domingo, 26 de abril de 2015

1766-A Voz do Silêncio

 
Quando falar é pouco

Você nunca ouviu pessoas que falam, falam, falam e não dizem nada? Isto é, o que dizem não faz sentido, nada informa. Poder-se-ia conceituar como barulho? Sim, os barulhos, na maioria das vezes dizem algo. Por exemplo, o aplauso, o apupo, a vaia. Mas, tem barulhos que nada informam além de dizerem que estão ali. Tenho tido a chance de ouvir potentes alto-falantes em ambientes muito frequentados, em geral, competições ou mobilizações, que emitem um som contínuo, uma batida, um bate-estaca, sem melodia alguma, como se aquele tuk-tuk-tuk estivesse desejando calibrar os batimentos cardíacos dos ouvintes. Claro, a frequência é maior, o dobro maior que as 70 atuais batidas por minuto que se mede na maioria das pessoas. (Um parêntesis: já foi 60 por minuto, de onde os inventores do relógio foram buscar parâmetro para chegar ao minuto, a hora, etc. Hoje está acelerado e já tem gente com mais de 70, mais de 80 como se fosse coisa normal. É normal?)

Voltando ao caso do “falar sem nada dizer”: nossos anjos guardiões, encarregados de acompanhar e monitorar a trajetória de nossa alma pelo corpo biológico, tem como se comunicar telepática ou mediunicamente conosco. Não têm obtido sucesso. Mas, nesse caso não é o falar sem nada dizer, dá-se o contrário: a fala deles não é entendida por nós, nem nos sonhos, que é quando nossa alma vai passear e recolhe informações que deveriam ser absorvidas e consideradas por nós e isso também não acontece. Livros e mais livros sobre interpretações de sonhos infestam as estantes das livrarias querendo tomar o sonho que sonhei com o sapo da lagoa e transformar a metáfora que é só para o meu caso numa coalisão de casos destinados a milhares de consulentes. Não é assim que as coisas funcionam. O sapo e a lagoa são apenas indícios de uma mensagem que contém água (o significado da água na natureza, sua persistência para chegar aonde quer), contém o sapo (um ente que tanto vive submerso como fora d’água, a indicar diversidade de comportamento, a capacidade de adaptação, o jogo de cintura). E agora, o que mais aconteceu no sonho? Ah, eu me assustei, pois tenho medo de sapo! Gritei. Não havia ninguém para me acudir. Acabei acordando com o coração na boca. Que sonho bobo!!!

Bobo sou eu que vou lá no livro que interpreta sonhos e leio que sonhar com sapos quer dizer que um príncipe encantado disfarçado de sapo vai surgir na minha vida.

Bem, o anjo guardião deixou o recado na caixa de entrada e eu, estúpido, vou ficar sentado à beira do caminho à espera do príncipe.

Pois, então, nem nos sonhos que são transmitidos à NOSSA mente por NOSSA alma (são coisas íntimas e exclusivamente nossas) nós somos capazes de entender o que dizem NOSSOS anjos guardiões, entidades divinas que nada mais objetivam do que nos ajudar. Que fazer? Voltar lá onde toca o tuk-tuk-tuk e acelerar nossos sistemas endócrinos, beber uma cerveja, fumar um baseado, cheirar um pó, acelerar a morte...

Desculpe, leitor, leitora, há momentos em que o educador tem de ser duro sem perder a ternura. Cadê a ternura nesse caso? A ternura está em sugerir o silêncio. Tira o tuk-tuk-tuk, tira o ronco de automóveis, motos e aviões, vai à praia ou à margem do rio, ouve os sussurros das ondas ou corredeiras, escuta a fala dos pássaros, observa o saltitar dos peixes, tira os calçados, sente a areia molhada, respira fundo várias vezes, senta, relaxa, deita, fecha os olhos, imagina uma estrela lá centro da abóbada, fixa nela, imagina recebendo dela um feixe de energia branca a entrar pelo centro da testa, chakra frontal. Fica assim pelo tempo que quiser.

Volta aqui nos próximos dias. Repete tudo.
 
Você está se candidatando a canalizar, está treinando para receber mensagens telepáticas ou mediúnicas de inteligências que, nestas condições, podem ajudar. Agora se você está no ritmo do tuk-tuk-tuk, bebendo, fumando, alcoolizando-se, drogando-se as mensagens vão ou podem chegar, mas a sua qualidade e seu objetivo são muito diferentes, muito outros.

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