quarta-feira, 1 de abril de 2015

1741-A Fé a serviço da Ciência


O mundo espiritual visto pelo médico

Continuando Charcot a manter, no mundo espiritual, o interesse em servir à Causa da Ciência, precisava, todavia, aperfeiçoar-se em determinados aspectos morais, o que sabia encontrar na Ética do Cristo, e, tão logo teve condições, integrou-se em um grupo de trabalho em favor dos encarnados e desencarnados.

Nessa nova realidade, firme no propósito de aperfeiçoar sua individualidade espiritual, passou a atacar convictamente suas dificuldades morais, vencendo gradativamente o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

O tempo foi passando, preenchido por múltiplas atividades culturais e práticas visando o exercício do Bem em favor da humanidade. O relógio do Tempo não pára e, de lá para cá, já foram contabilizadas dezenas de décadas, o que, na verdade, para um espírito desencarnado, não significa a mesma coisa que para os encarnados.

Ajudado por seus apoiadores espirituais, o espírito Jean-Martin (Charcot) conheceu mais profundamente a doutrina de Jesus Cristo e a espera pela evolução moral da humanidade, razão maior de sua encarnação entre os palestinos. Conheceu o que, infelizmente, vem se processando de forma mais lenta do que seria desejável pela alta espiritualidade que vela pelo planeta. O progresso moral não tem ocorrido na mesma proporção que o intelectual e, assim, as criaturas se digladiam, vítimas de si próprias, das suas opções errôneas, porque os vícios morais são nelas mais fortes que as virtudes.

Viu Jean-Martin que é necessário evoluir, sobretudo moralmente, não se justificando qualquer dubiedade: por isso, se dedicou de corpo e alma à própria renovação interior, sem a qual pouco ou nada poderia realizar em favor da humanidade, pois não bastavam os conhecimentos científicos trazidos da sua experiência como médico e pesquisador, acumulada na última encarnação. 

A Ética do Cristo era a única fórmula para realizar seu próprio aperfeiçoamento. Assim reconheceu. Tinha de combater qualquer prurido de vaidade para ser um colaborador da imensa legião de espíritos servidores do Cristo, sendo conveniente o anonimato, porque, em caso contrário, estaria despreparado para acompanhar os servidores mais graduados; o orgulho, reconheceu, representa um sintoma de completa ignorância sobre a realidade, porque Deus iguala todas as Suas criaturas e não dá a umas privilégios em detrimento das demais; o egoísmo representa outra inciência, porque “somente dando se recebe”, conforme ensinava Francisco de Assis, um dos mais evoluídos exemplificadores da Moral do Cristo.

Servir para evoluir era o grande segredo que Jean-Martin descobriu como regulador do movimento evolutivo da humanidade. Servir muito, incansavelmente, por todas as formas possíveis, exercitando a improvisação e a criatividade, desde um sorriso a cada um até o máximo de esforço para curar os que se vitimaram pelas próprias opções equivocadas e incidiram nas penalidades das Leis Divinas.

Jesus Cristo tinha exemplificado o serviço em favor de todos e esse é o referencial para aqueles que se propõem a encontrar a felicidade, que não está nas vitórias do mundo nem na conquista de evidência e reconhecimento público, mas sim na paz da consciência, que só visita a alma dos que cumprem seus deveres morais. “Il faut travailler” (é preciso trabalhar): passou a ser sua legenda, gravada no seu íntimo como regra de vida. Sob as bênçãos, na certa, de Deus e de Jesus Cristo, era necessário trabalhar pela expansão do Bem, da Ética, da redução dos sofrimentos físicos e morais.

Quantas vezes parou para chorar lágrimas doridas frente às suas próprias deficiências interiores, mas tinha de levantar o próprio ânimo e prosseguir, pedindo socorro ao Alto, porque reconhecia não ter condições de sanar totalmente suas próprias imperfeições, quanto mais resolver as pendências internas dos seus irmãos e irmãs em humanidade! Contentar-se em cumprir o trabalho de semear, ficando por conta da Justiça de Deus a colheita, que está acima da sua capacidade de compreensão e previsão!  Através do Amor aos semelhantes foi encontrar uma felicidade que lhe parecia não merecer, mas que lhe aprazia sentir e lhe dava mais incentivo para servir a quem quer que fosse possível encontrar pelo mundo afora.  Hoje, passados muitos anos, sabe que ainda muito tem a fazer em favor de si próprio para alcançar sua sublimação, mas já tem consolidada a rotina de servir com satisfação interior no ato de doar o máximo de si para que os sofredores sejam felizes e os felizes o sejam mais ainda.

Jesus está morando, como uma fagulha pequenina, mas viva e pulsante, no seu coração, graças à Bondade Divina! 

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