quinta-feira, 30 de abril de 2015

1770-Nosso continente antes de chamar-se América


Um continente riquíssimo

Diferentemente da Europa, Rússia Asiática e boa parte da Ásia, o território americano foi e é bem servido de imensas planícies, muitas árvores, grandes e pequenos rios, um clima espetacular variando entre temperado, morno e frio, a mais estonteante variedade de animais, peixes e aves. Também é imensa a variedade de vegetais e a possibilidade de solos para todos os tipos de culturas. Nada parecido com aquelas geleiras que cobrem os montes (e como tem montes) da Europa e Ásia, e ali se demoram até 8 meses e mais para derreter.

Completava essas qualidades a variedade humana, diversificada entre enormes, médias e pequenas nações chamadas (erroneamente) de indígenas, eis que se deu como desculpa o fato de Cristóvão Colombo estar (como desculpa) a caminho das Índias e haver aportado no que foi erroneamente chamado de Índias (ocidentais), primeiro nome das terras descobertas. Assim, o habitante das “Índias Ocidentalis” ficou denominado “índio”. Na verdade era nativo, cada uma com seu idioma, seus costumes, mas, na essência, com a mesma visão cósmica sagrada. Seu nome mais correto depois da denominação oficial seria americano. E também não amerígena pois que nessa semântica está implícito o termo “índio”.

Aparentemente, os primeiros alienígenas nada viram que os impressionasse, além das pepitas de ouro, da prata que brotava nos veios das pedreiras, das pedras multicoloridas (preciosas) que afloravam no solo e, claro, também, as terras para cultivar e os braços para escravizar, além das genitálias femininas das mulheres nativas para satisfazer os apetites sexuais dos aventureiros. Assim começou nas Américas uma das primeiras, se não a primeiríssima miscigenação entre o que se pensava serem raças ou etnias da espécie humana.

Com isso, os exploradores não viram tudo. Estavam um tanto reservados no interior do território povos cujas civilizações poderiam deixar perplexos muitos visitantes. Os ibéricos olhavam para as minas. Minas portadoras de minérios e minas portadoras de pessoas para explorar. Os colonizadores de língua inglesa tinham diferentes interesses na área que hoje é os Estados Unidos da América mas, nem por isso, foram menos cruéis com os “índios”. No Canadá também os franceses não fizeram diferente. 

Enquanto seus interesses iam deslanchando no México, no Peru, no Chile, no Uruguai, no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos, no Canadá, valorosas culturas sagradas davam de dez a zero nos europeus sob muitos pontos de vista. Mas os outros pontos de vista não rendiam dinheiro nem dava prazer aos exploradores. Ficaram de lado.

Astecas, maias, incas, chan chans, goiáses, guaranis, carijós, huasos, mapuches, charruas, cherokis, moicanos e tantos outros entre perseguidos, cassados, expulsos, assassinados, submetidos, foram minguando, minguando e minguaram.

Pouco, pouco, muito pouco resta da sabedoria e da história desses povos.

O que poucos estudiosos anotam é que a alma dos nativos quando contrariada conduz os viventes a um extremo estado depressivo e não raro à morte. Foi exatamente por este motivo que os nativos escravizados, tirados de seu meio e levados para os engenhos de açúcar ou para escavações de minas, em poucas semanas estavam doentes, causando mais problemas que soluções ao escravagista. Ao menos, assim, parou o interesse por escravizar “índios”. O interesse do escravagista se voltou para a África, cujo modelo tribal se embasava de forma menos coletiva.

Nalguns retalhos mediúnicos que nos chegam do mesmo modo que nos chegaram as histórias sagradas, é dito que antes de 1492 estavam nas Américas povos com diferentes níveis de consciência cósmica ou religiosa. Entre os mais desenvolvidos estavam os maias, astecas, incas, chan chans e inclusive os precursores do povo goiá, no Brasil. Eles teriam chegado às Américas como emigrantes saídos do continente de Atlântida, do mesmo modo Noé, como narra a Bíblia.

Para melhor clareza aos leitores, estamos descrevendo na postagem 1772, relativa ao Brasil, os detalhes das navegações atlantes aqui chegadas.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

1769-Nosso continente antes de chamar-se América


Antes um mergulho de 800 mil anos

Antes de falar dos tempos coincidentes com o descobrimento de nosso continente, vamos lá para trás, muito, muito para atrás, para compreender como é a que a ciência e a espiritualidade narram o nosso muito antigo tempo e local.

No livro “A Máquina de Uriel”, Christopher Knight e Robert Lomas, investigam que a Terra foi atingida muitas vezes por cometas e meteoritos.

Trabalhos de laboratórios sugerem que esses impactos poderiam proporcionar ondas marítimas de mais de 5 mil metros de altura capazes de percorrer 640 quilômetros por hora. Nos últimos 10 mil anos, houve dois impactos de tal proporção, um deles aproximadamente em 7640 a.C., e o outro em 3150 a.C., na época do conhecido Dilúvio de Noé. (Entenda: como está na Bíblia, é dito que a Terra ficou submersa; mas a ciência explica que a quantidade de água na Terra sempre foi algo estável variando muito pouco entre o que hoje temos. É impossível que a água tenha coberto toda a sua superfície. Então, precisamos cuidar disso com o olhar apenas nos continentes).

Os autores se voltam para as antigas origens da ciência e tentam provar que os humanos não somente sobreviveram à inundação de 7640 a.C., mas também desenvolveram uma civilização altamente avançada, dedicada a preparar-se para impactos meteóricos futuros. Construindo uma rede internacional de observatórios astronômicos sofisticados esses astrônomos antigos criaram calendários solares, lunares e planetários exatos; mediram o diâmetro da Terra e predisseram a colisão de 3150 a.C., permitindo a reconstrução da civilização em um mundo quase que totalmente destruído. Essa era a verdadeira finalidade de estruturas megalíticas como Stonehenge e outras.

Além de muitas análises científicas, o livro apresenta também um viés esotérico e maçônico, agradando aos que apreciam essa linha de estudos. 

No livro “Atlântica e Lemúria – Continentes Perdidos”, o autor William Scott Elliot, célebre adepto da Teosofia, traz interessantes informações sobre a Atlântida e a Lemúria, relatando os quatro afundamentos que ocorreram na região atlântica, a 800 mil anos, 200 mil anos, 80 mil anos e a aproximadamente 12 mil anos. Para os interessados na visão da Teosofia sobre a Atlântida é um belo trabalho a ser lido. 

