segunda-feira, 20 de abril de 2015

1760-Ganhar asas e voar


 
Ver-se a si mesmo

O estado supremo de consciência, a travessia de um estado de sombras para o encontro do ser consigo mesmo, também chamado de iluminação, não tem nenhuma diferença entre o conteúdo da consciência e a própria consciência. A integração ou unidade é a principal característica desse estado, tanto literalmente como no sentido figurado.

No mais profundo estado supremo, aquilo que conhecemos é a força vital, a condição universal que emerge enquanto percepção inteligente, que tem seu próprio nome: ela equivale ao olho que se vê a si mesmo, ao pensamento que se volta sobre si mesmo e pensa acerca do pensar; é o encontro do ego com o ser; eu consigo ser eu mesmo. Isso é a iluminação; é a travessia, é o ato reflexivo no qual a mente se conhece a si mesma, incluindo a própria experiência do conhecimento, ou o retorno à divindade (conteúdo da consciência), que equivale à percepção da Percepção Cósmica (da própria consciência).

Há um trabalho de Jung em que ele apresenta Abraxas, um monstro que somos em estado involuído e que só deixará de existir quando o seu oponente se fundir com ele. Quer dizer, quando meu ego for derrotado por mim, o monstro aprenderá que tem de ser luz.

Quando considerada de modo abstrato, a consciência, como a luz, tem um aspecto tanto físico como espiritual. A unificação, porém, é a realidade concreta por trás, abaixo, acima e dentro dela – muito sutil e, no entanto, real, como demonstra a evidência recente da percepção das plantas (como veremos adiante). A consciência, enquanto bioquímica, pode ser analisada em função dos neurônios, descargas eletroquímicas através de sinapses e dos feixes moleculares que permeiam as membranas. Estes, contudo, também podem ser analisados até alcançar o nível atômico, em seguida, o nível subatômico. Onde isso acaba?

A consciência será algo bioquímico? Algo eletroquímico? E a inteligência onde entra? É muita coisa para a parte querer conhecer do todo. Seria a consciência o todo na parte?

Cleve Backsster, o redescobridor do antigo conhecimento indiano acerca da percepção das plantas – que os índios (ao menos os xamãs) sempre souberam existir – descobriu que a percepção primária, que é a capacidade da vida celular animal e vegetal de perceber os pensamentos e sentimentos animais e humanos, pode ser demonstrada com minerais, metais e até com água triplamente destilada. Há uma capacidade de percepção em todas as coisas. O cosmo inteiro é sensitivo e (nos dois sentidos) sensível. Na análise final, a consciência pode ser vista como a interconexão de toda a criação ou mais precisamente, o contexto fundamental desse encadeamento e que o torna possível.

Um estudo do cientista japonês Massaru Emoto sobre a influência da mente humana sobre as moléculas da água, nos diz bem do que se está falando. Uma oração frente a um copo d’água, transforma esta água em bálsamo de cura; uma música ruim frente a um copo d’água, tem o poder de desestruturar as moléculas da água.

Zenão o Grego (300 anos antes de Cristo), e seu grupo filosófico, em sua época já questionava: “porque não admitir que o mundo é um ser vivo racional, já que ele produz entidades animadas e inteligentes?” As ciências mesmo desconexas têm chegado a evidências de alguma forma de consciência que acompanha toda a vida orgânica, até mesmo o mais primitivo lodo protoplasmástico. E há um número cada vez maior de evidências que indicam sua presença além do limiar da vida.

Desde a antiguidade, o pensamento hindu afirmava que atman, o centro mais profundo do ser humano, é uno com Brahman (Deus), o centro mais profundo da criação. A ciência, hoje em dia, confirma isso: eu sou o universo: somos a Mente Universal. Para entender, cada um é um fio da grande teia chamada Mente Universal.

Tentemos conceber a criação como se houvesse cinco níveis, de baixo para cima: o atômico, o biológico, o psicológico, o social e o cósmico. Se procurarmos uma resposta para aquele koan básico “quem sou eu?”, tudo que for examinado se dissolverá nas outras categorias dessa metáfora. Comece-se pelo meio: o psicólogo em breve estará no social através da psicologia de grupo. No nível social, a psicologia de grupo alcançará a sociologia, que por sua vez, conduzirá a um estudo de religião e filosofia. Dirigindo-se para a base, passar-se-á da psicologia para um estudo de biologia e de química. À medida que procuramos conhecer-nos melhor, passamos ao estudo da composição celular, às redes neurais e à química da emoção, da percepção, do aprendizado e da memória. Na busca porém, de uma compreensão da mentalidade, descobrimos que, em breve, descemos até o nível atômico, onde se chega ao DNA, à transmissão da radiação atômica e à teoria quântica. Estas, por sua vez, nos levam de volta ao topo. Pois a física subatômica conduz ao estudo da matéria e da antimatéria numa escala cósmica. Isso nos leva à antiga e misteriosa citação bíblica: “Assim na terra como no céu”.

Será que nós, humanos, nos damos conta disso ou achamos que isso nada tem a ver com o que pensamos e fazemos?

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