sábado, 18 de abril de 2015

1758-Ganhar asas e voar


Quem faz, desfaz. É possível.

Entende-se que a repressão sensória (de que falamos na introdução – postagem 1757) foi necessária à evolução. Foi o nosso processo biológico-cultural que desenvolveu nosso estado de consciência diário e separou-nos dos animais e de boa parte de uma humanidade “não evoluída”, para os padrões civilizados, fornecendo-nos um auto-conceito, tornando-nos conscientes de que somos conscientes, mas separando-nos dessa unidade orgânica que os outros seres possuem em relação ao mundo natural. Índios e animais vivem em permanente interação e comunhão com os cosmos. Nós aprendemos a procurar por isso apenas em uma dessas duas condições: (a) quando temos alcançado todos os demais degraus da individualidade material e egoística: (b) quando jogamos fora todo acervo contido no (a) e seguimos o exemplo mais representativo desse estado, que é Francisco de Assis, dentre os milhares de outros.

Note que é dado Francisco de Assis como exemplo para não ir mais longe e dar Jesus como exemplo maior.

A autoconsciência normal (que parece desenvolver-se em nós até os dois ou três anos de idade) é tanto um progresso biológico como uma desvantagem biológica. Sob o aspecto do desenvolvimento da raça, tem-se como aceito que a repressão foi necessária à sobrevivência. Sob o aspecto do desenvolvimento do indivíduo, tem-se como proposta, ela hoje não é mais necessária e, infelizmente, revela-se, neste século, como a causa principal de nossa corrida rumo à extinção.

Nosso estado normal de consciência foi levado a excluir a percepção de nossa afinidade com a criação – nossa união com o divino. Mas se normalmente estamos num estado de repressão sensória, torna-se também importante observar que o homem é, foi, capaz não só de inibi-los, como será capaz de modificar ou alterar seus processos sensórios, como também de intensificá-los ou acentuá-los até atingir a sensibilidade análoga à dos animais e aborígenes. Os estudos realizados em experiências provocadas de êxtase, onde o indivíduo torna-se hipersensível a todos os tipos de estímulos, parecem sinalizar para isso.

O que é preciso notar é o que Einstein já ensinava: “nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou”. Isto é, para desatar um nó que tenhamos dado, devemos estar mais aptos de quando atamos.

Os terapeutas da cura são unânimes: a cura carece um avanço de consciência do paciente. Enquanto ele resignar-se como os peixinhos do aquário referido na introdução desta série, a doença não cederá. Esse é o voo. Porém para voar temos de ter asas. E as asas são as condições de consciência em processo de travessia da prisão para a liberdade. As asas condicionarão nosso pulo por sobre os muros.

Esse tema é extenso. Continuaremos nele.

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