O que se está aludindo nos trabalhos a que nos referimos vai além do que a ciência pode afirmar. Não havendo provas arqueológicas e/ou paleontológicas, como de fato não há porque tudo foi destruído pelo tempo, qual teria de ser o arquivo onde se pode obter informações de tão longe no passado? A resposta tem de ser: a memória de espíritos que viveram aquele tempo. E é isso que vem ocorrendo desde o registro de chegada na Terra de levas espirituais vindas de outras galáxias ou desta mesma (Via Láctea), até os registros de civilizações que existiram aqui na Terra há muitos milênios antes que estas mais recentes civilizações começassem a proceder os registros. Se a Terra tem, segundo os cientistas, 3,5 bilhões de anos, precisamos admitir que possam ter prosperado aqui algumas civilizações anteriores a esta que, ao que parece, tem menos de 50 mil anos.

Então quem estuda, quem escreve e quem lê, têm de estar muito livre das cadeias e paradigmas para poder permitir-se mergulhar nas brumas do tempo passado. Pois bem, se já estamos mergulhando, vamos em frente, não é mesmo?

terça-feira, 28 de abril de 2015

1768-Nosso continente antes de chamar-se América



Introdução
Uma coisa é a história oficial e, nesse caso, escrita por escoceses, ingleses, portugueses, espanhóis, com algumas tintas holandesas, francesas e de outras nacionalidades, outra coisa é o que poderá ter havido aqui antes de 1492, ano do calendário gregoriano, calculado com base no tempo a partir do nascimento de Jesus Cristo. História que, como sabemos, fez estes continentes chamados de Américas (Norte, Centro e Sul), serem incluídos nos mapas oficiais do mundo. Aliás, quando descoberta a América o calendário ainda era juliano.
 
Quanto ao calendário, uma crítica: ele deveria ser chamado de Calendário Cristão, não é mesmo? Mas, a fome de poder e brilho dos homens da época fez com que de juliano (Júlio César, imperador) ele passasse a gregoriano (Papa Gregório). Quem dos dois queria mais holofotes?


Quanto ao nome do continente outra crítica: ele deveria ser chamado de Colômbias, em homenagem ao comandante da expedição e não em homenagem ao financiador da expedição: Américo Vespucci.

Há histórias muito bonitas contadas espiritualmente sobre os povos que os espanhóis, bretãos e portugueses (além de outros) encontraram nas Américas de 1492 em diante. Segundo se ouve dos historiadores ali do andar de cima, estavam aqui povos extraordinariamente desenvolvidos, em alguns aspectos, mais do que se possa entender (hoje) por desenvolvimento.

Esses seres especiais, diferenciados dos demais indígenas, digamos, comuns, que também estavam aqui, foram encontrados e identificados pelos colonizadores, mas nem tanto por conta das limitações intelectuais dos colonizadores que aqui aportaram, mas muito por conta do tipo humano que aqui chegou, primordialmente, como explorador, os povos nativos não eram vistos como gente que podia contribuir com conhecimentos, costumes, dicas alimentícias e tanta coisa mais. Eram vistos como empecilho atravancando as ações rapineiras dos alienígenas, interessados em ouro, prata, pedras preciosas antes de tudo e em escravos secundariamente. Os braços dos homens nativos podiam servir para escravizar e o corpo das mulheres nativas podia servir como instrumento de prazer aos peregrinos solteiros de passagem pelo mundo novo.

Você, leitor(a) gostaria de mergulhar nas brumas do tempo passado e retirar de lá algumas estórias ou histórias muito antigas escritas sobre o solo americano antes de se chamar América? E você, leitor(a) brasileiro(a) gostaria de mergulhar nas brumas do tempo passado e retirar de lá algumas estórias ou histórias muito antigas passadas na Terra das Araras Vermelhas, antes de o Brasil se chamar Brasil? Se sim, vem conosco.
 


segunda-feira, 27 de abril de 2015

1767-A Voz do Silêncio

 

Linguagem para falar a “língua”

 
Sim, existem línguas e linguagens. Note-se que os programas de informática possuem ou não compatibilidades que permitem ou não o fluxo, a leitura de uns para com outros formatos, como WordPerfect, Works, Macintosh, Documentos HMTL, RTF, Texto MS-DOS, Doc, Dot e outros. Com as pessoas não é nada diferente, isto é, se não trabalhamos a afinidade dos códigos de percepção, decodificação, interpretação e compreensão, jamais chegaremos a comunicar na profundidade que podemos comunicar, entendendo a comunicação como comum relação, comum ligação, comum correspondência, comum reflexividade, reciprocidade, equivalência.

 

Quem não sabe que os conteúdos da informática buscaram correlação com a mente e o fazer humanos?

 

Os seres sábios experimentam a maravilha que é deixar de lado a vontade de falar de tudo que sabemos. Não há necessidade de nos expressarmos com palavras. Menos de 1% delas acabam tendo efeito quando ditas a esmo. O correto é reter silenciosamente as nossas percepções, aprofundá-las até que elas tenham permeado e transmutado todo o nosso ser e só então buscar uma comunicação adequada. A comunicação verbal precoce impede a transformação silenciosa que a verdade produz em nós e no outro. Todo discurso emerge de uma prática, mas nenhum discurso é mais forte do que a prática da qual emerge. O silêncio nos dá a possibilidade de praticar o que pensamos, em vez de dispersar energias expressando opiniões, muitas vezes infundadas e passíveis de vícios.

 

Os dolorosos fracassos nas tentativas de comunicar oralmente, experimentados por muitos líderes, ensinam que o melhor discurso é feito por ações, no poder do silêncio, relatadas depois não pelo próprio ator. Os grandes sábios ensinam que quando não podem ser transmitidos em silêncio, os segredos da vida espiritual são incomunicáveis.

 

Por outro lado, a renúncia à fala evita a dispersão e preserva a energia sagrada do que foi percebido por nós. A melhor maneira de viver é intuindo, testando, confirmando e aprofundando a vivência direta das nossas verdades.

 

Enfim, o Silêncio.


 

Isso mesmo, escrito com “S” e não com “s”, em respeito ao sagrado. Ao lado da palavra, dos símbolos, das imagens, dos sons, dos olores, dos sabores, dos toques, o Silêncio se apresenta como a sagrada morada do amor sublime e da sabedoria. O medo do desconhecido e o apego à rotina nos faz exagerar o papel das palavras em nossa vida. O amor sublime e a sabedoria são sempre mutilados quando os arrastamos para o território das palavras na tentativa de obter segurança. As palavras podem ir até o nível do supremo, mas o supremo não pode ser trazido para o nível das palavras. Não no todo. Só em parte.

