sexta-feira, 24 de abril de 2015

1764-AVoz do Silêncio


O silêncio dos sábios

O primeiro passo para aprender o que é o silêncio dos sábios pode ser aprender a identificar os vários tipos de silêncio que as pessoas praticam ou podem praticar:

Há um silêncio decidido, e outro indeciso.

Há um silêncio seguro e outro inseguro.

Há um silêncio eloquente e outro que não quer dizer nada.

Há um silêncio poderoso e outro destituído de poder.

Há um silêncio que transmite amor e admiração e outro, indiferença.

E existe um silêncio em que teríamos muito o que dizer, mas no qual decidimos manter concentrada e estocada a energia.

“Não degrade a verdade impondo-a a mentes que não a desejam”,
diz as Cartas dos Mestres de Sabedoria (Editora Teosófica, Brasília, 1996)

“Aquilo que se CALA é tão importante quanto aquilo que se FALA”,
ensina Rhada Burnier, teosofista indiana (presidente da Sociedade Teosófica Mundial).

Mas, é preciso estar interiormente silencioso e atento para perceber – ou melhor para merecer perceber – o que está implícito nas palavras e atitudes dos outros. Há, como vimos, o silêncio precário e instável de quem reprime um sentimento muito forte de amor ou ódio. Os sentimentos são como água. É perigoso reprimi-los. É melhor canalizá-los de modo útil, em um nível superior, do mesmo modo que se faz com as barragens hidrelétricas, transformando a força bruta das águas de um rio em energia elétrica útil e dócil.

Algumas pessoas escondem seu silêncio sob um mar de palavras sem significado. Esse “silêncio falado” é uma maneira barata de roubar energia magnética do outro. Não é certo usar palavras como cortinas de fumaça. A felicidade interior é produto da sinceridade. A esperteza com as palavras e a manipulação dos sentimentos alheios é fonte de sofrimento para si mesmo e para os outros. A prática da veracidade é uma exigência do caminho espiritual e deve ser exercida com bom senso. A auto-entrega total quando não está acompanhada de discernimento, moderação e abstenção de exageros, é algo que caracteriza mais os tolos do que os sábios. É a abstenção que desenvolve a vontade e a paz interior.

E continuam os sábios:


Milhões de pessoas se refugiam no barulho psicologicamente ensurdecedor das suas emoções desordenadas ligando o rádio, a televisão ou o aparelho de som a todo o volume. São pessoas que fogem do confronto consigo mesmas distraindo-se com a misérias e dramas, reais ou imaginários do mundo externo. Os estudiosos das táticas militares sabem que quando uma batalha é dada por perdida, para não entregar-se e para evitar de cair prisioneiro do inimigo, o comandante manda recuar, atirando. Atirar enquanto foge para dificultar o avanço inimigo perseguidor, é uma tática comum nas pessoas. Há pessoas que recuam das batalhas de seu crescimento pessoal, atirando palavras em todas as direções.

Para quem busca a felicidade interior, o auto-conhecimento é inevitável. O auto-conhecimento não é a exposição desordenada de idéias, é o recolhimento para a leitura interior. A prática do silêncio começa no plano físico. A abstenção gradual de filmes e músicas que agitam a emoções, assim como do rádio e de conversas tolas, é um dos primeiros passos. Em seguida, o desafio da prática do silêncio se transfere para o plano das emoções e dos pensamentos. O silêncio emocional é a renúncia a todo desejo dispersivo. Ele abre as portas da paz interior. Ao chegar no silêncio interior já se está muito próximo da esfera espiritual. Concentrar-se no que a vida colocou diante de nós, é caminho de sabedoria. Fazer o melhor que podemos a cada instante, é segredo de vitória.

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