticos olhariam para um milagre com frieza. Os muito religiosos ficariam contrariados com a notícia de um milagre acontecido sem a intervenção de um santo. E, no entanto, milagres acontecem todos os dias em situações em que nem mesmo é invocada a intervenção de um santo, de um deus. Por que? Porque as nossas necessidades de encontrar um salvador externo criaram deuses, poderes extra homem e chegamos ao Deus principal, na verdade, uma concepção humana. Ninguém terá como afirmar e comprovar que é assim fora da fé.

O próprio Charcot tinha posição quanto à questão da inclusão de Deus nos milagres: “É sobretudo nos santuários religiosos que a cura pela fé encontrou ambiente mais propício para ocorrer”. A expressão “santuários religiosos” deve ser interpretada com bastante elasticidade, pois o número de correntes religiosas e filosóficas aumentou em progressão geométrica, de tal forma que atualmente seu número se conta aos milhares, tentando levar os seres humanos à aproximação com Deus através da fé no Pai Celestial. Não importa qual dessas formas de crer em Deus as criaturas humanas escolham, porque o que conta mesmo é sua certeza na Paternidade Divina – melhor dizendo, no Poder Divino que pode estar dentro de nós - e no cumprimento de Suas Leis (Universais), que Jesus resumiu no “Amor ao próximo como a si mesmo”. Atrás dessa palavra (Amor) pode estar toda a explicação que buscamos desde que fomos despertos para a inteligência. Se os templos da antiguidade, inclusive do Egito e da Grécia, detinham avançadas informações sobre a vida espiritual para conhecimento dos adeptos em condições de compreender tais realidades, hoje em dia essa facilidade se fez acessível a qualquer pessoa que se interesse pelo assunto, através de uma bibliografia disponível em todos os idiomas do mundo civilizado, contando-se aos milhões. Ninguém mais, em princípio, pode se dizer sem condições de conhecer a existência ou não de Deus e dos caminhos que conduzem a Ele ou outra forma de líder com o poder da vida. Em qualquer lugar do planeta chega a Verdade, em claridade variável, mas não há ausência absoluta da Luz do Conhecimento para quem quer que se disponha a aproximar-se mentalmente desse Autor cuja existência não é fé que explica, é a ciência. Como poderá existir tanta coisa certíssima, complexíssima, se não tiver por trás, antes, acima, um Autor? Que outra força terá inventado uma árvore? Árvore que nós destruímos e não somos capazes sequer de refazer uma de suas folhas. E, no entanto, dentro de uma simples semente está a árvore inteira.

Se a descoberta não é feita pelo seu próprio processo intelectual, a explicação parece óbvia: a força íntima humana necessita de um disparador e se não sabemos onde está, a ligação da força íntima com o poder autor se encarrega de dispará-la. É quando o instrumento que serve a fé vai buscar a canoa para que o incapaz de nadar faça a travessia que por suas próprias forças não faz. A canoa é o santo, o terapeuta, o guia espiritual...

Se é possível o alcance do milagre da cura sem intervenção de um ente divino – como tem acontecido – por que os centros de cura pela fé são casas religiosas, geralmente espíritas, umbandistas ou mistas? A resposta sempre terá de ser: 97 é o placar das curas milagrosas em presença de entes divinos contra 3 das curas sem presença de entes divinos. O raciocínio é o mesmo já esboçado. No interior das casas religiosas o paciente direciona sua fé antes para o ente divino em busca de força (que possui e não sabe usar) e depois a direciona para seus males. Tire-se fora o fator “ente divino” e coloque-se no centro da questão a mente potenciada do paciente, apenas, e o resultado será o mesmo. Na cultura que temos, todavia, sempre haverá maior trânsito e aceitação quando se tratar de abrir-se, sempre ou quase, para o poder divino que está fora. Na verdade, está dentro e não é visto. Precisa ser visto fora para acender dentro.

E há mais para narrar. O mundo espiritual trabalha em função dessa propagação, inclusive dotando o mundo dos encarnados da presença de médiuns dedicados à constatação aos olhos de todos de que a morte mata apenas o corpo, mas o espírito sobrevive e pode comunicar-se com os encarnados, além da divulgação da reencarnação, de tal forma que a tendência é todas as correntes religiosas e filosóficas evoluírem no sentido dessa certeza. Não se trata de crer. A estrutura científica do universo é assim. Apenas as religiões mais retrógradas firmam posição contrária a isso não por outro motivo: afirmaram outra coisa e agora não querem corrigir.

Em todas as épocas existiram taumaturgos, desde Simão, o mago, até o príncipe de Hohenlohe no começo do século, passando pelo diácono Pâris, que tinham o dom de realizar curas ditas milagrosas, ou seja, inspirar a cura pela fé e até mesmo Frei Bruno, o pároco do Oeste Catarinense da década de 1950. Normalmente o próprio doente não sabe como se conduzir para propiciar a própria cura, necessitando de quem lhe conduza a fé em direção a Deus para (de retorno) receber o tratamento adequado.

Se aparece alguém que auxilie o doente nesse caminho, a cura tem toda chance de ocorrer. Jesus mesmo deu esse testemunho, quando, por exemplo, curou muitos doentes, sendo que, depois de perguntar-lhes se eles criam que Ele podia curá-los, eles respondiam afirmativamente, Ele conjugava Sua Vontade afinada com o poder que conhecemos pelo nome de Deus com a dos doentes cheios de certeza no Poder Divino, e, então, a Vontade (de Deus) se manifestava, recuperando tecidos lesionados, atrofias longamente mantidas e ocasionando diversos outros benefícios orgânicos e mentais. Quanto à cura moral, muito se pode fazer, como nos casos de Paulo de Tarso, Zaqueu e Maria de Magdala, que creram e foram iluminados por esta Luz (que chamamos) Divina, que espantou as trevas interiores que eles traziam.

Mas, por outro lado, foram muitas as vezes em que Jesus arrematava: “a tua fé de curou”, como se estivesse a afirmar: a cura não foi minha, você tem aí dentro de seu íntimo o poder que acha vir de fora.

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