 

Os pais mais ensinam seus filhos em silêncio, pelo exemplo, do que pelo uso das palavras, geralmente em excesso. Nem sempre os pais são sábios e nem sempre os seus exemplos são bons. Os instrutores espirituais autênticos falam e escrevem, mas sabem que toda transmissão verdadeira de sabedoria é silenciosa, independente do que possa ser dito ou escrito. Sabem que nunca o conteúdo transmitido é o mesmo recebido. E sabem que a verdadeira construção da sabedoria não é derivada do ato de uma mente depositar fórmulas em outra, mas do ato de uma mente estimular a outra a buscar suas fórmulas próprias. E tudo é sabedoria. A sabedoria não é patenteada. É como a luz, que não escolhe criar zonas de sombra aonde vai.

 

 A Comum União.


 

O Silêncio é o território da percepção direta e da comunhão, comum união, que é onde também ocorre a comunicação (ato de comum nicar = copular). É nele que ocorrem as coisas mais importantes da vida. É sempre em momento de silêncio que brilham o amor, a compreensão e o relâmpago de intuição. O Silêncio físico contém todos os sons, todas as músicas, todos os ritmos, assim como o espaço físico absoluto e infinito contém todas as estrelas, galáxias e planetas. No Silêncio psicológico, o meditador e o místico se unem finalmente a seu verdadeiro eu e compreendem todas as coisas ao mesmo tempo. A Superior Inteligência do Universo repousa no Silêncio, onde pode ser acessada por quem estiver à altura de merecer percebê-la, comunicar(-se) com ela. 

 

O sábio guarda o Silêncio dentro de si em todas as ocasiões. Ele se emociona, sim. Ele expressa seus sentimentos, luta, se esforça, é derrotado e vence. A diferença é que seus objetivos são altruístas. Por isso o Silêncio está ali o tempo todo ao lado dele, aconselhando-o. Ele não obedece a emoção como se ela fosse um comando para a ansiedade, a irritação, o medo, a luta. Ele busca conhecer as razões da emoção e atua na sua potencialização criadora.

 

O sábio sabe que é melhor amar que ser amado, curar que ser curado, carregar que ser carregado, servir que ser servido, iluminar que ser iluminado. E compreende silenciosamente as razões da existência do cosmos, das plantas, dos peixes, das aves, dos animais, dos homens, da chuva, do frio, do calor, da luz...

...assim como compreende e conhece a si mesmo.

 

Fim da série. Silêncio!

domingo, 26 de abril de 2015

1766-A Voz do Silêncio

 
Quando falar é pouco

Você nunca ouviu pessoas que falam, falam, falam e não dizem nada? Isto é, o que dizem não faz sentido, nada informa. Poder-se-ia conceituar como barulho? Sim, os barulhos, na maioria das vezes dizem algo. Por exemplo, o aplauso, o apupo, a vaia. Mas, tem barulhos que nada informam além de dizerem que estão ali. Tenho tido a chance de ouvir potentes alto-falantes em ambientes muito frequentados, em geral, competições ou mobilizações, que emitem um som contínuo, uma batida, um bate-estaca, sem melodia alguma, como se aquele tuk-tuk-tuk estivesse desejando calibrar os batimentos cardíacos dos ouvintes. Claro, a frequência é maior, o dobro maior que as 70 atuais batidas por minuto que se mede na maioria das pessoas. (Um parêntesis: já foi 60 por minuto, de onde os inventores do relógio foram buscar parâmetro para chegar ao minuto, a hora, etc. Hoje está acelerado e já tem gente com mais de 70, mais de 80 como se fosse coisa normal. É normal?)

Voltando ao caso do “falar sem nada dizer”: nossos anjos guardiões, encarregados de acompanhar e monitorar a trajetória de nossa alma pelo corpo biológico, tem como se comunicar telepática ou mediunicamente conosco. Não têm obtido sucesso. Mas, nesse caso não é o falar sem nada dizer, dá-se o contrário: a fala deles não é entendida por nós, nem nos sonhos, que é quando nossa alma vai passear e recolhe informações que deveriam ser absorvidas e consideradas por nós e isso também não acontece. Livros e mais livros sobre interpretações de sonhos infestam as estantes das livrarias querendo tomar o sonho que sonhei com o sapo da lagoa e transformar a metáfora que é só para o meu caso numa coalisão de casos destinados a milhares de consulentes. Não é assim que as coisas funcionam. O sapo e a lagoa são apenas indícios de uma mensagem que contém água (o significado da água na natureza, sua persistência para chegar aonde quer), contém o sapo (um ente que tanto vive submerso como fora d’água, a indicar diversidade de comportamento, a capacidade de adaptação, o jogo de cintura). E agora, o que mais aconteceu no sonho? Ah, eu me assustei, pois tenho medo de sapo! Gritei. Não havia ninguém para me acudir. Acabei acordando com o coração na boca. Que sonho bobo!!!

Bobo sou eu que vou lá no livro que interpreta sonhos e leio que sonhar com sapos quer dizer que um príncipe encantado disfarçado de sapo vai surgir na minha vida.

Bem, o anjo guardião deixou o recado na caixa de entrada e eu, estúpido, vou ficar sentado à beira do caminho à espera do príncipe.

Pois, então, nem nos sonhos que são transmitidos à NOSSA mente por NOSSA alma (são coisas íntimas e exclusivamente nossas) nós somos capazes de entender o que dizem NOSSOS anjos guardiões, entidades divinas que nada mais objetivam do que nos ajudar. Que fazer? Voltar lá onde toca o tuk-tuk-tuk e acelerar nossos sistemas endócrinos, beber uma cerveja, fumar um baseado, cheirar um pó, acelerar a morte...

Desculpe, leitor, leitora, há momentos em que o educador tem de ser duro sem perder a ternura. Cadê a ternura nesse caso? A ternura está em sugerir o silêncio. Tira o tuk-tuk-tuk, tira o ronco de automóveis, motos e aviões, vai à praia ou à margem do rio, ouve os sussurros das ondas ou corredeiras, escuta a fala dos pássaros, observa o saltitar dos peixes, tira os calçados, sente a areia molhada, respira fundo várias vezes, senta, relaxa, deita, fecha os olhos, imagina uma estrela lá centro da abóbada, fixa nela, imagina recebendo dela um feixe de energia branca a entrar pelo centro da testa, chakra frontal. Fica assim pelo tempo que quiser.

