domingo, 12 de abril de 2015

1752-O que é Deus?


Educação incompleta

A herança cultural religiosa transmitida aos cristãos pelas religiões nascidas com Abraão leva-nos ao Gênese (1: 26, 27 e 28) e lá está escrito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra ... Enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas as sementes ...”

Por conta dessa outorga e por interesses, o homem acrescentou poderes ao seu poder. A mulher, o índio e o negro foram, pelo homem, incluídos nesta lista. Foram e ainda são, de certa forma, indignos de estarem entre os seres semelhantes a Deus. Foram e ainda são usados e abusados em sua dignidade e liberdade graças à escravidão, à semi-escravidão, ao sub-emprego, à irresponsabilidade social. A outorga também autoriza a destruição ecológica.

Deus está no céu? É um ser sobrenatural? O homem está na terra e não pertence à terra, está acima dela e acima do que está nela? Para uma parcela dominante de nossa sociedade estas perguntas têm respostas confusas. Note a separação, a dualidade e, por extensão, a exclusão. Na prática, o homem passou a administrar seus privilégios em relação a Deus e à Natureza quase sem pertencer a nenhum dos lados. As conseqüências dessa cultura parecem estar claras. Estamos dependurados entre os céus e a terra. Nos excluímos da criação.

Por que não podemos demonstrar e definir Deus? Em primeiro lugar, não conseguimos demonstrar Deus por que dele fizemos apenas imagens e, não raro, de forma distorcida. Uma imaginação é uma imagem refletida, produto do pensamento, não é concreta. E assim fica fácil aos ateus baterem na tecla: Ele não existe. O que não é concreto não se demonstra e, portanto, não existe. De forma concreta, Deus é uma criação dos homens. Como ele é ou deixa de ser, sempre será uma criação humana. Mas, isso não nos autoriza afirmar que ele não exista. O mundo não é um acaso, o homem não é um acaso. Por suposto, existem acasos inteligentes?

Se, porém, o sentimos, Deus deixa de ser uma imaginação. Toma a forma de um Ser, ainda que não bem definido, mas que pode ser encontrado em seu atributo, em sua energia. É isso. A essência do Ser é a sua ligação com o atributo, logo o efeito, o produto, o acontecimento, o estado, a natureza, a existência, a posição, a qualidade, sinal de relação entre sujeito e predicado. Novamente atributo, predicado, substância de uma essência, criação de algum criador. Sem essa qualidade não pode existir o Ser. A Natureza física é o corpo físico de Deus. Aquilo que não se demonstra, apenas sente-se, mas aquilo que se sente e se vê e apalpa, é o efeito de uma inteligência. E essa inteligência pode ser colada àquilo que imaginamos ser Deus.

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