terça-feira, 14 de abril de 2015

1754-O que é Deus?


Tudo é evento

A física tem contribuído para a elucidação da maioria dos equívocos que, por dogma, acabam incomodando a verdade científica, filosófica e religiosa sobre Deus. Em definições recentes, a física quântica ensina que nada é permanente, estamos caminhando, somos eventos a caminho de novo evento, a verdade não é estática, ainda que eterna e se movimenta na direção da luz, como soe acontecer com o conhecimento. A verdade é eterna porque sempre haverá. Mas a verdade de ontem está superada pela verdade de hoje. A árvore e o homem que você vê agora, são verdadeiros, mas a cada minuto serão outros, ainda que novamente verdadeiros.

O conhecimento útil ao homem de 5 mil anos passados não é o mesmo conhecimento útil ao homem de hoje. Se a evolução do homem dependia de uma sacudida em sua vontade e autoestima, lá no longínquo passado foi ele chamado a palmilhar caminhos diferentes que os caminhos reservados aos peixes, às aves, aos animais e vegetais. Essa sacudida nos foi dada e está relatada na expulsão (simbólica) do Éden. Hoje a sacudida é outra: o homem precisa aprender a ser irmão das estrelas e árvores para que a sua evolução se complete antes que o planeta seja destruído por falta daquela fraternidade cobrada em Mateus 22, 36ss (já referido na postagem nº 1751).

Se todo o conhecimento se altera a cada minuto e foi duplicado em volume entre 1970 e 1998 (apenas 28 anos) e se acelera nos dias atuais, os religiosos deveriam acautelar-se e não insistir como atuais e aplicáveis os escritos de milênios passados, ainda que verdadeiros e eternos como história. Apenas como história. Tudo mais já está mudado, mudando.  

O xamanismo, trazido de volta apenas como verdade histórica não incorporada ao seu tempo, ao contribuir extraordinariamente para o novo paradigma Deus-natureza-homem, ensina que “sagrado é tudo aquilo que não dominamos”. Logo, uma minúscula semente de girassol ou de alface, que traz na sua programação mistérios fora do alcance e controle do homem, é algo sagrado, como tudo mais que nos rodeia nas mesmas condições, fora do nosso alcance e controle. Todos os órgãos humanos (coração, pâncreas, rins, pulmões, etc.), ainda que dissecados, tratados e transplantados pela moderna medicina, estão longe de estarem ao alcance e controle do homem. Estarão ao alcance quando o homem estiver apto a substitui-los por algo de igual desempenho e praticidade, criado e controlado pelo homem. Aliás, o homem não deveria querer substituir Deus e sim entendê-lo, ajudá-lo, complementá-lo. No terreno dos dogmas, quem poderia desejar substituir Deus, é o diabo. E quem é o homem?

Iniciamos esta série indagando se ao encontrar Deus o homem não estaria encontrando a si mesmo. Nunca pareceu tão verdadeira essa possibilidade.

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