Volta aqui nos próximos dias. Repete tudo.
 
Você está se candidatando a canalizar, está treinando para receber mensagens telepáticas ou mediúnicas de inteligências que, nestas condições, podem ajudar. Agora se você está no ritmo do tuk-tuk-tuk, bebendo, fumando, alcoolizando-se, drogando-se as mensagens vão ou podem chegar, mas a sua qualidade e seu objetivo são muito diferentes, muito outros.

sábado, 25 de abril de 2015

1765-A Voz do Silêncio


Haverá silêncios para vencer e barulhos para perder?

O uso do silêncio é, pois, um instrumento indispensável para o guerreiro, para o líder, para o mestre que buscam a sabedoria. Mas, o silêncio não significa necessariamente a ausência de palavras. O sábio pode praticar um silêncio setorial enquanto convive fraternalmente com as pessoas, evitando pensar ou falar sobre questões pessoais e mantendo seus pensamentos e palavras em um nível acima das questões menores. A sinceridade com todos deve ser exercida em um plano superior, para que não se transforme em fator de destruição das relações humanas. A construção e a destruição de boas amizades contam com o fator comunicação. Não se inicia e não se acaba uma amizade se não pelas palavras, no primeiro caso, doces, no segundo, amargas. São abundantes os exemplos de amizades que terminam na abundância das palavras e de amizades que se afirmam no silêncio dos gestos. Captar ou descartar amizade e amor são também consequências dos atos de falar ou calar. A impessoalidade produz paz interior, assim como a preocupação consigo mesmo gera ruído emocional. À medida que o silêncio psicológico se amplia em nossa vida, passamos a poder ouvir com clareza crescente aquilo que os místicos chamam de a voz do silêncio, o som da nossa alma imortal, a música eterna que nunca cessa e que só escutamos enquanto nossos ouvidos são tapados por nossa agitação pessoal. Quem ouve a voz do silêncio recebe um magnetismo vital de grande poder. Não há fonte de energia maior que o contato com o mundo divino. A vitória humana passa pelo mundo divino.

E o barulho, o que é?


O filósofo Arthur Schoppenhauer afirmava que a inteligência do ser humano está na razão inversa da sua capacidade de suportar barulho. Escorados na lição do filósofo alemão, podemos dizer que a sociedade atual reprime a inteligência principalmente de nossos jovens submetendo-os a toda a sorte de barulho exterior. As atividades que se valem das máquinas de captar dinheiro não carecem de clientes criativos, muito pelo contrário; elas buscam transformar os seres humanos, desde quando ainda crianças em consumidores ávidos, barulhentos, compulsivos, escravos dos seus desejos criados artificialmente. Todos ganham, exceto o cliente, exceto o povo.

E a Inteligência Espiritual, o que é?


Por outro lado, a inteligência espiritual brilha na razão direta do nosso prazer pelo silêncio – nos planos físico, emocional e mental, é o que se recolhe das leituras que nos subsidiam. O amor e a amizade profundos andam juntos com a inteligência espiritual. Quando há verdadeira afinidade, as almas se compreendem sem necessidade de muitas palavras.

Então o silêncio não causa constrangimento nem precisa ser quebrado com palavras fúteis, porque é cheio de luz e significado.

Há também um tipo de silêncio que é feito de resignação. Mas, não é uma resignação acompanhada pela conformação de que se não há outro jeito, deixa como está. É uma resignação sábia. Ele surge em duas hipóteses: (1) a desagradável compreensão de que as palavras são incapazes de traduzir os nossos sentimentos mais nobres e profundos e (2) a generosa compreensão de que o que queremos traduzir não está ao alcance do interlocutor.

Em geral, perdemos muita energia tentando expressar o que não pode ser dito com palavras. Jogamos fora grandes quantidades de energia magnética tentando “impor” ou “vender” aos outros as nossas opiniões em discussões intermináveis, até que aceitamos o fato de que as palavras são instrumentos limitados. Elas só podem mostrar algo a quem já tem, dentro de si mesmo, todas as condições de ver aquilo que vemos e vê enquanto ouve. Esse silêncio nasce como um sinal de modéstia inteligente, uma calma aceitação sábia dos nossos limites.

Não é por menos que nossos sonhos noturnos são visões e não leituras. Ao percebermos nossos limites na comunicação verbal, percebemos que é inútil pretender só falar quando o que temos a comunicar exige mais que palavras. Aquilo que sabemos, sentimos ou intuímos nem sempre pode ser comunicado, não por outros motivos, é pela simples razão de que para os padrões das comunicações usuais os seus conteúdos são (ainda) intransmissíveis.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

1764-AVoz do Silêncio


O silêncio dos sábios

O primeiro passo para aprender o que é o silêncio dos sábios pode ser aprender a identificar os vários tipos de silêncio que as pessoas praticam ou podem praticar:

Há um silêncio decidido, e outro indeciso.

Há um silêncio seguro e outro inseguro.

Há um silêncio eloquente e outro que não quer dizer nada.

Há um silêncio poderoso e outro destituído de poder.

Há um silêncio que transmite amor e admiração e outro, indiferença.

E existe um silêncio em que teríamos muito o que dizer, mas no qual decidimos manter concentrada e estocada a energia.

“Não degrade a verdade impondo-a a mentes que não a desejam”,
diz as Cartas dos Mestres de Sabedoria (Editora Teosófica, Brasília, 1996)

“Aquilo que se CALA é tão importante quanto aquilo que se FALA”,
ensina Rhada Burnier, teosofista indiana (presidente da Sociedade Teosófica Mundial).

Mas, é preciso estar interiormente silencioso e atento para perceber – ou melhor para merecer perceber – o que está implícito nas palavras e atitudes dos outros. Há, como vimos, o silêncio precário e instável de quem reprime um sentimento muito forte de amor ou ódio. Os sentimentos são como água. É perigoso reprimi-los. É melhor canalizá-los de modo útil, em um nível superior, do mesmo modo que se faz com as barragens hidrelétricas, transformando a força bruta das águas de um rio em energia elétrica útil e dócil.

