sexta-feira, 1 de maio de 2015

1771-Nosso continente antes de chamar-se América


Povos especiais acima da média

Quando o colonizador chegou nas Américas tudo parecia muito claro para o explorador: dentre os muitos povos havia aqueles mais instruídos, já não mais podendo ser chamado de povo das selvas, pois eram urbanos, construíam monumentos, cidades, tinham técnicas agrícolas mais avançadas que as da Europa. Que povos eram esses?

O colonizador dos primeiros tempos não tomou interesse por aquilo que hoje chamamos de Cultura Nativa. Se nos sítios sagrados daqueles povos pudesse haver ouro, prata e pedras preciosas eles avançavam e conquistavam. Consta que Pizarro (ver adiante) foi motivado por paióis cheios de pepitas de ouro no Peru (Incas). Na verdade, era milho. O Europeu não conhecia o maiz, que hoje cultivamos com o nome de milho.

O colonizador posterior, já com a participação da Igreja Católica, tratou de descaracterizar as culturas e sítios sagrados nativos a ponto de construírem igrejas cristãs sobre locais de muita significação para os povos naturais da América.

O historiador de pele branca que fez anotações sobre esses povos escreveu pouco e nem sempre escreveu corretamente. Se disse que foram povos que tiveram poder sobre boa parte das Américas, organizados em regime monárquico cuja sucessão se dava de pai para filho (sempre pela linha masculina). A arte da escrita não havia chegado às Américas. O mesmo historiador branco informou que alguns desses impérios sofreram recessão em virtude de disputas dentro das dinastias. A mais notória é do povo Inca, em que os irmãos Atahualpa e Huáscar se encontravam em guerra pelo poder quando chegou Francisco Pizzarro, general de Espanha, à frente de um pequeno exército que não encontrou grande resistência para dominar os Incas e instalar no Peru o governo representante de Espanha.

Muito mais tarde, na década de 1970, foi descoberta a cidade sagrada de Macchu Picchu (a mais conhecida) e logo depois Chan Chan, um dos grandes tesouros da arquitetura e das civilizações pré-colombianas. É constituída por várias cidadelas com muralhas que chegam a ter 9 metros de altura, e um centro urbano de cerca de 6 km2. A cidade chegou a ter 60 mil habitantes. Era a capital do reino de Chimu, conquistado pelos incas no século XV. As ruínas dos edifícios de Chan Chan incluem templos e palácios, construídos em adobe e com a superfície finamente decorada com imagens em relevo que representam animais, de forma realista ou estilizada.

No tempo, porém, a civilização maia foi a primeira a se consolidar como um império, atingindo o auge no final do século IX - época em que o território maia se estendia do sul do México à Guatemala. Arqueólogos especulam que guerras ou o esgotamento das terras cultiváveis levou a civilização a um rápido declínio a partir do ano 900. No início do século XVI, quando os espanhóis desbravaram a América, os maias encontrados eram simples agricultores que apenas praticavam rituais religiosos de seus ancestrais. Presume-se que os espíritos iluminados dessa civilização tenham deixado o planeta, como também aconteceu com a civilização egípcia quando os espíritos de Capela retornaram à sua Pátria.

Já os astecas estavam no auge nesse período (século XVI). A civilização deles surgiu mais ao norte do México. Enquanto seus "vizinhos" maias entravam em decadência, os astecas começaram a crescer por volta do século 12. Formando alianças com estados vizinhos, montaram um grande império que ainda estava se expandindo quando ocorreu o contato com os espanhóis, em 1519. Em apenas dois anos os invasores vindos do Velho Mundo dominaram o mais importante centro asteca: Tenochtitlán, a atual Cidade do México. Era outro império pré-colombiano que chegava ao fim.

Na América do Sul, os incas viveriam uma história semelhante. Até o século XIV, eram só mais uma tribo indígena espalhada pela cordilheira dos Andes. Mas a partir do século XV se expandiram, atacando vilas vizinhas. Quando os espanhóis chegaram, os incas já dominavam uma grande área do norte do Equador à região central do Chile. Epidemias e lutas pela sucessão imperial (como já falamos) deixaram a civilização enfraquecida para enfrentar os conquistadores europeus. Resultado: assim como fizeram com os astecas, os espanhóis derrotaram rapidamente o império inca. Levou só três anos, de 1532 a 1535.

Veja o leitor que os dois grandes impérios citados entraram em crise com a chegada do colonizador europeu. A derrota desses povos é um débito espiritual muito forte contra os colonizadores. Quantos avanços poderiam estar em curso se o colonizador tivesse procurado intercambiar com a cultura local melhorando-se e melhorando o que havia. Não o fez e procurou destruir o que encontrou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário