terça-feira, 21 de abril de 2015

1761-Ganhar asas e voar


E o homem nisso tudo?

O homem? Alguns homens, nisso tudo, estudam, investigam, experimentam, desconfiam, intrigam-se e seguem. Dão uns passos gigantes num sentido, depois voltam arrependidos. Mas já sabemos das espirais interseccionais de Yeats (poeta que compôs seguindo uma escada em caracol). Já sabe do cinturão de radiação de Van Allen (cientista que praticamente descobriu a rede planetária que imita os chakras no homem).

Sabe que a descoberta do DNA apenas confirmou que existe uma inteligência que estruturou aquele mapa. Sabemos muito sobre o mapa, mas não conhecemos o seu autor. No fundo, quem sabe o homem saiba ser ele próprio um modelo em miniatura dessa rosca que circunda o planeta: um vórtice local num mar de energia, um emblema visível da teoria do estado imutável da criação. Não se trata tanto do caso de “eu penso” enquanto “estou pensando” ou “eu sou constantemente criado”.

A consciência, enquanto fundamento de toda a atividade física e do funcionamento mental, torna-se uma espécie de radiação interna que não é, de modo algum, interna mas, antes, uma área focalizada ou concentrada de radiação cósmica externa.

A aura trabalhada pelos místicos, e a auréola, estilizada na pintura dos santos, é então explicável como energia eletromagnética auto-induzida, intensificada e levada para dentro da área de luz visível do espectro mediante a “pureza espiritual” desses seres – isto é, mediante a ausência neles de vibrações interferentes oriundas de processos de pensamentos confusos.

E aí, mais uma vez, “tudo se torna igual assim na terra como nos céus”, dos quarks (quaisquer das três partículas hipotéticas postuladas na formação dos blocos de construção dos bárions e mésons) aos quasares (imensas formações luminosas do cosmos), dos pulsos aos pulsares – e tudo por causa de uma pergunta “quem sou eu?”

A análise final revela-se uma síntese original, e a consciência torna-se a interconexão de toda a criação numa imensa cadeia do ser. Neste caso, cadeia como sinônimo de rede, ligando o homem ao todo, como parte do todo, teia, tendo o todo em si. Logo, se o ser humano estiver preso a outra cadeia, sinônimo de falta de liberdade, que o impeça de ser e exercitar-se como fio e nó da rede total, libertemo-lo. Aqui entram as questões deturpadas do conhecimento de Deus até os estados drogados. O conteúdo e o processo, a ciência e a religião convergem no estudo da auto-identidade, revelando o verdadeiro significado de “psicodélico” = psyche delos = mente manifestada, anunciando as verdadeiras dimensões do auto-Espírito.

E então, quem sou? Eu sou o universo; eu sou a Mente Universal. E devo transitar por minhas dimensões como transitam todos os outros seres vivos que não perderam da rede.

Essa é a travessia. Isso é ganhar asas para voar nos espaços maravilhosos que podem ser acessados pela consciência humana. Nosso destino não é atolar-se nos charcos apodrecidos aonde se decompõem aquilo que fenece. O destino humano é treinar para ser anjo.   

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