Algumas pessoas escondem seu silêncio sob um mar de palavras sem significado. Esse “silêncio falado” é uma maneira barata de roubar energia magnética do outro. Não é certo usar palavras como cortinas de fumaça. A felicidade interior é produto da sinceridade. A esperteza com as palavras e a manipulação dos sentimentos alheios é fonte de sofrimento para si mesmo e para os outros. A prática da veracidade é uma exigência do caminho espiritual e deve ser exercida com bom senso. A auto-entrega total quando não está acompanhada de discernimento, moderação e abstenção de exageros, é algo que caracteriza mais os tolos do que os sábios. É a abstenção que desenvolve a vontade e a paz interior.

E continuam os sábios:


Milhões de pessoas se refugiam no barulho psicologicamente ensurdecedor das suas emoções desordenadas ligando o rádio, a televisão ou o aparelho de som a todo o volume. São pessoas que fogem do confronto consigo mesmas distraindo-se com a misérias e dramas, reais ou imaginários do mundo externo. Os estudiosos das táticas militares sabem que quando uma batalha é dada por perdida, para não entregar-se e para evitar de cair prisioneiro do inimigo, o comandante manda recuar, atirando. Atirar enquanto foge para dificultar o avanço inimigo perseguidor, é uma tática comum nas pessoas. Há pessoas que recuam das batalhas de seu crescimento pessoal, atirando palavras em todas as direções.

Para quem busca a felicidade interior, o auto-conhecimento é inevitável. O auto-conhecimento não é a exposição desordenada de idéias, é o recolhimento para a leitura interior. A prática do silêncio começa no plano físico. A abstenção gradual de filmes e músicas que agitam a emoções, assim como do rádio e de conversas tolas, é um dos primeiros passos. Em seguida, o desafio da prática do silêncio se transfere para o plano das emoções e dos pensamentos. O silêncio emocional é a renúncia a todo desejo dispersivo. Ele abre as portas da paz interior. Ao chegar no silêncio interior já se está muito próximo da esfera espiritual. Concentrar-se no que a vida colocou diante de nós, é caminho de sabedoria. Fazer o melhor que podemos a cada instante, é segredo de vitória.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

1763-A Voz do Silêncio


 
Introdução

O silêncio tem voz? Parece incoerência afirmar que possa existir a voz do silêncio quando se sabe que o silêncio é a ausência de qualquer som. Eis a questão: não é só através do som que se pode dizer coisas.

São inúmeras as publicações tratando do silêncio como forma de informação, comunicação, dicção de coisas. Vamos entrar um pouco neste mundo silente com o objetivo claro de produzir o ato de aquietar-nos para entrar em contato com a nossa própria sabedoria interior.

Queremos ouvir com clareza crescente aquilo que os místicos chamam de a voz do silêncio, o som da nossa alma imortal, a música eterna que nunca cessa e que só escutamos enquanto nossos ouvidos são tapados por nossa agitação pessoal.

Quem ouve a voz do silêncio recebe um magnetismo vital de grande poder, leio por aí e anoto. Não há fonte de energia maior que o contato com o mundo divino.

Quem busca equilíbrio e sabedoria tem fortes motivos para evitar não só o excesso de ruídos físicos, mas também os barulhos emocionais e mentais. A prática do silêncio aumenta o magnetismo pessoal e o poder interior, assim como o barulho e a conversa fútil dissipam energia vital e força magnética. Cada palavra vã ou ociosa que lançamos ao ar nos prejudica. Cada palavra correta que dizemos e cada silêncio adequado que fazemos nos beneficiam.

A prática do silêncio e o uso da palavra correta não é algo simples. Constitui uma ciência a ser buscada e praticada para a vida toda. Nem sempre o silêncio anda junto com a sabedoria: às vezes ele expressa apenas ignorância. O silêncio também pode ocultar a verdade. Pode ser uma forma de mentir, de obedecer ao sentimento de medo, de omitir socorro ou fugir da solidariedade. Se calamos por egoísmo ou por temor, devemos desenvolver qualidades como coragem e lealdade, e aprender a falar sempre a verdade. Mas, se somos sinceros, devemos estudar a próxima etapa, que é o silêncio do sábio.

Vamos silenciar-nos para aprender com os sábios, aqueles mestres que trabalham no silêncio? Vem, então.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

1762-Ganhar asas e voar


Para sair do atoleiro

Diz uma lenda que o Criador precisou determinar uma regra para a vida no Planeta e no Cosmos. A esta regra Ele deu o nome de Travessia. A Travessia consiste em atravessar uma espécie de floresta densa, escura, incerta, com todos os seus perigos e dificuldades, onde mourejam feras, cobras, pouca orientação firme, cansaço, fome, sede, sono, desconforto, frio, chuva, calor, transposição de rios, atoleiros, penedos e penhascos, ao lado de todas as chances de cada um vencer os perigos e dificuldades, e seguir adiante, até o final para sair no outro extremo onde há uma savana coberta de flores e frutos saborosos.

A ninguém foi dado o mapa, apenas as experiências anteriores em outras travessias. Mas, a todos foi dada a capacidade de fazer a Travessia. Ninguém ficará retido para sempre e sim, apenas, enquanto não aprender como se faz a travessia. Mesmo assim, alguns sempre se fazem incapazes para a Travessia. Outros seguem orientações absurdas. Outros mais ne negam a ouvir conselhos que seriam úteis.
 
Conforme o resultado obtido por cada um, ao final da Travessia, será dado um diploma, um prêmio, uma recompensa: será acrescentada uma palavra ao lado da expressão “aprovado/aprovada”: aprovado como apressado, aprovado como confuso, aprovado como medroso, aprovado como ousado, aprovado como forte, frágil, autoconsciente, carente, enfim aprovado como egoísta e assim por diante.

Diz-se que, ao chegarem, e todos chegarão mesmo que para alguns se passem muitos milênios em repetidas experiências, pode-se claramente distinguir uns dos outros.

Conforme estudos da psicologia, são nove os tipos de personalidades encontrados na Travessia:

1.   Perfeccionista – pessoa organizada/trabalhadora, com padrão muito alto de perfeição – nas áreas de seu interesse. Procura ser independe dos outros e evita que os outros dependam dela. Pessoa séria/franca, que tende ou procura ser boa e que valoriza a moral e os bons costumes. É, muitas vezes, sarcástica. Às vezes sente grande ira, que evita ao máximo demonstrar. Julga tudo e todos, algumas vezes com críticas destrutivas. Durante a Travessia, vive reparando nos demais, escandalizando-se com aqueles que perderam quase toda a roupa e protestando com aqueles que, segundo seus cálculos, seguiram o rumo errado.

2.   Prestativa – pessoa que se prende aos problemas e desejos alheios. Altamente sensual, muitas delas têm um verdadeiro harém em sua volta. Consegue a confiança dos outros a ponto de os outros lhe contarem toda a sua vida e intimidade. Capta facilmente os estados emocionais dos outros. É uma pessoa orgulhosa que não se atém às suas necessidades/desejos/anseios. Sabe ouvir os outros. Pode perder horas e horas em prejuízo seu e a serviço de alguém, por não saber dizer não. Quer que os outros (por quem tem interesse) dependam dela. E espera realmente o agradecimento por sua ajuda. Durante a Travessia, vai juntando os pedaços dos outros, fazendo curativos, carregando alguém nas costas, mesmo sem perguntar se a direção da caminhada é esta.

3.   Bem sucedida – pessoa preocupada em alcançar suas metas/objetivos. É exigente. Sempre ressalta suas experiências bem sucedidas, supervalorizadas e nem sempre verdadeiras. Quer ser admirada. Vê tudo em função de disputas. Consegue transmitir confiança. Não expõe de forma alguma sua intimidade. Relaciona-se bem com os outros. Tem facilidade em reprimir sentimentos (raiva, ansiedade, etc.). Por usar várias máscaras, uma para cada ocasião, não a conhecemos muito bem. Utiliza sofismas/falácias. É desconfiada em relação às intenções dos outros. Durante a Travessia, apregoa conhecer bem o caminho e atrai para seu grupo muitos seguidores.

4.   Individualista – pessoa ligada aos seus sentimentos, que são exacerbados. Tem dotes artísticos e é sensível. Tem uma tendência à depressão/melancolia. Identifica/explica melhor a coisa através de símbolos. Gosta de ser especial através de gostos diferentes. Tem carência de atenção. Preza o status. Para ela, desejar é mais importante que ter. Tão logo consiga o que quer, normalmente sente-se frustrada. É invejosa. É uma pessoa pouco autêntica. Durante a Travessia, isola-se dos demais, perde precioso tempo pensando e desejando que os apressados estejam todos errados no rumo que, ao seu ver, encontrá-lo é tarefa sua.

5.   Observadora – pessoa que procura ser objetiva/racional. Seus sentimentos são relegados ao segundo plano. Prefere ouvir. O contato corporal assume papel inusitado. Gosta de acumular conhecimento. Por ser racional e ter conhecimento, sente-se superior. Gosta de se isolar para sorver o conhecimento adquirido. Não gosta quando lhe usurpam liberdade e tempo. É avarenta por conhecimento, tempo e dinheiro, e é gananciosa. É uma pessoa sarcástica. Pode ignorar facilmente as pessoas ao seu redor, incomodando-as. Tem certa dificuldade em relacionar-se. Durante a Travessia, traça seus próprios mapas e cálculos, riscando sobre a relva e observando os demais que possam deter informações quanto ao rumo a seguir.

6.   Questionadora – pessoa insegura, que precisa de um referencial: um líder/chefe/instituição como sustentação. É uma pessoa dependente. Assume os preceitos de seu grupo e os defende. Dividem-se em fóbicos (ligados ao medo/covardia) e contra fóbicos (destemidos, em oposição ao medo inerente que sentem). O contra fóbico pode chegar a extremos. Procura ficar ocupado para não pensar. Tem um certo sexto sentido que algumas vezes é pura especulação infundada. Pessoa confiável. Durante a Travessia, vive grudada nos mais ousados, precisando ser carregada.

7.   Sonhadora – pessoa sempre alegre, que ignora toda eventual dor ou sofrimento. Prende-se a ilusões/fantasias. É até certo ponto inocente. Tem gula de qualquer coisa que lhe dê prazer. Fala demais, assim como tende a fazer tudo em demasia. Algumas são como os palhaços. Pessoa positiva/ simpática/ agradável, que transmite energia. Não gosta e foge de assuntos mais profundos. Valoriza sua família. Durante a Travessia, coloca em prática seu talento de falar com os duendes da floresta em busca de uma orientação.

8.   Confrontadora – pessoa que vê o mundo relacionado com a justiça e o poder. Fica injuriada e age frente às injustiças (relativas a ela e a pessoas fragilizadas). Busca o confronto como forma de impor sua supremacia e às vezes por simples prazer. Sabe discutir. Não tolera pessoas indiretas que fazem voltas para dizer algo. É notada imediatamente quando entra em um recinto. Quer ser vista como uma pessoa forte, desvinculada de sentimentos, que considera uma fraqueza. Não pede perdão. A princípio é contrária a toda a nova ideia. Durante a Travessia assume a disputa do poder pela frente de marcha.

9.   Pacifista – pessoa tranqüila, muitas vezes inundada pela preguiça. Dificilmente se irrita, mas quando acontece é para valer. Demora a resolver, mas quando resolve, é de uma vez para sempre. Não gosta de conflitos, sente-se mal. Não mataria nem mesmo uma formiga. Tem conhecimento superficial sobre variados assuntos. Pessoa confiável, que todos gostam. Aceita os outros sem preconceitos. Fica em segundo plano, diminui-se sob sua humildade. Durante a Travessia sofre muito com a presença de insetos e animais e perde um tempo enorme costurando as diferenças dos membros do grupo.   

Você pode notar que os nove tipos de personalidade, de certa forma, é o eneagrama, com uma diferença, nunca somos exclusivamente um só desses arquétipos. Sempre juntamos uma ou algumas qualidades de outro ou outros arquétipos, e nem só qualidades, deficiências também. O sonho de futuro do homem seria ser um resumo dos nove arquétipos evoluindo para uma décima psico-personalidade.

Você consegue ver-se inserido(a) num ou mais desses arquétipos? Isso também é uma questão de consciência de si mesmo(a). Desenvolva-se.

Fim da série.

terça-feira, 21 de abril de 2015

1761-Ganhar asas e voar


E o homem nisso tudo?

O homem? Alguns homens, nisso tudo, estudam, investigam, experimentam, desconfiam, intrigam-se e seguem. Dão uns passos gigantes num sentido, depois voltam arrependidos. Mas já sabemos das espirais interseccionais de Yeats (poeta que compôs seguindo uma escada em caracol). Já sabe do cinturão de radiação de Van Allen (cientista que praticamente descobriu a rede planetária que imita os chakras no homem).

Sabe que a descoberta do DNA apenas confirmou que existe uma inteligência que estruturou aquele mapa. Sabemos muito sobre o mapa, mas não conhecemos o seu autor. No fundo, quem sabe o homem saiba ser ele próprio um modelo em miniatura dessa rosca que circunda o planeta: um vórtice local num mar de energia, um emblema visível da teoria do estado imutável da criação. Não se trata tanto do caso de “eu penso” enquanto “estou pensando” ou “eu sou constantemente criado”.

A consciência, enquanto fundamento de toda a atividade física e do funcionamento mental, torna-se uma espécie de radiação interna que não é, de modo algum, interna mas, antes, uma área focalizada ou concentrada de radiação cósmica externa.

A aura trabalhada pelos místicos, e a auréola, estilizada na pintura dos santos, é então explicável como energia eletromagnética auto-induzida, intensificada e levada para dentro da área de luz visível do espectro mediante a “pureza espiritual” desses seres – isto é, mediante a ausência neles de vibrações interferentes oriundas de processos de pensamentos confusos.

E aí, mais uma vez, “tudo se torna igual assim na terra como nos céus”, dos quarks (quaisquer das três partículas hipotéticas postuladas na formação dos blocos de construção dos bárions e mésons) aos quasares (imensas formações luminosas do cosmos), dos pulsos aos pulsares – e tudo por causa de uma pergunta “quem sou eu?”

A análise final revela-se uma síntese original, e a consciência torna-se a interconexão de toda a criação numa imensa cadeia do ser. Neste caso, cadeia como sinônimo de rede, ligando o homem ao todo, como parte do todo, teia, tendo o todo em si. Logo, se o ser humano estiver preso a outra cadeia, sinônimo de falta de liberdade, que o impeça de ser e exercitar-se como fio e nó da rede total, libertemo-lo. Aqui entram as questões deturpadas do conhecimento de Deus até os estados drogados. O conteúdo e o processo, a ciência e a religião convergem no estudo da auto-identidade, revelando o verdadeiro significado de “psicodélico” = psyche delos = mente manifestada, anunciando as verdadeiras dimensões do auto-Espírito.

E então, quem sou? Eu sou o universo; eu sou a Mente Universal. E devo transitar por minhas dimensões como transitam todos os outros seres vivos que não perderam da rede.

Essa é a travessia. Isso é ganhar asas para voar nos espaços maravilhosos que podem ser acessados pela consciência humana. Nosso destino não é atolar-se nos charcos apodrecidos aonde se decompõem aquilo que fenece. O destino humano é treinar para ser anjo.   

segunda-feira, 20 de abril de 2015

1760-Ganhar asas e voar


 
Ver-se a si mesmo

O estado supremo de consciência, a travessia de um estado de sombras para o encontro do ser consigo mesmo, também chamado de iluminação, não tem nenhuma diferença entre o conteúdo da consciência e a própria consciência. A integração ou unidade é a principal característica desse estado, tanto literalmente como no sentido figurado.

No mais profundo estado supremo, aquilo que conhecemos é a força vital, a condição universal que emerge enquanto percepção inteligente, que tem seu próprio nome: ela equivale ao olho que se vê a si mesmo, ao pensamento que se volta sobre si mesmo e pensa acerca do pensar; é o encontro do ego com o ser; eu consigo ser eu mesmo. Isso é a iluminação; é a travessia, é o ato reflexivo no qual a mente se conhece a si mesma, incluindo a própria experiência do conhecimento, ou o retorno à divindade (conteúdo da consciência), que equivale à percepção da Percepção Cósmica (da própria consciência).

Há um trabalho de Jung em que ele apresenta Abraxas, um monstro que somos em estado involuído e que só deixará de existir quando o seu oponente se fundir com ele. Quer dizer, quando meu ego for derrotado por mim, o monstro aprenderá que tem de ser luz.

Quando considerada de modo abstrato, a consciência, como a luz, tem um aspecto tanto físico como espiritual. A unificação, porém, é a realidade concreta por trás, abaixo, acima e dentro dela – muito sutil e, no entanto, real, como demonstra a evidência recente da percepção das plantas (como veremos adiante). A consciência, enquanto bioquímica, pode ser analisada em função dos neurônios, descargas eletroquímicas através de sinapses e dos feixes moleculares que permeiam as membranas. Estes, contudo, também podem ser analisados até alcançar o nível atômico, em seguida, o nível subatômico. Onde isso acaba?

A consciência será algo bioquímico? Algo eletroquímico? E a inteligência onde entra? É muita coisa para a parte querer conhecer do todo. Seria a consciência o todo na parte?

Cleve Backsster, o redescobridor do antigo conhecimento indiano acerca da percepção das plantas – que os índios (ao menos os xamãs) sempre souberam existir – descobriu que a percepção primária, que é a capacidade da vida celular animal e vegetal de perceber os pensamentos e sentimentos animais e humanos, pode ser demonstrada com minerais, metais e até com água triplamente destilada. Há uma capacidade de percepção em todas as coisas. O cosmo inteiro é sensitivo e (nos dois sentidos) sensível. Na análise final, a consciência pode ser vista como a interconexão de toda a criação ou mais precisamente, o contexto fundamental desse encadeamento e que o torna possível.

Um estudo do cientista japonês Massaru Emoto sobre a influência da mente humana sobre as moléculas da água, nos diz bem do que se está falando. Uma oração frente a um copo d’água, transforma esta água em bálsamo de cura; uma música ruim frente a um copo d’água, tem o poder de desestruturar as moléculas da água.

Zenão o Grego (300 anos antes de Cristo), e seu grupo filosófico, em sua época já questionava: “porque não admitir que o mundo é um ser vivo racional, já que ele produz entidades animadas e inteligentes?” As ciências mesmo desconexas têm chegado a evidências de alguma forma de consciência que acompanha toda a vida orgânica, até mesmo o mais primitivo lodo protoplasmástico. E há um número cada vez maior de evidências que indicam sua presença além do limiar da vida.

Desde a antiguidade, o pensamento hindu afirmava que atman, o centro mais profundo do ser humano, é uno com Brahman (Deus), o centro mais profundo da criação. A ciência, hoje em dia, confirma isso: eu sou o universo: somos a Mente Universal. Para entender, cada um é um fio da grande teia chamada Mente Universal.

Tentemos conceber a criação como se houvesse cinco níveis, de baixo para cima: o atômico, o biológico, o psicológico, o social e o cósmico. Se procurarmos uma resposta para aquele koan básico “quem sou eu?”, tudo que for examinado se dissolverá nas outras categorias dessa metáfora. Comece-se pelo meio: o psicólogo em breve estará no social através da psicologia de grupo. No nível social, a psicologia de grupo alcançará a sociologia, que por sua vez, conduzirá a um estudo de religião e filosofia. Dirigindo-se para a base, passar-se-á da psicologia para um estudo de biologia e de química. À medida que procuramos conhecer-nos melhor, passamos ao estudo da composição celular, às redes neurais e à química da emoção, da percepção, do aprendizado e da memória. Na busca porém, de uma compreensão da mentalidade, descobrimos que, em breve, descemos até o nível atômico, onde se chega ao DNA, à transmissão da radiação atômica e à teoria quântica. Estas, por sua vez, nos levam de volta ao topo. Pois a física subatômica conduz ao estudo da matéria e da antimatéria numa escala cósmica. Isso nos leva à antiga e misteriosa citação bíblica: “Assim na terra como no céu”.

Será que nós, humanos, nos damos conta disso ou achamos que isso nada tem a ver com o que pensamos e fazemos?

domingo, 19 de abril de 2015

1759-Ganhar asas e voar


 
A iluminação da consciência
 
A iluminação tem como destino o êxtase. O êxtase (ex stasis) significa sair de um modo de pensamento e de percepção biológica e culturalmente determinado para entrar num modo místico. Neste modo, o homem retorna ao estado primordial de afazeres. O retorno, porém, encontra-se num nível mais elevado. Ele é tanto um círculo (revolução) como uma progressão linear (evolução): “um movimento espiralado ascendente”, como ensina John White na introdução de “O Mais Elevado Estado de Consciência” (Edição Cultrix/ Pensamento, SP, 1972). O homem recupera sua condição primitiva mas, ao invés de permanecer inconsciente ou sem nenhuma noção dela, tal como os animais, ele se torna superconsciente dessa condição. É paradoxal: “ao recuperar sua natureza animal, o homem se torna Deus” (obra citada) ibidem.
 
Os homens e mulheres ocidentais têm mais dificuldade de conectarem-se com o sagrado do que os orientais, notadamente os budistas, em cuja meditação alcançam conexões de terceira dimensão.
 
Conosco, a modelação das redes neurais do cérebro é uma das dificuldades do chamado homem/mulher ocidental, dito(a) civilizado(a), para se colocar nessa linha de comunhão com o mundo ao qual pertence e do qual se afastou por convenções nem ainda hoje sempre claras para a maioria. Fomos anestesiados do ponto de vista espiritual e o anestésico acabou por obliterar os canais de respiração da alma.
 
Considerando que havia, ou há, redes desconexas ou “compartimentos” do sistema nervoso do cérebro, na iluminação, há uma ruptura que resulta numa integração das trilhas nervosas pelas quais pensamos e sentimos. Nas conexões, nossos múltiplos “cérebros” tornam-se um único cérebro. O neocórtex (a parte do “pensamento-intelecto”), o sistema límbico e o tálamo (a parte da “sensação-emoção”) e o bulbo raquiano (a parte da “intuição-inconsciente”) atingem um modo de comunicação intercelular anteriormente inibido, mas sempre possível. O limiar é transposto e explicável, provavelmente, em função não só da mudança eletroquímica celular mas também do desenvolvimento de novas terminações nervosas. Embora se realize mediante funções neurofisiológicas, o resultado é um novo estado de consciência. Este, por sua vez, cria um novo modo de percepção e sensação que conduz à descoberta de formas lógicas não-racionais (porém não irracionais), que são de vários níveis/integradas/ simultâneas, não lineares/sucessivas/do tipo ou...ou.
 
Como pode uma pessoa alcançar o estado supremo de consciência?
 
Há muitas portas para o mesmo quarto. Mudando o sentido: sai-se de um pequeno quarto para um quarto maior, para outro maior, para outros sucessivamente maiores até se chegar a um ambiente que não tem paredes. Isso é a liberdade. As saídas têm de ser buscadas. Algumas têm sido descobertas; outras têm sido desenvolvidas. As situações clássicas impulsoras têm sido a dança, o jejum e a dieta, a autotortura, o choque elétrico, o isolamento sensório, a sobrecarga sensória, os episódios psicóticos, o trauma e o nascimento pela provação, a fadiga extrema, as relações sexuais e a simples contemplação da natureza e, também, nem sempre a ingestão de substâncias alucinógenas. Mas, há quem consiga isso apenas meditando.
 
As abordagens sistemáticas, que muitas vezes requerem uma adesão e uma disciplina rigorosa, inclui a oração, a ioga, o zen, o sufismo, o tantra, a meditação transcendental, alguns alucinógenos, a hipnose e os métodos secretos, tais como os de Gurdjieff e de Madame Blavatsky. Recentemente, os espetáculos com efeito de luzes, a biorregeneração e a integração estrutural (“Rolfing”) também se têm mostrado eficientes. Uma introspecção decidida – que Gurdjieff chamou de o caminho do homem inteligente - tem conduzido algumas pessoas a um estado de salvação (não confunda este termo com o que se diz do ponto de vista católico).
 
Nenhum desses métodos, porém, constituem um caminho seguro para alcançar a libertação (agora você obteve o significado da palavra salvação).
 
Evelyn Underhill, em seu livro Mysticism, distingue três estágios no caminho para o êxtase: o despertar do eu, a purificação do eu e a iluminação do eu. Pode-se utilizar outros termos como “estágio meditativo”, “estágio purgativo”, mas o mais importante é: por mais arduamente que se busque o “estágio iluminativo”, ele nunca poderá ser alcançado – mas apenas descoberto. Há um conceito cristão, um tanto desacreditado e posto de lado, que se aplica muito neste caso: a “graça” ou “o estado de graça”. É próximo a isto, mas muito mais que isto.
 
Também é importante insistir que iluminação não é alucinação ou ilusão. Mesmo se fosse, seria valioso experimentá-la tendo-se apenas em vista seu efeito benéfico sobre as vidas humanas. Contudo, como tentaremos demonstrar adiante, o estado supremo de consciência é muito mais do que pura subjetividade. Ele é subjetivo, mas de uma maneira paradoxal: a iluminação revela que aquilo que é mais profundamente pessoal é também mais universal (encontrado na obra já citada). No estado místico, a realidade e a idealidade tornam-se una.
 
Permaneceremos nesse assunto.